30 de jun de 2008

A Tecnologia em Fachadas do Prof Ragueb


Edifícios Margaux e Lafite - Praça Pereira Coutinho - Vila Nova Conceição - São Paulo


O ano era 2000, tinha apenas 4 anos de formado mas, já atuava no mercado de construção desde o segundo ano de faculdade (prática comum entre os mackenzistas). Estava à frente de meu primeiro grande projeto, dois edifícios neoclássicos de altíssimo padrão com uma fachada rebuscada do arquiteto Pablo Slemenson, maior especialista neste estilo no Brasil.


A fachada requeria um cuidado especial, por isso um dos diretores da construtora, também mackenzista, chamou Eng Ragueb Banduk Cholfi para elaborar o projeto da fachada e desenvolver um revestimento que fosse 90% impermeável e efetuar os detalhes das " cornijas" (molduras decorativas). Nesta obra tive o prazer de conviver com o Mestre Ragueb por 2 anos e transformamos o canteiro num verdadeiro laboratório. Fizemos os blocos de fundação (de 350 m3 e 500 m3) com adição de gelo ao concreto com monitoramento de temperatura. Ainda na época de fundação testamos todos os tipos de argamassa de revestimento externo e interno do mercado, argamassas colantes, ensaiamos todas elas antes da definição técnica da compra. Foi feito ainda um trabalho conjunto com a indústria de Revestimentos Durex ( com Sr.Moacir Longo, prático bastante conhecido no meio da construção - também falecido). Neste trabalho desenvolveu-se um revestimento 90% impermeável que permite fácil limpeza e manutenção bem como alta durabilidade. Estudamos ainda todos os detalhes de fabricação e instalação de pré-moldados em GFRC (Glass Fiber Reforced Concrete), etc etc. Enfim foi uma grande aula de materiais de construção e o resultado foi reconhecido por todo mercado da cidade de São Paulo.



AGRADECIMENTO A UM GRANDE MESTRE !



Faleceu Hoje Eng Ragueb Chauki Banduk

Engenheiro Civil Mackenzie - 1972, Professor especialista adjunto III das disciplinas de “Materiais de Construção Civil” e “Patologia e Terapia das Construções” – Curso de Graduação; e “Manutenção e Recuperação de Estruturas de Concreto” – Curso de Especialização – “Longevidade das Edificações” – Mackenzie. Consultor nas áreas de Projeto Executivo de Revestimentos, Terapia e Patologia de Revestimentos de Fachadas.

Grande mestre deixando saudade a milhares de mackenzistas.

Quem não se lembra das aulas de materiais de construção e das " cinzas volantes"... Quem não se lembra de ter sido contagiado pela paixão por obra que o Ragueb transpirava...
Quem pode esquecer das aulas que o Ragueb continuava dando aos seus ex-alunos nos canteiros de obra...ele dizia que os ex-alunos têm garantia de 1 ano após formados. Dizia, pode ligar que a consultoria é grátis..e ele dava muito mais que isso...

Ele dedicou a vida à Engenharia e aos seus alunos..e deixa um grande legado, que é representado pela enorme quantidade de bons engenheiros de construção formados pela universidade mackenzie... Repiramos cimento, graças a ele...
Isto é Mackenzie..!!!







27 de jun de 2008

UFSC - Pesquisa para redução de resíduos de concretagem

Lavagem de Betoneira após concretagem - um procedimento prejudicial ao meio ambiente


Os resíduos sólidos e líquidos gerados por centrais dosadoras de concreto são classificados como perigosos pelas agências ambientais e, portanto, devem receber tratamento adequado. De acordo com a Abesc (Associação Brasileira das Empresas de Serviços de Concretagem), anualmente cerca de 45 mil t de concreto são dispensadas como rejeito, o que acarreta prejuízos ambientais e custos adicionais de produção. Tais resíduos são gerados pela devolução de concreto fresco, não usado nas obras, lavagem dos caminhões-betoneira para evitar o endurecimento dos resíduos no interior do balão e a lavagem do pátio das centrais.


A água de lavagem dos caminhões fica com pH fortemente alcalino, em torno de 12,5, e com elevado teor de sólidos em suspensão. O problema é ampliado pelo volume de água demandado para a lavagem diária de cada caminhão: em média 700 l. Essa água, na grande maioria das centrais, vai para tanques de sedimentação e recebe agentes químicos para corrigir o pH. O tratamento, contudo, "não evita a formação de resíduos sólidos - lama - e o elevado consumo de água na operação", explica o professor Wellington Repette, do Departamento de Engenharia Civil da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina).


