27 de abr de 2008

Ponte de Minneapolis - EUA - Entendendo as causas do colapso

Ponte Minneapolis, EUA - foto logo após o colapso em 2007

A maioria dos colapsos em pontes metálicas está relacionado às soldas nas ligações, diz um dos textos; e a ponte I-W35 apresentava, segundo relatórios de inspeção, numerosos problemas de soldas nas treliças. Por outro lado as pontes metálicas são, em geral, altamente hiperestáticas, o que leva a uma probabilidade menor de colapso quando um ou alguns elementos falham, pois as cargas são redistribuídas. Esta ponte, especificamente, não tinha um número elevado de hiperestáticos! Outro problema é a pequena fissura por fadiga, que se amplia rapidamente!

Os Estados Unidos têm cerca de 600 mil pontes, e eles estão muito preocupados com a manutenção (oficialmente a cada 2 anos). ? E como nós, no Brasil, estamos em relação às nossas pontes e viadutos? Seguros? Vamos esperar um acidente de grandes proporções, de novo, para ai então despertar as autoridades para o problema?




Achei interessante e bem didático o conteúdo do link abaixo;

www.nytimes.com/ref/us/20070803_BRIDGE_GRAPHIC.html?th&emc=th#step1



contribuições: Odilon Pancaro Cavalheiro

Engenheiro Civil / Professor TitularUNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA

20 de abr de 2008

Certificação - A Classificação dos Prédios Verdes

foto: Primeiro prédio verde em Dubai


Qual critério empreendedores, incorporadores, construtoras, arquitetos e outros profissionais
de projeto seguem para obter oselo “verde” para seus projetos?


No Brasil, essa base de comparação carece de um fundamento estritamente nacional, tanto que o arquiteto Edo Rocha lançou-se ao desafio de escrever um livro com os parâmetros nacionais que deverá balizar a qualificação de “inteligente” para os projetos brasileiros.


Na falta de uma “estampa” própria e de uma entidade oficial que a conceda, serve de referência
o Leadership in Energy & Environmental Design (Leed), sistema de avaliação e certificação
para construção sustentável utilizado, principalmente nos EUA e Canadá, concedido pelo United States Green Building Concil (USGBC), entidade que desenvolveu e administra o Leed.

O documento é levado tão a sério mundialmente que 4.100 profissionais dos 50 estados americanos e de outros 27 países estiveram reunidos em Austin, Texas (EUA), para discutir o tema na primeira conferência internacional sobre Green Buildings (The First Annual International Green Building Conference & Expo Austin TX – USA 2002), realizada entre 12 e 17 de novembro de 2007. O evento foi promovido pelo USGBC.

O engenheiro e consultor Luiz Amaro Páschoa da Silva, que esteve presente ao encontro, traduziu o check-list usado pelo Leed. “O Leed é um rating system que se encontra
na versão 2.0 e que certifica edifícios comerciais, institucionais e residenciais. A próxima versão, a 3.0, incluirá também edifícios existentes, conjuntos de edifícios, interiores e residências.


São possíveis 69 pontos, com a seguinte classificação: entre 26 a 32 (certificado), 33 a 38 (Silver), 39 a 51 (Gold), 52 a 69 (Platinum). A distribuição dos pontos acontece nesta
proporção: Planejamento Sustentável do Sítio (3D 22%), Água (8%), Energia e Atmosfera (27%), Materiais e Recursos Naturais (20%) e Qualidade do Ambiente construído (3D 23%)”, explica o consultor.


fonte: Ecoplano

GERAÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA A PARTIR DO BIOGÁS

Foto de Usina de Purificação do Biogás


O aproveitamento do biogás, produto do tratamento de esgoto, para geração de energia elétrica ocasiona uma redução no potencial de poluição do meio ambiente, uma vez que é composto por acentuada concentração de gás metano (CH4), cerca de 24 vezes superior ao dióxido de carbono (CO2), no que se refere ao efeito estufa.


Para que o biogás possa ser utilizado como combustível, seja em motores, turbinas a gás ou microturbinas, é necessário identificar sua vazão, composição química e poder calorífico, parâmetros que determinam o real potencial de geração de energia elétrica, além de permitir dimensionar os processos de pré-tratamento do biogás, como a remoção de H2S (ácido sulfídrico) e da umidade, com o propósito de evitar danos aos equipamentos da instalação e aumentar seu poder calorífico.


O biodigestor utilizado no projeto em questão opera 24 horas por dia e sua produção estimada de biogás corresponde a 5,3 m3 por dia, considerando-se uma vazão média de esgoto de 3 m3 por hora. Este equipamento era empregado somente para pesquisas referentes ao pré e pós-tratamento do efluente (esgoto).


