27 de dez de 2007

Como o mundo realmente funciona?



Ao ler a Edição Comemorativa de 40 anos da revista Exame que tinha o mesmo título deste "post", deparei-me com a aula de Tendências Contemporâneas da Administração em minha pós em engenharia de produção na UFScar no início deste ano. O professor, um Engenheiro Civil que não exerceu a profissão e fez carreira no mercado financeiro, resumia sua visão da seguinte forma: " O mundo hoje é financista, as finanças mandam na produção, no mercado, em tudo". No início, como engenheiro, fiquei bastante decepcionado com esta visão do professor e cheguei a pensar que o mesmo fosse um engenheiro civil frustrado, mas, depois caí na realidade. E a realidade dói, o que a torna difícil de ser aceita.

A Internet tornou a informação democrática e ágil o que permite que hoje empresas de pequeno porte na Índia compitam com empresas gigantes norte-americanas. Esta é a base do livro " O Mundo é Plano - de Thomas Friedman " - os terrenos foram aplainados e a competição foi nivelada. No mercado financeiro, a velocidade da informação com o emprego da tecnologia deu muito mais poder aos financistas que hoje podem monitorar e reagir rapidamente a qualquer oscilação do mercado financeiro ou identificar novas tendências do mundo produtivo, valorizando e desvalorizando ações em minutos. Aliás, esta valorização das ações de uma empresa tornou-se um indicador de desempenho de curto prazo e o alto executivo deve conviver com a tensão gerada pelas oscilações de mercado, que muitas vezes em nada tem a ver com suas decisões empresariais.

Na construção civil, com os recentes IPO´s (Ofertas Iniciais de Ações de uma empresa) grandes construtoras abriram o capital na Bovespa (Bolsa de Valores do Estado de São Paulo) e captaram recursos vultuosos demonstrando uma transformação nos mecanismos do financiamento da atividade produtiva no Brasil. Assim, as grandes construtoras que receberam essa grande injeção de recursos partiram para as fusões e aquisições de construtoras de menor porte. Há a tendência de que construtoras familiares de pequeno porte que não se profissionalizarem e não desenvolverem novos nichos de atuação sejam eliminadas do mercado. Não há como competir com o Capital.

A previsão para a construção civil em 2008 é otimista sim, o mercado está aquecido sim; no entanto, o sucesso acontecerá somente para aqueles que aceitarem o novo mundo financista e tomarem ações para aproveitar as características deste novo ambiente e angariar recursos para o crescimento tornando-se assim mais competitivos.

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