Já existe, no entanto, uma alternativa a esse processo agressivo, que provoca alto consumo de água, contaminação do meio ambiente por águas e resíduos alcalinos e desperdício de concreto rejeitado. Uma pesquisa, desenvolvida no âmbito da UFSC e coordenada por Repette, comprovou a viabilidade e a eficiência do emprego de AEH (aditivo estabilizador de hidratação do cimento, ou hydration control admixture, em inglês) ao término da operação de descarga do concreto. Por evitar o endurecimento dos resíduos, o aditivo permite que a água de lavagem permaneça por muitas horas no interior do balão. A vantagem é a possibilidade de incorporar essa água à composição da próxima carga de concreto, eliminando qualquer descarte ou desperdício de água.


Embora o aditivo e o método sejam conhecidos, havia dúvidas, que a pesquisa visou sanar, sobre os efeitos no concreto produzido com a água aditivada, além da viabilidade econômica da operação. O foco da pesquisa, financiada pelo CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) e Funcitec-SC (Fundação de Ciência e Tecnologia de Santa Catarina), foi investigar os efeitos da solução na pega do concreto, na taxa de ganho de resistência e na resistência final do concreto. As avaliações técnica e econômica da solução foram feitas a partir da observação da quantidade de aditivo incorporado e do tempo de estabilização até a mistura do concreto. Para tanto, os pesquisadores caracterizaram as propriedades dos concretos produzidos com a água aditivada nos estados fresco e endurecido.


A pesquisa ainda visava estabelecer um processo racional de dosagem do AEH, analisar as quantidades de materiais remanescentes em caminhões já descarregados, compreender o comportamento e os efeitos do aditivo nas águas de lavagem, verificar a viabilidade técnica e econômica do método em concretos com resistências de 25 MPa a 45 MPa e definir procedimentos práticos para sua implementação em centrais de dosagem. Concluiu-se que o concreto não sofre alterações nos estados fresco ou endurecido. O custo é competitivo, sobretudo por reduzir o consumo de água e os gastos com deposição dos resíduos resultantes do processo convencional.


Para chegar ao resultado esperado, os pesquisadores realizaram os estudos numa central dosadora, onde estabeleceram que seria necessário, no retorno do caminhão, adicionar uma quantidade conhecida de água ao balão - no caso, 200 l para balões de 8 m³-, e o teor determinado de AEH. Em seguida, rotacionar o balão. A maior parte dos resíduos se depositará no fundo, junto com a água e o aditivo. "É importante que a quantidade de água seja medida e padronizada, pois afetará o traço do concreto que complementará a carga na retomada da produção", salienta Repette. O volume de água também afetará o teor de aditivo necessário para estabilizar completamente a mistura pelo período necessário. Este pode ser de aproximadamente 12 horas - quando a produção encerra num dia e é retomada no outro - ou, até mesmo, 64 horas - com parada na sexta-feira à tarde e retomada na segunda-feira pela manhã. Durante esse tempo, a tampa do balão deve permanecer fechada para que não haja evaporação excessiva ou entrada de água de chuva.


Na retomada da produção, desconta-se o volume de água já adicionado para realizar a nova carga de materiais. "O aditivo, desde que adicionado em quantidades adequadas, perde seu efeito estabilizador com a adição do material da carga", explica o pesquisador. A quantidade de AEH é definida de acordo com o tipo de cimento e as condições de produção do concreto. Observados esses detalhes, não há efeitos colaterais indesejáveis, seja no estado fresco ou endurecido.


Dubai terá prédio giratório de 80 andares


Arranha-céu sustentável terá 79 turbinas eólicas para produzir energia entre os andares giratórios.
O primeiro projeto de um edifício alto em movimento no mundo será construído em Dubai (Emirados Árabes), em seguida, outro será erguido em Moscou (Rússia). O anúncio foi realizado pelo arquiteto italiano David Fisher, que deixou clara a intenção de levar o projeto para outros locais.

O empreendimento de Dubai foi batizado de Dynamic Tower. O movimento giratório do edifício será controlado por voz. Ele terá 80 andares e 420 m de altura. Os primeiros 20 andares serão escritórios. Entre o 21° e 35° pavimentos haverá um hotel de luxo. Os demais andares serão destinados à residências com áreas médias de 124 m². Entretanto, os apartamentos dos dez últimos pavimentos, nomeados de Villas, terão 1.200 m² cada, com a vaga do estacionamento dentro da unidade.