O biogás gerado era emitido para a atmosfera sem ser tratado, atualmente este é armazenado, para posteriormente, ser queimado num motor ciclo Otto, com a finalidade de demonstrar a possibilidade de geração de energia elétrica a partir do mesmo.


O aproveitamento energético do biogás objetiva a melhoria do desempenho global do tratamento do esgoto, reduzindo a emissão de gases efeito estufa, colaborando para aumentar a eficiência energética da estação de tratamento e, conseqüentemente, a viabilidade do saneamento básico no País.


Para maiores detalhes acessem o artigo completo no link abaixo:



fonte: Pesquisa - Profa. Dra. Suani Teixeira Coelho1, Msc. Sílvia Maria Stortini González Velázquez2, Eng.Vanesa Pecora3, Eng. Fernando Castro de Abreu4 - USP

RESÍDUOS SÓLIDOS DA CONSTRUÇÃO CIVIL PODEM SER RECICLADOS NO PRÓPRIO CANTEIRO DE OBRA

Reciclador Móvel de Resíduos da Construção Civil


O primeiro reciclador móvel de resíduos da construção civil do país tem a capacidade de processar 200 toneladas de concreto armado/hora, transformando-as em agregado reciclado, com características que se assemelham as da brita, no próprio canteiro de obra.

Enquanto os municípios se adequam a legislação ambiental, que determina o descarte de resíduos sólidos da construção civil em áreas pré-determinadas para posterior reciclagem, a Craft Engenharia - empresa brasileira especializada em construção pesada, demolições, terraplenagem e pavimentação - adiantou-se às exigências, utilizando um equipamento, único no país, capaz de efetuar a reciclagem no próprio local da obra.

O reciclador móvel é de origem austríaca e trabalha em conjunto com outra máquina, cuja função é preparar os resíduos de demolição que irão alimenta-lo. O resultado da reciclagem é um material que pode, em muitos casos, cumprir as funções da brita, sendo reutilizado na própria obra para aterros, reforço de sub-leito e construção de sub-base de pavimentação. A economia para o construtor vai mais além, uma vez que se elimina o custo de transporte do entulho para as áreas de descarte. Outra vantagem do equipamento é a sua agilidade que não exige nenhum tipo de montagem especial, podendo ser movido, colocado ou retirado do canteiro de obra em qualquer momento, oferecendo, portanto o benefício de ser utilizado em obras das mais diversas dimensões.Completando um ano de operação, o reciclador móvel de resíduos da construção já comprovou sua eficiência em dez obras de grande porte, cujo volume total chega a 40 mil toneladas de material reciclado, das quais 85% foram utilizadas nas próprias obras.

fonte: Ecopress

Vidros de Alto desempenho para Green Building

Fachada de Vidro de Alto Desempenho: menor radiação de calor e 100% reciclável


O preenchimento de gás entre-vidros tem tem pouco efeito na transmissão de calor solar que geralmente não aparece nos resultados de desempenho devido ao limite no número de casas decimais cotadas. Para fins práticos ele pode geralmente ser ignorado.

Diferentes revestimentos no vidro e graus de corpo de colorização mudam a transmissão de luz. Vidro mais fino tem melhor transmissão de luz do que substâncias mais grossas do mesmo tipo. Vidro de alta transmissão de luz com um conteúdo de ferro mais baixo melhora os níveis de luz.

Os revestimentos de controle solar de alto desempenho podem ser seletivos nos comprimentos de onda de irradiação solar (luz e calor) que elas realmente transmitem e refletem. Os revestimentos tendem a ser refletivos mas não necessariamente na parte visível de um espectro.



A colorização do vidro é apenas um método para obter controle solar. As corestendem a reduzir a transmissão de luz com o controle solar.
O condicionamento do ar tem que controlar a carga solar no edifício assim como todo o calor gerado internamente. Pela redução do ganho solar com o vidro de controle solar o projeto de condicionamento de ar pode ser menor e mais barato para operar. Os ganhos ultrapassam bem mais o custo adicional do vidro de controle solar.

O vidro que é refletivo solar não tem que ser visualmente refletivo. Há uma variedade de cores e graus de refletividade. Vidro de controle solar pode até mesmo ser semelhante a um vidro sem revestimento com uma aparência neutra.

Podemos ainda ter um vidro auto-limpante e de controle solar, simultaneamente.





fonte: Pilkington


http://www.pilkington.com/

Vidros - Conceitos Básicos para Entender o Desempenho Térmico


É preciso compreender alguns conceitos básicos antes de especificar o vidro de um Green Building


Transmissão direta de calor solar irradiado é a proporção de radiação solar que passa direto pelo vidro.


Reflexão de calor solar irradiado é a proporção de irradiação solar que é refletida da superfície do vidro.


