28 de dez de 2007

Mercado Imobiliário - Previsão 2008 (Excesso de Otimismo??)

Crescimento Sustentável ou Bolha?

2007 foi um excelente ano para a Construção Civil. O mercado recuperou-se de mais de uma década de estagnação e emplacou um ritmo forte de crescimento. Aí fica a dúvida: este crescimento é sustentável por mais quanto tempo? Estaríamos num ciclo virtuoso de crescimento ou trata-se apenas de uma bolha do mercado imobiliário? Estas questões vem martelando nos principais "players" e órgãos do setor e a resposta clássica e simplista costuma ser a seguinte: O Brasil está longe da bolha imobiliária (para esta convicção ressalta-se índices de mercado do méxico e chile onde a construção civil representa quase 11% do PIB nacional, enquanto aqui no Brasil este número é de 4% e portanto haveria muito a crescer ainda).

Eu particularmente tenho uma visão de que este aquecimento iniciado em 2007 tem as seguintes alavancas: a crise no mercado imobiliário americano (com isto vários investidores entraram no Brasil), os IPO´s e os recursos abundantes captados pelas principais construtoras/incorporadoras do Brasil, os incentivos do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento do Governo Lula) à construção civil, alteração na legislação para o crédito imobiliário, crescimento da renda da população brasileira, etc. Portanto para que o crescimento seja de longo prazo esta situação conjuntural precisa se manter e apostar que todas elas fiquem como está por tanto tempo é um tanto arriscado. No entanto, o mercado acredita que pelo menos até 2009 tudo tenderá a crescer e após esta data o futuro é incerto. Ninguém afirma com certeza nada a partir daí.

O meu pequeno conhecimento em economia faz com que algumas questões coloquem em dúvida esta perspectiva otimista de crescimento já em 2008:

1. Com a falta de fornecedores qualificados e mão-de-obra disponível em quantidade suficiente para os lançamentos previstos para 2008. (As incorporadoras devem duplicar os lançamentos em relação a 2007) os custos de construção devem aumentar e pode até faltar recursos de tal forma que atravanquem os prazos de obra prometidos em contrato;

2. Se os lançamentos se efetivarem haverá uma oferta " excessiva " de imóveis no mercado e os preços de venda tenderão a cair. Há ainda o risco das vendas emperrarem e se isto acontecer as empresas com capital aberto na Bolsa sentirão imediatamente as consequências com a desvalorização de suas ações;

3. Se as ações desvalorizarem ( " o mercado financeiro é implacável e imediatista, quer retornos e crescimento de curto prazo") a tendência é que os investidores escolham outras ações com maiores potenciais. Temos um exemplo recente com a empresas Natura, Gol e Tam. A Natura devido a falta de competitividade vem perdendo mercado para a Avon e o mercado reagiu prontamente desvalorizando suas ações. As empresas Gol/Tam, afetadas pelo caos aéreo, viram suas margens de lucro e o valor de suas ações despencarem; tanto que a Gol está estudando uma estratégia de recompra das ações e fechamento do capital, para reabertura num momento mais oporturno. Estas operações são comuns nos EUA e podem se tornar uma prática no Brasil. Não podemos esquecer que o mercado de ações brasileiro somente agora tem dado sinais de amadurecimento e ainda teremos que enfrentar muitas pedras neste árduo caminho.

Portanto, na minha opinião não há motivo para euforia e é preciso cautela e ousadia simultaneamente. Ousadia para aproveitar ao máximo este momento bom de mercado e cautela no sentido de se preparar para um desaquecimento repentino. Como profissional deste mercado e dependente de seu bom desempenho espero sinceramente estar errado!

ESPERO QUE O ANO DE 2008 SEJA DE MUITO SUCESSO A TODOS NÓS.

27 de dez de 2007

A Casa Popular Sustentável desenvolvida pela UFRGS



DETALHES DA FACHADA


Localizada no campus do Vale, na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), em Porto Alegre, a casa de 46 metros quadrados (dois quartos, sala, cozinha e banheiro) foi planejada levando em conta conceitos de sustentabilidade e padrão de qualidade muito superiores ao normalmente encontrados em moradias populares. A coordenação do projeto é do professor Miguel Aloysio Sattler, integrante do Núcleo Orientado à Inovação na Edificação (Norie), que desde 1993 vem pesquisando a área de edificações e comunidades sustentáveis. O Norie está vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Engenharia Civil da UFRGS.