Em Dubai, o Dynamic Group, responsável pela obra, prevê a participação de 600 pessoas na fabricação dos pré-moldados e 60 técnicos no canteiro. Se o empreendimento fosse executado de forma tradicional, a empresa afirma que seriam necessários 2 mil trabalhadores. O empreendimento será entregue em 2010 e o investimento é de cerca de US$ 700 milhões.

O segundo Dynamic Tower está planejado para Moscou e já se encontra em fase avançada de projeto. A pré-estruturação das unidades terá início no 4º trimestre de 2008 e a conclusão da obra está programada para 2010. A construtora é a Mirax Group, administrada pelo importante construtor internacional Sergei Polonsky. A torre em Moscou será menor que a de Dubai, terá 70 andares e 400 m de altura. A área de 110 mil m² receberá escritórios, apartamentos e penthouses. Neste edifício serão investidos mais de US$ 400 milhões.


24 de jun de 2008

A Era das Construções Sustentáveis

Foto de uma obra sustentável pioneira - a Vila sustentável em Londres com emissão zero de carbono.

Hoje a população mundial já é tão grande que a necessidade de recursos naturais para sustentá-la é maior do que temos disponível. Até 2025, a população global deve crescer cerca de 50%, passando para nove bilhões de pessoas. O grande desafio da atualidade é como sobreviver a esse crescimento sem destruir ainda mais os recursos disponíveis e diminuir o impacto do quecimento global. Sem dúvida, para tal, é preciso uma mudança no comportamento individual das pessoas, que devem começar a agir, dentro de suas próprias casas, de forma consciente e sustentável.


A indústria da construção civil está diretamente envolvida nesse cenário, sendo assim, não só pode como deve atuar de forma mais responsável. O setor traz impactos negativos ao meio ambiente e toda a cadeia da construção é responsável por 5% das emissões de em todo o mundo. Somente nos Estados Unidos as construções são responsáveis por 12% de todo o consumo de água, 30% das emissões de gases de efeito estufa, 65% dos resíduos e 70% da eletricidade consumida.


Tentar auxiliar no desenvolvimento da indústria da construção sustentável e diminuir esses danos ambientais é uma grande e difícil missão, mas o longo caminho está apenas começando. No Brasil, a ONG Green Building Council (GBC) está atuando fortemente na disseminação do conhecimento sobre práticas de prédios verdes e seus benefícios, além de integrar todos os agentes do mercado, apontando a importância do envolvimento dos órgãos governamentais e instituições financeiras neste processo, e promover o Sistema Leadership in Energy & Environmental Design (LEED), certificado que atesta e pontua as soluções ecologicamente corretas dos edifícios. No País há mais de 50 empreendimentos buscando comprovar sua sustentabilidade.


Os green buildings podem gerar grandes benefícios para toda a sociedade, não só ambientais, mas também econômicos e sociais.Os custos de operação e manutenção de um green building são até 40% menores com redução de gastos com água, energia e resíduos. Além disso, essas edificações têm vida útil mais prolongada se comparadas às obras convencionais, maior velocidade de venda e valor de mercado até 3% superior. Ou seja, o investimento maior feito na etapa de construção do empreendimento tem retorno entre dois a quatro anos após sua conclusão.


Há dados que comprovam que o ambiente interno de uma construção certificada se torna mais saudável, já que tem a qualidade do ar melhor, mais conforto térmico, maior iluminação natural e conexão visual com áreas verdes. Essas iniciativas reduzem a incidência de doenças e estimulam a concentração e a criatividade. A produtividade nos prédios verdes chega a ser até 16% superior e, em escritórios comerciais, verifica-se uma baixa rotatividade e ausência de colaboradores.


O problema é que muitas empresas e os próprios cidadãos ainda desconhecem esses aspectos positivos e os benefícios que os green buildings podem trazer não só para sua cidade, mas para o mundo todo. As recomendações propostas não são soluções impossíveis, nem tão pouco distantes da nossa realidade.