Absorção de calor solar irradiado é a radiação solar que é absorvida pelo vidro fazendo com que ele aqueça. Este calor é então irradiado novamente para fora e para dentro do edifício.


Transmissão de calor solar irradiado total é a quantidade total de calor solar irradiado que entra no edifício pela transmissão direta e a irradiação novamente do calor absorvido pelo vidro.


Coeficiente de sombreamento total é a quantidade total de calor que entra em um edifício a partir de fonte solar comparada com a de uma peça de vidro padrão com pouco menos que 4 mm de espessura. Você pode também pegar a transmissão de calor solar total e dividi-la por 0,87 para obter o resultado e adicionar os coeficientes de sombreamento de onda curta e comprida juntos.

11 de abr de 2008

Aquecimento de Mercado e o Alerta da qualidade !!!


Especialistas alertam: empresas estariam perdendo o controle da qualidade diante do forte aumento no número de obras. Falta de mão-de-obra especializada é um dos gargalos.

Que o mercado imobiliário vive hoje um ritmo de expansão sem precedentes, todos sabem. No entanto, além de construir mais, o setor está construindo melhor? Ainda não há dados que mensurem esse impacto (positivo ou negativo) na qualidade das construções, até porque o movimento é tão recente que as obras resultantes da expansão dos recursos das companhias não foram concluídas e, portanto, não podem ser aferidas. Mas uma coisa é certa: esse crescimento abrupto de um mercado que ficou estagnado por duas décadas, com escassa mão-de-obra qualificada, modos de produção artesanais, fornecimento volátil de máquinas, de equipamentos e até de matéria-prima, impõe desafios ainda maiores e põe em xeque o preparo do setor para atender, com qualidade, ao volume de obras, metas e projeções prometido.

O testemunho, nesta reportagem, de inspetores prediais, consultores, construtores e incorporadores, que hoje adentram os canteiros de obras e vivem na pele os sinais dos novos tempos, soa como um alerta sobre o modo de produção e a relação de trabalho diante do ritmo acentuado de produção setorial.É com base nessa percepção empírica de mercado que Salvador Benevides, arquiteto e diretor técnico da Projeto Engenharia, além de membro fundador do comitê de tecnologia e qualidade do SindusCon-SP (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo), sinaliza um cenário de aumento de patologias caso nada seja feito. "Estão acontecendo erros crassos por parte de grandes empresas, e são coisas agressivas, como tubulação de água quente invertida com água fria (e vice-versa), péssima aplicação de concreto auto-adensável, má concepção estrutural (que pode levar à trinca de paredes), paredes fora de prumo, portas que não fecham etc.", alerta.Na avaliação de Benevides, as empresas estariam perdendo o controle da qualidade diante do forte aumento do número de obras. Para ele, as falhas já começam na relação entre construtoras (que operam com a realidade just in time) e incorporadoras (que trabalham com perspectivas e projeções futuras, e estão agora mais focadas em resultados financeiros, na entrega rápida das obras - como forma de baratear os investimentos e mostrar trabalho aos acionistas -, e no abatimento de custo).


"Muitos lançamentos estão sendo tocados por recém-contratados e jovens profissionais, especialistas em planilha de plantão que, sem coordenação, jogam as metas no papel (e o papel aceita tudo) e repassam o trabalho para as construtoras. Daí, as construtoras, mesmo sabendo que as previsões, a formatação do produto e os custos não são compatíveis com a realidade, aceitam o projeto para não perder o cliente ou comprometer sua imagem... Mas como falta gente especializada e os custos e prazos não batem, vira uma bola de neve. Isso vai estourar", prevê Benevides.


Maria Angélica Covelo, consultora técnica na área de gestão da qualidade e diretora do NGI (Núcleo de Gestão e Inovação), também tem testemunhado um cenário semelhante. Na visão dela, o motivo é uma transformação do perfil dos agentes desenvolvedores de empreendimentos. "Uma boa parte desses agentes são oriundos do mercado financeiro e, na medida em que não têm informação sobre a engenharia envolvida num projeto (concepção, implantação, características do produto, tecnologias e riscos de engenharia), estabelecem parâmetros de avaliação enganosos, como o mito do VGV (Valor Geral de Vendas), e não levam em conta todos esses aspectos", diz.