A pequena casa está permitindo o estudo, o projeto e a aplicação de técnicas construtivas em que as condições ecológicas e bioclimáticas são prioridade. Não deixa de considerar, no entanto, questões de custo. Em termos de arquitetura bioclimática, por exemplo, a construção aproveita estudos de orientação solar e dos ventos para beneficiar o conforto térmico. A parte externa da casa conta com pergolados, que são estruturas de madeira usadas para dar suporte a espécies vegetais caducifólias, que perdem as folhas no inverno, propiciando maior entrada da radiação solar, e estão com folhas no verão, criando um ambiente sombreado. O teto possui forro duplo para manter o calor no inverno, com circulação de ar para auxiliar o resfriamento do telhado no verão.


A proposta também inclui soluções simples, como a utilização de fogão a lenha para cozinhar e ao mesmo tempo aquecer o ambiente e água em dias frios. O referencial teórico usado na concepção do projeto também leva em conta conceitos da permacultura, que busca uma integração harmoniosa e sustentável entre o ambiente, as pessoas e suas necessidades de habitação, alimentação e energia, entre outras.

Dentro desse princípio, o material escolhido foi o tijolo de cerâmica, produzido em praticamente todo o Rio Grande do Sul. “O ideal em uma construção que busca ser sustentável é a utilização de materiais locais, que não exijam grandes distâncias de transporte e que gerem empregos e renda no local na construção”, explica o professor Sattler. Todas as esquadrias de portas e janelas são de eucalipto, tratadas com produtos não tóxicos. Foi utilizado para prevenir o ataque de cupins um produto a base de óleos essenciais extraídos de plantas da Amazônia.


Para proteção contra a umidade, foi usado óleo de linhaça cozido, cuja eficiência está sendo estudada em uma tese de doutorado em realização no NORIE. Na linha de reaproveitamento de materiais, dentro do forro há uma lâmina refletora alumínio, que recicla chapas de alumínio de fotolitos e funciona como uma barreira à passagem de calor. O protótipo está sendo equipado com coletores de água da chuva para utilização no vaso sanitário e irrigação do jardim. Um sistema de tratamento de esgotos também está em implantação no próprio local. O sistema de esgotos separa as águas negras (do vaso sanitário) das águas cinzas (as demais águas residuárias geradas na construção). Cada uma delas é tratada separadamente. As águas negras, por exemplo, passam por um digestor e depois por um filtro anaeróbico. Então se juntam às águas cinzas, que passaram por uma caixa de gordura. Em seguida as águas são conduzidas a um canteiro, composto por um filtro de solo e agregados miúdos, sobre o qual são cultivadas plantas. As raízes dessas plantas buscam os nutrientes necessários à vegetação no afluente ao canteiro e, com isso, depuram ainda mais as águas originalmente negras. Finalmente, o efluente do canteiro é conduzido a um pequeno espelho d´água, onde plantas aquáticas fazem o ´polimento´ final das águas residuárias. A tecnologia está sendo desenvolvida com apoio do Programa de Pesquisa em Saneamento Básico (Prosab).

Ainda estão por ser executadas as instalações de água quente (do coletor solar e as ligadas ao fogão à lenha) e fria, com os respectivos equipamentos (chuveiro, bacia sanitária, tanque de lavar roupa, pia da cozinha). O pé-direito elevado do protótipo também permitirá a construção de dois ´mezaninos´, um na sala e outro no dormitório voltado para Norte, cada um com aproximadamente oito metros quadrados. Estas extensões serão iluminadas e ventiladas pelas janelas superiores, existentes na fachada Norte do protótipo. O coordenador do projeto, professor Miguel Sattler, acredita que os componentes da casa criam um novo paradigma para a habitação popular. Construído com recursos da Caixa Econômica Federal e da Finep, o protótipo iniciou com recursos de R$ 20 mil, boa parte dos quais foram investidos em mão-de-obra qualificada – de modo a não comprometer a função demonstrativa do protótipo. Em materiais foram gastos aproximadamente R$ 8.650,00, e outros investimentos continuam sendo feitos. No entanto, este valor possibilita a construção de uma casa de 46 metros quadrados (o que representa aproximandamente ¼ do CUB, para materiais).

fonte: Revista Habitare

Arquitetura de Caráter Social pode ser bela!


