5 de jan de 2008

"Ecoconstrução" - uma nova tecnologia de materiais para construção

"Serão necessárias muitas soluções de Engenharia e Arquitetura para viabilizar a utilização de materiais reciclados na construção."


Foto de cima - Observa-se cortina feita com garrafa pet (bom aspecto visual na foto mas, na prática ainda nos parece algo pejorativo usar lixo na decoração)
Foto de baixo: protótipo de casa com material reciclado (observa-se vão aberto sobre parede de compensado prensado - problema acústico e esteticamente inviável)

Materiais usados para a construção freqüentemente causam alguma poluição ambiental durante sua produção. A exploração de minas para obtenção de brita pode danificar a paisagem, madeira podem vir de fontes não-sustentáveis, areia produz um enorme impacto ambiental junto aos rios, metais usam muita energia na produção, a produção de PVC causa poluição atmosférica, dentre outros exemplos.

Materiais produzidos a partir de material reciclado comumente causam menores danos ambientais que os produtos novos e reduzem o lançamento de refugos da sociedade moderna ao meio ambiente.
Esquemas de reciclagem desenvolvidos por autoridades locais ou programas de inclusão social precisam de um mercado para a coleta de materiais, reaproveitamento e posterior venda para construtoras e empreendedores imobiliários.

Qualidade e durabilidade são aspectos vitais dos materiais de construção. Para alguns materiais reciclados como tijolos, madeira, ardósia etc a aparência não será tão boa quanto do material novo, mas isto será compensado por outros aspectos de qualidade. A falta de estudos padronizados a respeito da utilização de materiais reciclados na construção é um grande entrave que deve ser eliminado. Órgãos Normativos do mundo todo têm a responsabilidade de criar os parâmetros para a utilização e garantir exigências técnicas mínimas para o bom desempenho construtivo. A utilização de materiais recicláveis na construção deve ser tratada como uma nova tecnologia de materiais que, como todas as outras, deve ser testada e ensaiada exaustivamente para estabelecimento das propriedades físicas e verificação do verdadeiro desempenho construtivo do material.

Hoje, no Brasil, as ações para reaproveitamento de materiais estão ainda no campo acadêmico e no campo de idéias isoladas de alguns engenheiros e arquitetos. Mil idéias de aproveitamento surgem, tais como: paredes de garrafas plásticas, telhas feitas a partir da reciclagem de tubos de pasta de dente, utilização de entulho e outros resíduos como agregado na fabricação de concreto, etc. No entanto, para que estas e outras idéias sejam realmente implementadas precisamos atender algumas premissas básicas:

a) A estética arquitetônica deve ser mantida, portanto há a necessidade de se incorporar os novos materiais reciclados sem agredir o usuário do imóvel. A casa deve atender as necessidades físicas e sociais do ser humano; (Quem gostaria de viver em uma sala com parede de garrafa pet ou cortinas de tampinha de refrigerante???)

b) Deverá se desenvolver uma indústria de reciclagem que produza os materiais em grande escala e isso apenas irá acontecer como o conceito estiver plenamente aceito e divulgado. Acredito que há uma tendência a curto prazo dos materiais ecologicamente corretos serem um produto a mais (uma opção) no “portfólio” das empresas tradicionais e que somente serão consumidos por empresas e consumidores dispostos a pagar mais por isso em troca de um ganho de imagem ou de ação voluntária para melhoria do meio ambiente. A disseminação ocorrerá somente quando a demanda aumentar e os preços reduzirem com o ganho de escala; (Ou seja, o material reciclado deve ser um bom negócio para todos: para quem recicla, para quem produz, para quem constrói e para quem consome);

c) Os projetistas e construtoras deverão estar seguros quanto ao desempenho dos materiais reciclados garantindo construções seguras, duráveis e de bom desempenho técnico. Isso irá acontecer quando estes materiais forem desenvolvidos, testados e certificados. Quem não se lembra do tubo de plástico reciclável que rompia mais facilmente que o PVC e não suportava pressões internas??? O produto foi lançado em 1999 e desapareceu do mercado devido ao grande fiasco de seu desempenho técnico.

d) O consumidor final terá o papel mais importante neste processo cabendo ao mesmo optar por construtoras com práticas ecologicamente corretas e assim transformar a utilização de materiais recicláveis em exigência para sobrevivência no mercado. Isto deverá ocorrer a longo prazo com a conscientização ambiental deste consumidor e com a redução dos preços dos empreendimentos ecologicamente corretos.



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