Entrada de mão-de-obra inexperiente ou desqualificada no mercado afeta a produtividade e pode comprometer qualidade das obras

Para a engenheira, essa priorização de novos critérios faz com que algumas etapas necessárias à minimização de riscos sejam atropeladas, como:

· Avaliação adequada e técnica dos terrenos, da implantação, da infra-estrutura e do impacto do empreendimento. "No momento em que só o que importa é o VGV, todo mundo corre para pegar terrenos sem uma avaliação de engenharia", diz a consultora;

· Rigor no processo de concepção de projeto. "Alguns empreendedores encaram o projeto como uma commoditie, e dizem 'não precisa se preocupar com projeto, vou na esquina e compro um, o que importa é definir o negócio'";

· Coordenação integrada da obra. "Testemunhei um empreendedor, com muito dinheiro, mas com visão predatória, que desenvolve um projeto sem gente de engenharia e acha que vai contratar as especialidades isoladamente, numa concorrência, e sem coordenação, e ainda num prazo incompatível com a realidade", conta Maria Angélica.

Por conta de fatores como esse, a engenheira acredita que deverá aumentar o número de patologias em obras, principalmente relativas a estruturas, alvenaria e revestimento.

"O aumento da velocidade e do volume não interferem na qualidade quando há conhecimento técnico para isso", diz.Mauricio Bianchi, da BKO Engenharia, também acredita num acréscimo do número de falhas. "Não adianta tapar o sol com a peneira, haverá um aumento de incidência de patologias e a qualidade vai cair porque a mão-de-obra ainda não está capacitada, os prazos reduziram e o artesanato continua presente na construção civil." Para ele, as incorporadoras têm que ser muito rigorosas para contratar.

Novos procedimentos

Para Giorgio Vanossi, diretor de obras da Setin Empreendimentos Imobiliários - hoje controlada pela incorporadora Klabin -, a questão toda está focada na mudança de paradigma que o setor protagoniza atualmente, em que somas vultosas de capital a um volume inédito instauram uma nova dinâmica nos canteiros de obras. Na visão do diretor, como as mudanças estão acontecendo muito rapidamente, o mercado ainda está se ajustando a uma nova realidade de custos.

Na opinião do engenheiro, "é preciso corrigir o caminho". Como? Entendendo que a realidade é outra: "antigamente falávamos em milhão e hoje falamos em bilhão. Não foi a dezena que mudou, mas o milhar! O problema é que o mercado já está no milhar e a construção continua pensando na dezena, ou seja, ainda trabalha com custos baseados num histórico passado, que já não conferem mais, e num modelo artesanal, sendo que é preciso investir na industrialização, já que a construção produz hoje em nível industrial" afirma.

Na análise de Giorgio, a qualidade não será sentida pelo cliente final, dada a preocupação e reputação das grandes empresas de capital aberto. Mas, nesse período de ajuste, que deve, na visão dele, percorrer o ano de 2008, o preço será arcado pelas próprias incorporadoras. "O consumidor vai receber um produto de qualidade, mas as empresas vão ter que pagar mais para corrigir o rumo", diz.

Isso porque, para ele, os problemas que estão acontecendo são diminuição da produtividade (dada a entrada de mão-de-obra nova), aumento do tempo de contratação (motivado pela dificuldade de encontrar profissionais com o mesmo valor de tempos atrás, bem como pela rotatividade tanto de operários como de engenheiros e arquitetos) e, conseqüentemente, prazos maiores. "São fatores que afetam o custo e isso sim vai gerar, num primeiro momento, falta de qualidade e de desempenho do produto", diz.

Para Giorgio, ninguém vai deixar de entregar, "mas o construtor não vai bancar essa diferença e a mão-de-obra não vai suprir a demanda no valor que muitos ainda insistem em oferecer", diz.

Salvador Benevide, da Projeto Engenharia, concorda: "o valor de venda dos imóveis não sofreu reajuste, ao contrário, está sendo mexido para baixo, e o valor de construção, mesmo com todas as flutuações de mão-de-obra e de fornecedores, também foi colocado num patamar inalcançável. Não tem para onde fugir", afirma.

Luiz Alberto Verinaud, diretor de engenharia da Agra Incorporadora, não tem percebido nenhuma demanda ou necessidade de aumento das cifras orçamentárias. Segundo ele, a incorporadora está conseguindo contratar nas mesmas margens dos últimos anos e confirma que usa "parâmetros do passado para estudar os preços do futuro", diz. "Temos nos cercado de construtoras competentes, que previram esse aquecimento e se preparam para isso. Imagino que essa dificuldade de manter os custos possa acontecer com os desavisados", rebate.

A Agra Incorporadora, que passou de um VGV de 463 milhões em 2006 para um de 1,4 bilhão no ano da abertura de capital, não trabalha com concorrência. Ao contrário, executa o pré-projeto e, a partir das exigências específicas do empreendimento, escolhe um construtor que julga competente e adequado para a empreitada, negociando a parceria de acordo com análises feitas por uma equipe de engenheiros e arquitetos da própria Agra. "Nós propomos que o construtor chegue àquele determinado custo e com aquela determinada qualidade, e ele fica com um tempo relativamente curto para dizer se se encaixa nessa proposta. Daí, se a resposta for sim, começamos a trabalhar juntos", explica o diretor.