Projetos de baixo custo podem sim, ser interessantes e bonitos, olha aí o exemplo. Os arquitetos do Ofis, venceram um concurso público realizado pelo Fundo de Habitação Esloveno com esse edifício de habitações populares na cidade de Izola, Eslovênia.


Arquitetura de Caráter Social - o exemplo Chileno

Esta é uma foto da arquitetura de caráter social no Chile. Observa-se traços modernistas, grandes janelas permitindo ventilação e iluminação abundantes e ao mesmo tempo materiais rústicos e baratos.

Como o mundo realmente funciona?



Ao ler a Edição Comemorativa de 40 anos da revista Exame que tinha o mesmo título deste "post", deparei-me com a aula de Tendências Contemporâneas da Administração em minha pós em engenharia de produção na UFScar no início deste ano. O professor, um Engenheiro Civil que não exerceu a profissão e fez carreira no mercado financeiro, resumia sua visão da seguinte forma: " O mundo hoje é financista, as finanças mandam na produção, no mercado, em tudo". No início, como engenheiro, fiquei bastante decepcionado com esta visão do professor e cheguei a pensar que o mesmo fosse um engenheiro civil frustrado, mas, depois caí na realidade. E a realidade dói, o que a torna difícil de ser aceita.

A Internet tornou a informação democrática e ágil o que permite que hoje empresas de pequeno porte na Índia compitam com empresas gigantes norte-americanas. Esta é a base do livro " O Mundo é Plano - de Thomas Friedman " - os terrenos foram aplainados e a competição foi nivelada. No mercado financeiro, a velocidade da informação com o emprego da tecnologia deu muito mais poder aos financistas que hoje podem monitorar e reagir rapidamente a qualquer oscilação do mercado financeiro ou identificar novas tendências do mundo produtivo, valorizando e desvalorizando ações em minutos. Aliás, esta valorização das ações de uma empresa tornou-se um indicador de desempenho de curto prazo e o alto executivo deve conviver com a tensão gerada pelas oscilações de mercado, que muitas vezes em nada tem a ver com suas decisões empresariais.

Na construção civil, com os recentes IPO´s (Ofertas Iniciais de Ações de uma empresa) grandes construtoras abriram o capital na Bovespa (Bolsa de Valores do Estado de São Paulo) e captaram recursos vultuosos demonstrando uma transformação nos mecanismos do financiamento da atividade produtiva no Brasil. Assim, as grandes construtoras que receberam essa grande injeção de recursos partiram para as fusões e aquisições de construtoras de menor porte. Há a tendência de que construtoras familiares de pequeno porte que não se profissionalizarem e não desenvolverem novos nichos de atuação sejam eliminadas do mercado. Não há como competir com o Capital.

A previsão para a construção civil em 2008 é otimista sim, o mercado está aquecido sim; no entanto, o sucesso acontecerá somente para aqueles que aceitarem o novo mundo financista e tomarem ações para aproveitar as características deste novo ambiente e angariar recursos para o crescimento tornando-se assim mais competitivos.

Moradia para a Baixa Renda - Qual o verdadeiro potencial deste mercado?

Conjunto habitacional no Brasil

Se perguntarmos a qualquer profissional da construção civil (engenheiros, arquitetos, corretores de imóveis, etc) sobre qual será a tendência do mercado da construção civil em 2008, todos responderão em uníssono: A Habitação Popular.