Quanto ao prazo, também não houve alteração: "as construtoras se adequam ao prazo que estipulamos", diz. "Temos gente especializada, não vamos propor nunca alguma coisa que não seja factível dentro dos parâmetros do mercado e primamos pela qualidade", afirma Verinaud.

Para ele, a aceleração do setor está tendo o efeito contrário nos prazos. "Em função dessa alta de oferta, o mercado pode se capacitar melhor, com inovação em tecnologia e melhores salários. O mercado se auto-regula", diz.

Parceria é caminho

Apesar da inevitável e já conhecida briga de cão e gato entre construtoras e incorporadoras, a saída que alguns executivos da construção têm encontrado para corresponder às expectativas do cliente (incorporadora), sem se comprometer com margens impraticáveis, é fechar parcerias.

Este parece ser o caso de Paulo Sanches, diretor de engenharia da Sinco Engenharia, construtora de obras de diversas S/As, que presta serviços, inclusive, para a Agra Incorporadora.

O engenheiro diz ter conseguido um modelo de operação conjunta com as empresas de incorporação no qual, apesar de os custos e prazos a ele propostos realmente estarem abaixo do factível, é possível negociar. "Os incorporadores estão muito sensíveis a essa realidade de mercado, porque foram eles, inclusive, que provocaram tudo isso."

A estratégia, nesse caso, é oferecer não apenas a obra, mas o que chama de "engenharia de valor". Como o preço que o incorporador achava que construía, não constrói mais, o preço que a construtora gostaria de cobrar, não cabe no bolso do incorporador, então, "o jeito é se unir para que a construtora use sua engenharia e traga soluções, desde o início da concepção do projeto e até no memorial, e consiga atingir as expectativas de custo do empreendedor, sem diminuir qualidade ou comprometer prazos". Segundo ele, esse diálogo vem sendo aos poucos flexibilizado. "A partir do meio do ano de 2007, até por conta das estimativas não estarem atendendo às perspectivas dos incorporadores, é que se abriu a possibilidade dessa parceria.

"Na opinião dele, "essa história de projeto fechado, em que a incorporadora vem e fala 'o projeto tem que custar tanto', já não funciona mais", diz. Calcado nessa experiência, o engenheiro afirma categoricamente que o aumento do volume de obras não está prejudicando a qualidade.

"Estamos vivendo uma série de dificuldades e problemas que não tínhamos, mas isso em nenhum momento está impactando a qualidade", diz.

Concorrência é predatória

Mas segundo a consultora Maria Angélica Covelo, a experiência relatada pela Sinco é uma exceção. "É lógico que há casos de parcerias, mas em todas as concorrências, a construtora não participa da fase de concepção e quando essa fase não é gerida por alguém de engenharia, aí o risco é muito grande." Como conseqüência, o que ocorre, na visão da consultora, é uma transferência predatória do risco para as construtoras.

Para Maurício Bianchi, diretor da BKO Engenharia, "as incorporadoras que não estão conscientes da necessidade de fazer um trabalho cooperado e estão contratando exclusivamente serviços de execução, terão problemas", diz. Na opinião dele, para os contratos serem mantidos e as empresas continuarem com os índices nos patamares prometidos, será preciso uma visão mais conjunta e estratégica.E não será preciso esperar tanto.

Segundo Yorki Estefan, esse método de trabalho - de terceirização completa e sem riscos que liquida as margens de lucro das construtoras - é antigo e já está mostrando seus efeitos com a seleção natural das empresas. "As incorporadoras que fizeram parcerias estão conseguindo garantir qualidade, as outras, vão pagar mais caro", diz.

Na Tecnum, as contra-indicações da capitalização do mercado imobiliário estão sendo contidas com aumento de 50% da equipe de gestão e de supervisão, evitando estragos comprometedores dos mais novos e menos experientes. "Essa qualidade está sendo arriscada sim, e, por conta disso, é fundamental aumentar a área de supervisão para treinar e capacitar um contingente de profissionais que estavam afastados do setor.

"Os efeitos dessa onda serão conferidos em curto prazo. A pressão deve aumentar ainda mais em 2009, quando os empreendimentos, lançados no final do ano passado, serão construídos. Mas diante dos depoimentos dos profissionais consultados, o estado é de atenção.

fonte: Revista Construção & Mercado
contribuição: Eng Renato Camacho / Eng Fábio Alves

Sustentabilidade: opção de mercado ou imposição legal?



Para CBCS (Conselho Brasileiro de Construção Sustentável) sobre o assunto, articulação setorial, programas da qualidade e políticas públicas são mais eficientes que a imposição legal da sustentabilidade.

A adoção de tecnologias, materiais e práticas da sustentabilidade na construção civil devem resultar de um processo de convencimento de todos os intervenientes - do fabricante à construtora, do governo às organizações não-governamentais. A articulação setorial e os programas da qualidade, aliados a uma política pública clara, são mais eficientes do que a imposição de qualquer arcabouço legal.

Antes da criação de uma lei, é fundamental consolidar os conhecimentos básicos, divulgar e gerar uma cultura sobre o tema - e contar com o apoio da mídia para difundir a idéia. A lei só chegará ao final do processo, se necessário, para destravar algum impedimento não resolvido na etapa anterior.

O processo de desenvolvimento e implantação no mercado brasileiro da bacia sanitária de 6 l é referência. A trajetória adotada pelo PBQP-H (Programa Brasileiro da Qualidade e Produtividade no Habitat) foi a ideal, e deu certo: contou com uma política nacional para o uso racional da água aliada a instrumentos setoriais. Foram criados mecanismos e compromissos para que, em quatro anos, o produto estivesse disponível no mercado. Hoje, todas são de 6 l.

Houve, portanto, um processo político de articulação de agentes setoriais, embasamento técnico por parte das empresas e da academia. E, ainda, foram criadas normas técnicas. Enquanto isso, os fabricantes norte-americanos, obrigados por lei de 1992, levaram muito tempo para fazer a adaptação tecnológica. Até 2000 havia contrabando das bacias do Canadá que o mercado denominava "old fashion".

Em mercados com boa parte das empresas na informalidade - como ocorre no Brasil -, a aplicação de norma ou legislação restritiva agrava a assimetria. Enquanto as empresas formais investem para se adequarem à nova regra, aumentando seus custos, as informais não são afetadas e ampliam sua vantagem competitiva. Do ponto de vista prático, o CDC (Código de Defesa do Consumidor), em sua modernidade e amplitude, dispensa a criação de novas leis específicas. O CDC dá conta de obrigar os fabricantes a produzir em conformidade com as normas técnicas da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas), promove a melhoria das normas e da documentação.

Paralelamente, a introdução no mercado brasileiro do instrumento das certificações, que abrangem desde os edifícios até produtos isolados, tem penetração muito limitada, pois atingem uma parcela pequena do mercado. A experiência mostra que as certificações acabam criando dois mercados: o dos produtos ecoeficientes, vendidos a um preço "premium", e dos produtos convencionais, adquiridos por consumidores desinformados e com recursos limitados - é preciso lembrar que a autoconstrução e a construção autogerida respondem por 70% do mercado.

Políticas públicas

Há necessidades do setor que só podem ser tratadas por lei. Nesse caso, o Estado deve estabelecer mecanismos sólidos para que a lei se cumpra, caso contrário, virá o efeito perverso da informalidade. Ao mesmo tempo, as políticas públicas devem ser flexíveis às diversas realidades socioambientais do País.

Os desdobramentos da Resolução 307 do Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente), de julho de 2002, são ilustrativos. Criada com boa intenção e de forma participativa, estabelece a obrigatoriedade de gestão diferenciada dos resíduos da construção, atribuindo obrigações ao munícipe, ao construtor e à prefeitura. Porém, não é obedecida em 99% das prefeituras brasileiras. Nem mesmo a prefeitura da cidade de São Paulo, depois de seis anos, implementou a infra-estrutura exigida.Um dos equívocos do Conama foi não ter desenvolvido mecanismos para identificar os municípios onde o problema é mais grave e, então, feito as necessárias intervenções. Falhou, ainda, ao desconsiderar as diferenças regionais, estabelecendo a obrigatoriedade, tanto para a construção civil de São Paulo, que tem dez milhões de habitantes, e de Cerro Largo, no Rio Grande do Sul, com sei mil. Cerro Largo não tem problema de resíduo da construção porque, lá, quase não se constrói, mas há espaço de sobra para o resíduo inerte. É uma cidade que não tem aterro sanitário nem hospitalar, apesar de ter três hospitais. Mas ela está obrigada a criar essa infra-estrutura.