Existe a expectativa no setor de que resolvida a questão do crédito para a baixa renda a habitação popular venderá como água no deserto. No entanto, estamos cometendo os erros já vivenciados em outras indústrias (eletro-eletrônicos, automóveis, etc etc) de achar que a necessidade do pobre é preço-baixo e ponto. Não devemos esquecer que com a globalização e disponibilização da informação, os "pobres" (cerca de 4 bilhões de pessoas no mundo todo)estão buscando a mesma qualidade de vida dos "ricos" mas, com um agravante: está disposto a pagar menos por isso. Assim, não basta projetar as cohabs dos anos 80, com preços baixos e prestações a perder de vista pois, os "pobres" não querem aquele tipo de moradia. Eles também querem arquitetura, conforto, segurança e tecnologia (as empresas de celulares já aprenderam isso há algum tempo). E Não podemos nos esquecer ainda que hoje o mercado de habitação popular está globalizado e gigantes mundiais do setor, como a mexicana Homex, estão chegando ao Brasil com todo seu conhecimento e experiência neste seguimento. Ou seja, o mercado não é só nosso. (Não estamos nadando de braçadas neste mercado, como muita gente acredita)

Enfim, conclui-se que o mercado de habitação popular não é para qualquer um e será preciso um estudo criterioso das necessidades dos clientes (como é feita em todas as demais fatias do mercado) e as empresas que terão sucesso neste segmento serão aquelas capazes de atender o maior número destas necessidades ao menor preço possível. ESTÁ LANÇADO O DESAFIO!

26 de dez de 2007

Precisamos Criar o Nosso Próprio Prédio Verde !!!


Na verdade " Green Building " nada mais é do que a forma como se deveria projetar e construir com o bom senso esperado da engenharia e arquitetura.

Quem não quer projetar um prédio que consuma menos energia, economize e reaproveite água, que tenha excelente arquitetura com boa ventilação natural, iluminação adequada, ambientes agradáveis e saudáveis aos usuários e que gere menos resíduo durante a construção??? Na verdade projetar um " Green Building " requer a utilização de elementos que foram abandonados com a introdução da tecnologia e o excesso de tecnologia foi o responsável pelos prédios "insustentáveis" que conhecemos hoje.

E como aprendemos a projetar prédios ecologicamente incorretos??? Para isso basta listar algumas de suas características:

1. Lajes estensas o que torna a ventilação natural e iluminação insuficientes;

2. Taxas de ocupação elevadíssimas - os funcionários se aglomeram em estações de trabalho minúsculas e desconfortáveis (trabalham horas e horas sem saber se é dia ou noite lá fora)

3. Condicionamento de Ar - o ambiente com ar condicionado virou moda e símbolo de status nos anos 90. Sistemas ineficientes, com grande consumo de energia e péssima manutenção criaram os chamados "edifícios doentes" , inclusive há casos de pessoas que contraíram infecção respiratória devido a exposição ao ar contaminado de salas de escritórios fechadas. Fora os problemas causados aos fumantes passivos. Um total desrespeito aos não-fumantes.

5. Excesso de tecnologia (de utilidade duvidosa) com alto consumo de energia e desperdício de água;

6. Os projetos eram pensados para incorporar um alto grau de tecnologia e não se dava importância ao custo de manutenção e aos impactos ambientais ou até mesmo às pessoas. Acreditava-se que qualquer custo se pagava. O importante é que o negócio gerasse lucro e o prédio impressionasse o mercado.

Ou seja a construção "não-sustentável" é uma grande falta de bom senso e através de um pensamento óbvio e ululante (parodiando Nelson Rodrigues) foram criados projetos de edifícios verdes, pregando novamente o bom senso. A formatação deste tipo de empreendimento percorre a arquitetura, a engenharia e a tecnologia resgatando conceitos antigos (mas, sustentáveis - afinal, nossos bisavós eram sustentáveis, certo?) e combinando isso com tecnologia de ponta (autogeração de energia, eólica, solar, etc) e os americanos (espertos como sempre) colocaram um nome (" Green Building" ) e padronizaram as regras de formatação (" LEED ")para este tipo de empreendimento.

Cabe a nós, profissionais do mercado brasileiro, buscar nossa própria forma de projetar e fazer os nossos " Prédios Verdes " respeitando nossa cultura, nossa arquitetura, nossos métodos construtivos, ..o resultado será algo que tenha a nossa cara e que deverá ser igual ou melhor do que o obtido pelos prédios verdes americanos. Isso dá uma Tese de Mestrado/Doutorado, e com certeza, em nosso país rico em talentos há muita gente pensando nisso.