Por outro lado, o órgão não viu que existem setores que fazem a gestão dos resíduos, cujos interesses econômicos seriam feridos. Foi feita a legislação e o Ministério das Cidades tentou fazer alguma coisa, mas como o País tem 5.500 municípios para tratar, nada aconteceu. Assim, se amplia a informalidade na sociedade.Um dos extremos a que os legisladores têm chegado é promover leis para fazer cumprir leis. É o caso da lei que proíbe o uso de madeira ilegal nas construções do município de São Paulo - parece exagero lingüístico, mas é isso mesmo. Teria sido mais efetivo que a Prefeitura de São Paulo determinasse que, a partir de hoje, está treinando seus funcionários para impedir a entrada de madeira ilegal nas obras públicas na cidade. Tão inútil quanto esta, é a lei que proíbe o uso de produtos com amianto. Ela não trata de proibir a fabricação ou a comercialização, mas o uso. Significa que os cidadãos que têm uma caixa d'água ou milhares de tubos de água de cimento-amianto enterrado, ou um telhado, ou drywall que usa 0,01% de amianto estão em desacordo com a lei. Teriam então que retirar todos esses produtos, gerando, em seis meses, uma montanha de resíduos contendo amianto. Na Cidade Universitária, em São Paulo, teríamos que trocar todos os telhados, menos os da engenharia civil e da elétrica.

No Brasil, temos lei, política setorial por meio do PBQP-H e o mercado. Uma não exclui a outra. Algumas questões terão que chegar numa lei, outras serão resolvidas em política setorial e, outras, o mercado resolve. Um problema que pode ser resolvido pelo mercado é a redução do teor de clínquer no cimento. O cimento brasileiro é um dos mais ecoeficientes do mundo, condição alcançada pelo mercado. Nos Estados Unidos, onde os engenheiros são muito fortes e não deixaram as cimenteiras alterarem a norma, está uma das indústrias de cimento menos ecoeficientes do mundo desenvolvido. Outro exemplo: no Brasil, os fabricantes produzem todas as tintas à base de água. Mas, se tivermos que controlar alguns pigmentos de metais pesados nas tintas, talvez o mercado não resolva e a solução esteja numa política setorial ou, até mesmo, numa regulamentação da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

É interessante, também, que se estabeleçam diretrizes para o mercado tendo em vista o futuro, e não como obrigação. Assim é possível estimular o mercado a fazer algo além do que é obrigatório. Por exemplo, no Japão, nos anos 90, era proibida a exportação de produtos que não tivessem o mínimo de seis meses de testes de uso pelo mercado interno. Se houvesse muita reclamação, o governo proibia a exportação porque comprometia a marca "made in Japan". Foi símbolo para a melhoria da qualidade dos produtos japoneses.

Processos arbitrários

Hoje, no Brasil, a geração e disseminação da cultura da sustentabilidade pela indústria da construção devem ser espontâneas até certo ponto, porque passa pela conscientização dos agentes de que a mudança é importante. Há práticas passíveis de alteração na indústria de materiais. Outras, podem mudar sem impacto significativo em custo, via Código de Obras, que hoje impede algumas ações que poderiam ser negociadas. A construção civil não é contra a alteração da legislação, mas contra processos arbitrários.

Lei é necessária, mas não é a solução. E o processo só vai funcionar se for bem conduzido. No caso da energia solar para residência, uma lei sozinha não resolve, até porque 70% das casas talvez sejam ilegais - ou seja, nunca receberão um fiscal da prefeitura para verificar e, se receberem, este poderá ser "convencido" a não multar. Hoje, já se encontra à venda nas lojas de material de construção o "kit lei de energia solar", um produto de péssima qualidade. Só deverá ser criada uma lei para residências quando os equipamentos apresentarem melhor tecnologia e desempenho, mais qualidade, e quando se fizer uma campanha de educação. Para construir esse processo nos mais variados segmentos da construção civil, o Conselho Brasileiro de Construção Sustentável propõe uma metodologia, veja abaixo:

METODOLOGIA - PROCESSOS PROPOSTOS

· Combate à informalidade no mercado. Políticas públicas ou setoriais só serão efetivas quando a informalidade estiver sob controle;

· Desenvolvimento da agenda socioambiental do subsetor ou setor, identificando pontos a serem atacados no curto, médio e longo prazo. Com uma agenda serão estabelecidas as prioridades, evitando a criação de obrigatoriedades, dificultando o ajuste;

· Seleção de meta prioritária e identificação das possibilidades de sucesso. Cotejar as implicações econômicas de cada medida para os diferentes agentes, inclusive usuários. E compará-las com os benefícios socioambientais a menor custo;

· Desenvolvimento tecnológico sistêmico da solução e sua integração com os demais subsistemas da construção, uso, operação e manutenção. Adequação às diferentes realidades socioambientais e econômicas do País;

· Consolidado o desenvolvimento, negociação setorial envolvendo todos os intervenientes de um cronograma de implantação, atribuindo metas e prazos para todos os participantes;

· Acompanhamento sistemático do mercado para combater a não-conformidade;

· Educação ambiental dos usuários da tecnologia.