Green Building : o modelo de certificação brasileiro para prédios públicos

O que era tendência já virou realidade e assim estão em construção os primeiros prédios verdes brasileiros: Eldorado Tower - SP(Inaugurado no mês passado - empreendimento Gafisa); Ventura Towers I e II - RJ (Em construção - empreendimento Tischmann Speyer / Construção Camargo Correa /Método - fotos neste blog), Rochaverá-SP - (em construção empreendimento Tischmann Speyer).

Os chamados “Green Buildings”, certificados através do critério LEED, têm sido desenvolvidos por empresas como modelo de excelência em sustentabilidade para edificações. Além disso, no Brasil, pode-se caminhar, futuramente, para uma certificação própria, especialmente para prédios públicos, levando em conta a conjuntura interna do país e as diversidades regionais de clima e materiais.

As vantagens obtidas vêm, primeiramente, através de melhorias no projeto e concepção dos edifícios para que fiquem mais socio-ambientalmente harmonizados. Já para as empresas incorporadoras e construtoras, nota-se ganhos de qualidade e aumento no retorno dos investimentos, como, também, da imagem e reputação destas frente à opinião pública. Os futuros ocupantes serão beneficiados em termos de menores custos condominiais e melhor qualidade de vida interna, por exemplo. A construção sustentável tem se demonstrado como um sistema ganha-ganha e com isto tem criado um círculo virtuoso que tende a turbinar a tendência para estes tipos de construção.


fonte: câmara dos arquitetos

24 de dez de 2007

Sustentabilidade e Corrupção no Brasil


Hoje ao me reencontrar com uma revista que não lia há muitos anos ("Superinteressante") deparei-me com a entrevista de Fernando Gabeira (http://www.gabeira.com.br/), reconhecido ecologista que ultimamente vem se dedicando a caça de políticos corruptos. Ao ser indagado pelo entrevistador se não haveria incoerência política pelo fato de ter sido eleito para a defesa do meio-ambiente e agora estar envolvido em CPI´s para o fim da corrupção o mesmo responde com extrema inteligência:

" Com o combate à corrupção evita-se uma grande parte dos crimes ecológicos, pois na maioria dos crimes têm-se políticos envolvidos e por isso recebem vistas grossas da fiscalização ambiental e da mídia"
" Nosso presidente Lula corre o mundo divulgando uma imagem do Brasil como país ecológico e o álcool como o combustível do futuro, ao mesmo tempo que permite a existência de mão-de-obra escrava em fazendas de cana de açucar no nordeste e libera a queimada da cana em época de colheita em todo o brasil. Ações nada sustentáveis!"

Se trouxermos este cenário para o município de São Paulo e/ou ao Estado de São Paulo nos depararemos com algumas medidas hipócritas para a preservação ambiental. A nível municipal temos o TCA (Termo de Compromisso Ambiental) onde a prefeitura cobra taxas e exige benefícios desproporcionais ao número de árvores a serem transpantadas ou cortadas; exige-se até a preservação de eucaliptos existentes nos terrenos (sendo que o eucalipto é uma árvore não ecológica pela água que consome durante seu ciclo de vida). Assim, para viabilizar empreendimentos imobiliários em regiões já desmatadas, as construtoras/incorporadoras vêem-se obrigadas a desembolsar um valor considerável o que torna o preço do imóvel ainda mais caro para o consumidor final. Já no nível estadual temos o DEPAV que fiscaliza " maciços de vegetação" não com o ituito de protegê-los e proibir a construção mas, sim em obter algo em troca da permissão do corte das árvores. Geralmente este algo em troca trata-se de compensação ambiental através de fornecimento de mudas, plantio de árvores em praças públicas, cercamento de parques, etc etc. Enfim, não evita-se a destruição apenas preocupa-se em gerar receita com isso para se executar aquilo que o estado deveria estar fazendo dentro de sua administração rotineira. Alías, a geração de receita é o fato que incentiva a fiscalização ambiental ostensiva em São Paulo. Enquanto isso, na floresta amazônica (onde corta-se em média 100 estádios de futebol por ano de mata nativa e com rica biodiversidade) tem-se 35 fiscais para cuidar de uma área equivalente à Itália.

Portanto, concordo quando Fernando Gabeira diz que precisamos acabar com as medidas sem resultados e acabar com a corrupção no sentido de preservar o meio ambiente. "Chega de soluções para inglês ver!" " Chega de veículos da Polícia Florestal em congestionamentos na marginal tietê!. Vamos deslocar os recursos de fiscalização para onde estão os recursos naturais deste país.

16 de dez de 2007

Produção Enxuta e Sustentabilidade


O Sistema Toyota de Produção ficou mundialmente conhecido como um sistema de gestão que visa a eliminação total dos desperdícios, ou seja, percorrer todo o fluxo de negócio da empresa e eliminar as atividades que não agregam valor bem como os custos relacionados a elas. Desta forma se consegue fazer mais com menos; a produtividade aumenta e a utilização de materiais, mão-de-obra e equipamentos diminui. Faz-se o máximo com o mínimo. Daí o nome " Produção Enxuta ".
Além dos benefícios econômicos amplamente estudados temos ainda um importante benefício indireto relacionado a redução dos resíduos gerados pelos centros de produção, menor consumo de água, energia e redução na utilização de matéria-prima. Pode-se dizer que a "Produção Enxuta" é um sistema de gestão ecologicamente correto e contribui para a redução das emissões em nosso planeta. Aliás, a relação entre Sustentabilidade e o Sistema Toyota de Produção é um campo ainda pouco explorado e portanto, trata-se de uma importante oportunidade de estudo futuro. Está lançado o desafio!

8 de dez de 2007

Hoje os prédios verdes são realmente mais lucrativos ???

Arq. Alemão Volker Hartkopf

Há uma grande dificuldade do mercado em realmente comprovar se um "Green Building" tem realmente vantagens economicas com relação a um edifício tradicional. Devido a construção de "Green Buildings" ser uma prática bastante recente e termos ainda muitas novas tecnologias em teste de desempenho nestes prédios não temos índices comprovados de efetiva superioridade dos mesmos com relação aos tradicionais. Com a construção dos primeiros "Green Buildings" no Brasil (atualmente não há nenhum em operação) fica a expectativa de se descobrir qual o período que leva para que os custos adicionais de implantação de um prédio verde seja pago pelas economias de operação e manutenção durante a vida útil do mesmo.
"O alemão Volker Hartkopf, titular do curso de arquitetura da Universidade Carnegie Mellon, nos Estados Unidos, defende a tese de que o lucro será maior nas empresas instaladas em escritórios sustentáveis e que levam em conta o bem-estar dos funcionários". Daí a dificuldade de estimar-se todos benefícios de um Green Building antes de sua implantação, pois grande parte deles serão benefícios indiretos, tais como: aumento de produtividade dos funcionários, melhoria da imagem da empresa no mercado, aumento das vendas por opção ambiental, etc.

Os edifícios verdes podem gerar mais energia do que consomem. Isso representa uma enorme economia de dinheiro. Mas há um ponto mais importante. Nos Estados Unidos, os prédios convencionais consomem 70% da energia disponível no país. Nas grandes cidades da China, a necessidade adicional de energia para manter ligados os aparelhos de ar-condicionado exige que uma usina seja construída por semana. Isso não é sustentável.
Os projetos de edifícios verdes são mais caros. Aos poucos, porém, as companhias estão percebendo que o investimento compensa a médio e longo prazo, em termos de redução de custos e ganhos de produtividade dos funcionários.
Resta-nos investir a longo prazo e aguardar o conceito se popularizar de tal forma que se torne o padrão da construção e com este ganho de escala tenha uma redução de custos de projeto e de implantação. A tendência também é que o " Green Building" passe por um processo de melhoria contínua tornando-se o tipo de construção mais competitivo de modo que elimine por completo a construção tradicional de grandes edifícios.
LEIAM OUTRO ARTIGO SOBRE O ASSUNTO NO LINK ABAIXO