fonte: Revista Construção&Mercado
contribuição: Eng Renato Camacho

10 de abr de 2008

Aplicações do OSB na construção civil

formas em OSB

Resistente e versátil, o OSB pode ser usado em várias etapas de qualquer construção, seja uma obra convencional ou realizada pelo sistema de construção seca: tapumes, alojamentos provisórios, fôrmas, passarelas, bandejas de proteção, lajes, coberturas e estruturas

O OSB é um produto de grande versatilidade e pode ser utilizado de diversas maneiras na construção civil. Conheça algumas aplicações:


Aplicações na construção civil convencional


Entende-se por construção convencional o sistema tradicional utilizado no Brasil, com alvenaria ou estruturas de concreto moldado no local. Nesse sistema, o OSB pode ser utilizado no período da obra nos tapumes, instalações provisórias, bandejas de proteção, passarelas, formas de concreto, etc.


Na construção definitiva o OSB pode ser utilizado em mezaninos e na cobertura.

Aplicações na construção seca O termo construção seca se caracteriza pela não utilização de água na execução da obra. Um exemplo desse tipo de construção seria o sistema framing, que pode ser executado tanto com estrutura em madeira (Wood Frame) como em aço (Steel Frame). Nesses sistemas o OSB pode ser utilizado nas paredes, lajes e cobertura. Fechamento de obras (tapumes) Como o OSB é produzido com colas a prova de água, garante uma ótima aparência e alta resistência à delaminação e ao empenamento, sendo assim excelente para fechamento de obras.
Instalações provisórias (canteiros de obras) Como o OSB tem mesma resistência mecânica do compensado, pode ser utilizado da mesma maneira, com os métodos habituais de construção.


Fôrmas de concreto Para fôrmas de concreto de vigas, lajes, pilares e fundações onde não serão necessárias muitas utilizações poderá ser utilizada a tábua em OSB, com garantia de 2 a 3 usos.


Passarelas e bandejas de proteção Para esta aplicação podem ser utilizadas a chapa de OSB ou a tábua em OSB.


Mezaninos, palcos, passarelas e afins O OSB pode ser muito bem utilizado nestes tipos de estruturas com o máximo de qualidade. Veja a tabela de cargas verticais admissíveis do OSB.


Coberturas e telhados Sobre uma estrutura de madeira ou aço, as placas de OSB são uma excelente opção para compor o substrato de telhados e coberturas.

fonte: Portal OSB

OSB - Opção para casas populares?



OSB do piso ao teto


Concebida como um laboratório de técnicas, a Casa Salvatore, em Cotia - SP, usou o OSB na estrutura, paredes e piso. Tudo foi feito a partir de peças pré-fabricadas, cuidadosamente desenhadas
Ex-colaborador do engenheiro Hélio Olga, especialista em construções que utilizam a madeira, o também engenheiro Daniel Salvatore aproveitou essa experiência na construção de sua própria casa, em Cotia - SP. E fez quase tudo - estrutura, piso, paredes e forro- de madeira ou derivados, concentrando boa parte do processo numa equipe única.
O plano era desenvolver um protótipo para futuros negócios. Da conversa com o antigo patrão surgiu um acordo: Hélio ofereceria o material e a montagem a preço de custo e ajudaria no desenvolvimento; os resultados seriam usados por sua empresa. Outros participantes entraram na empreitada: os arquitetos Henrique Fina e Marcus Vinícius Barreto Lima (que também trabalhavam na Ita Construtora).
A Masisa forneceu os painéis de OSB, vendidos com um preço especial.O projeto foi iniciado em 2003 e consumiu dois anos de trabalho, seguindo as máximas da modularidade e da otimização de material. Valeu: o tempo gasto no projeto foi ganho na etapa de obras, que levou apenas dois meses e meio. O OSB foi usado nas vedações e contraventamento da estrutura, na laje e forro da casa, em função de sua elevada resistência mecânica e rigidez, explica Hélio Olga, que passou a utilizar o material com mais frequência após a construção da Casa Salvatore.
AS ETAPAS DA MONTAGEM
Fundação e estrutura
Depois das sapatas, é feita a montagem da estrutura pré-fabricada de madeira jatobá. As vigas foram executadas com alma de OSB.
Cobertura
A montagem prévia da cobertura evita interrupções da obra em dias chuvosos. Entre o forro de OSB e as telhas metálicas foram instaladas mantas de lã mineral.
Pisos e paredes
As lajes dos pisos, a vedação e o contraventamento da estrutura foram feitos com painéis de OSB. A lã mineral foi aplicada entre a laje e o assoalho.
Revestimentos
Internamente, as paredes ganharam acabamento de gesso acartonado. Externamente, as superfícies foram revestidas com ripas de madeira. A membrana permeável Tyvek protege o forro e as paredes de OSB.
fonte: Portal OSB