Green Building – Definição e Características Básicas


Green Building (“Edifício Verde”) é a prática de aumentar a eficiência do uso de água, energia e materiais, reduzindo desta forma os impactos ambientais dos edifícios. Este aumento de eficiência é conquistado através de otimização de projeto, inovação de processos construtivos, melhoria da operação e manutenção após a ocupação e enfim a possibilidade de reciclagem do edifico ao final de seu ciclo de vida.
Os conceitos de desenvolvimento sustentável e sustentabilidade são integrais ao Green Building. Um prédio verde deve prever: 1) Redução dos custos de operação pelo aumento da produtividade e usando menos água e energia; 2) Melhoria da saúde pública com a garantia de uma melhor qualidade do ar em seu interior e 3) Redução dos impactos ambientais durante seu ciclo de vida.
A aparência e o estilo de edifícios sustentáveis podem ser indistinguíveis dos prédios tradicionais menos sustentáveis.


fonte: wikipédia - A enciclopédia livre
foto: Obra Ventura Towers - Camargo Correa / Tishimann Speyer


7 de dez de 2007

O bom negócio da sustentabilidade - Assunto para se pensar!

"Não existem bons negócios em sociedades falidas".

"Um mundo de responsabilidades partilhadas entre empresas, governos e sociedade, no qual a força da economia está intrinsecamente relacionada aos cuidados com o ambiente. Assim, a ameaça de extinção agora também paira contra as espécies agressoras da natureza. “Empresas que não adotarem práticas de desenvolvimento sustentável vão desaparecer ao longo da próxima década”

"O caminho correto para a sustentabilidade pressupõe a adoção de novas
condutas práticas, simples e sobretudo economicamente viáveis"

"Foco no sistema de mercado aberto e competitivo e tendo em perspectiva pressupostos como democracia, transparência e redução de custos, inclusive os ambientais."


"três cenários possíveis para nosso futuro comum. Um, denominado “Frog” (das iniciais First Raise Our Growth: “Vamos crescer primeiro”), sugere a manutenção das coisas como estão e a conseqüente catástrofe planetária. É também uma metáfora assustadora: frog em inglês é sapo, um animal que, ao não perceber o aquecimento gradual da água, se deixaria cozinhar até a morte. No segundo cenário, denominado “Geopolítico”, Almeida antevê o sacrifício econômico de algumas nações em nome da manutenção da vida no planeta. O terceiro e ideal cenário é denominado de “Jazz”, numa analogia ao ritmo musical no qual o talento individual depende da cooperação dos demais integrantes da banda para produzir boa música.


Fernando Alves Almeida graduou-se em Engenharia Civil-Sanitária e possui mestrado em Engenharia do Meio Ambiente pelo Manhattan College, EUA.

A Sustentabilidade da Sustentabilidade

Definitivamente a sustentabilidade é o tema da moda. Todas as empresas de alguma forma estão estudando a implementação de ações sustentáveis. Estas ações, apesar de terem objetivos nobres não têm tido muito sucesso e eficácia. As melhorias observadas resumem-se em reciclar latinhas, fazer bolsas com sucata, plantar árvores para compensação de emissões de carbono, reciclar óleo de cozinha, separação dos tipos de lixo nas empresas e condomínios, plaquinhas coloridas pelas empresas, etc etc. Efim, hoje a sustentabilidade é um grande plano de marketing onde se faz ações de resultado inexpressivo e com grande divulgação com o intuito de obtenção de ganhos de imagem. E com isso os problemas continuam: efeito estufa, aquecimento global, aumento dos resíduos no meio ambiente, tufões, enchentes, etc etc.

As ações observadas até o momento são de caráter individual e com sucessos apenas pontuais sem impacto efetivo em nosso meio-ambiente que se degrada a cada dia. Estas pequenas ações, apesar de importantes para a conscientização das pessoas, são grãos de areia do grande deserto que se tornará o Planeta Terra caso não se faça nada mais efetivo.

O título deste texto está questionando a sustentabilidade da própria sustentabilidade pois, no formato atual, temos um programa que onera as empresas e depende da boa vontade das pessoas e empresas. Estes teriam que ser convencidos a colocar a mão no bolso para investir em algo que não lhes trará retorno imediato. Assim, creio que um programa governamental seja a base para a obtenção de um programa realista de meio ambiente e com metas tangíveis de tal forma que os avanços possam ser mensurados. Este programa deve incentivar as empresas e pessoas a adquirirem hábitos sustentáveis de tal forma que o volume de ações seja tão grande que produza algum impacto positivo em nosso meio-ambiente. E para que este programa dê certo é preciso alguma motivação...uma motivação que não seja no formato de multa.

Quando se fala em motivação do ser humano e de empresas precisa-se falar necessariamente de Dinheiro, que talvez seja o maior motivador universal. Ou seja, precisa-se vincular a evolução da gestão ambiental a um retorno financeiro que torne este investimento viável. Desta forma teríamos um Plano de Sustentabilidade auto-sustentável pela motivação financeira. Sim, simples assim...O óbvio do óbvio. Quando a sustentabilidade se tornar um bom negocio ela acontecerá de forma natural em todos os setores.

Afinal, Por que se corta árvores? Por que se desmata? Por que se polui rios? Por que..?
A resposta básica e simples é que as ações são criadas para a busca da lucratividade..este é o nosso negócio. Assim, precisamos encontrar formas criativas em nossos ramos de atuação e encotrar ações sustentáveis que se paguem , que gerem receita e que não onerem pura e simplesmente a produção sem benefício algum.

Temos que tornar a Sustentabilidade Sustentável e sair desta etapa que será lembrada como a Era da Sustentabilidade Utópica, onde a mídia promove a idéia de que tudo vai dar certo sem nenhuma ação efetiva e palpável.

2 de dez de 2007

As Perdas na Construção Civil

O conceito de perdas na construção civil é, com freqüência, associado unicamente aos desperdícios de materiais. No entanto, as perdas englobam tanto a ocorrência de desperdícios de materiais quanto a execução de tarefas desnecessárias que geram custos adicionais e não-agregam valor. Para tanto uma pesquisa feita na UFRGS classificou as principais perdas de acordo com o seu controle, a sua natureza e a sua origem. O trabalho pode ser resumido da seguinte forma:

As perdas segundo o seu controle:

(a) Perdas Inevitáveis (ou perda natural) - correspondem a um nível aceitável de perdas, que é identificado quando o investimento necessário para a sua redução é maior que a economia gerada.
(b) Perdas Evitáveis - ocorrem quando os custos de ocorrência são subtancialmente maiores que os custos de prevenção.

As perdas segundo sua natureza:

(a) Perdas por Superprodução - refere-se às perdas que ocorrem devido à produção em quantidades superiores às necessárias, por ex: excesso de espessura de lajes de concreto armado, etc
(b) Perdas por Substituição - decorrem da utilização de um material de valor ou características de desempenho superiores ao especificado;
(c) Perdas por Espera - relacionadas com a sincronização e o nivelmaneto do fluxo de materiais e as atividades dos trabalhadores;
(d) Perdas por Transporte - estão associadas ao manuseio excessivo ou inadequado dos materiais em função de uma má programação ou layout de canteiro ineficiente;
(e) Perdas no Processamento - tem origem na própria natureza das atividades do processo ou na execução inadequada dos mesmos. Decorrem da falta de procedimentos padronizados e ineficiências nos métodos de trabalho, falta de treinamento de mão-de-obra e deficiências de projeto;
(f) Perdas nos Estoques - estoques excessivos em função de programação inadequada, falhas de armazenamento, etc.
(g) Perdas no movimento - decorrem da realização de movimentos desnecessários por parte dos trabalhadores durante a execução de suas atividades e podem ser geradas por frentes de trabalho afastadas e de difícil acesso;
(h) Perdas pela fabricação de produtos defeituosos - quando ocorre o não atendimento dos requisitos de qualidade especificados.
( i) Outras: roubo, vandalismo, acidentes, etc

As Perdas segundo sua origem:

A origem das partes pode estar nos seguintes processos:
(a) Recursos Humanos (mão-de-obra)
(b) Suprimentos
(c) Fabricação de Materiais
(d) Projeto
(e) Planejamento
(f) Processo Produtivo


A Eliminação das perdas é hoje um grande elemento para a competitividade das empresas e para tanto é necessário abrir os olhos e mudar a maneira de enxergálas em todos os processos de um empreendimento.

Fonte: Artigo: As Perdas na Construção Civil (Formoso, De Cesare, Lantelme, Soibelman) - UFRGS - 1993