A indústria internacional já se mobilizou muito nesse sentido e aqui no Brasil já estão surgindo pequenas e grandes iniciativas em prol desse movimento verde. São essas ações, de pessoas e empresas preocupadas com o futuro, que contribuirão para a mudança de comportamento do mercado e para a disseminação de uma nova cultura, voltada para a verdadeira sustentabilidade.


fonte: Thassanee Wanick, fundadora e presidente do Conselho Deliberativo do Green Building Council Brasil, Barueri (SP)(Gazeta Mercantil/Caderno A - Pág. 2)(Thassanee Wanick, fundadora e presidente do Conselho Deliberativo do Green Building Council Brasil, Barueri (SP))

23 de jun de 2008

Cidades sustentáveis: as experiências lá fora

BARCELONA : CIDADE SUSTENTÁVEL


Um dos principais desafios enfrentados pelos profissionais da área tecnológica reside na busca de soluções que garantam a sustentabilidade urbana. Para promover o desenvolvimento econômico e social das cidades sem comprometer o futuro e a qualidade de vida das próximas gerações, é necessário aliar a tecnologia à preservação ambiental, histórica e cultural. Experiências de cidades como Barcelona, Paris, Londres e Beirute são exemplos bem-sucedidos do que vem sendo feito fora do Brasil.


Globalmente, a busca da sustentabilidade urbana é um desafio enfrentado pela grande maioria dos países. Mas, internamente, para atingir esse objetivo, cada nação tem metas específicas que estão diretamente relacionadas com seu grau de desenvolvimento. “Os desafios podem ser divididos conforme a realidade ambiental, econômica e social das cidades envolvidas”, explica o arquiteto e urbanista Renato Rocha. “As experiências de sustentabilidade em países como Canadá, Noruega, China, Brasil, Peru, Estados Unidos, Arábia e Líbano revelam que as peculiaridades regionais são determinantes para sua aplicação”, destaca o arquiteto Alberto Alves de Faria, presidente do Crea do Distrito Federal. Nos países desenvolvidos, as principais preocupações giram em torno de problemas como preservação do patrimônio histórico, incremento no turismo, políticas de imigração, investimento em tecnologia de ponta, integração do transporte modal, energias alternativas, além de outros temas voltados para a melhoria da qualidade de vida urbana. Já os países em desenvolvimento reivindicam infra-estrutura básica como água tratada, esgoto sanitário, energia ou até mesmo melhor distribuição de renda e diminuição da violência urbana. “Isso sem contar as necessidades mínimas para a sobrevivência humana, como os direitos à saúde, à educação, à moradia, e a maior necessidade atual, o combate à fome”, explica Rocha.


Mundos diferentes

A diferença de realidades é facilmente observada na prática. Enquanto em cidades canadenses destaca-se a discussão de instrumentos de gestão transparentes, com o objetivo de possibilitar uma influência maior das comunidades na tomada de decisões, em países como o Peru predominam ações para solucionar demandas de habitação com intenso aproveitamento de resíduos de construção e tecnologias alternativas de baixo custo energético. “O que é sustentável para países da América Latina talvez não seja a preocupação para os europeus, que estão buscando atender melhor a seus cidadãos, com ruas mais limpas e transporte mais eficiente”, afirma Newton Marçal Santos, coordenador nacional das Especializadas de Arquitetura.Embora os exemplos de sustentabilidade urbana no contexto nacional sejam muitos, Marçal explica que ainda não se pode falar em cidades sustentáveis, mas em comunidades ou serviços sustentáveis. “Algumas cidades do Canadá, por exemplo, com renda alta, edificações de boa qualidade e transporte eficiente apresentam problemas como contaminação das águas”, destaca.


Destaque sustentável

Um bom exemplo de experiência internacional de sustentabilidade urbana é a cidade de Barcelona. Edifícios com aproveitamento de energia solar e integração de sistemas de infra-estrutura e de patrimônio histórico são algumas das ações de destaque implementadas na cidade. “Barcelona é o símbolo da cidade-estado, com autonomia financeira e econômica, turismo baseado na arquitetura e no urbanismo histórico, além de contar com infra-estrutura para eventos internacionais durante quase o ano inteiro e investir na arte e na cultura como setores promotores de desenvolvimento local”, destaca Rocha. A cidade, considerada símbolo da arquitetura contemporânea, investiu na requalificação de seu sítio histórico, além de desenvolver educação patrimonial e ambiental intensa, com palestras para a população e cursos para crianças. “A sustentabilidade de Barcelona foi conquistada através de planos de reestruturação urbana que foram seguidos à risca pela gestão política e pela participação da iniciativa privada”, afirma Rocha.Para sediar a Olimpíada de 1992, a cidade investiu em uma ampla reestruturação de seus espaços públicos e do sistema viário. Foram construídas edificações específicas para o evento, e outras surgiram impulsionadas pela explosão dos investimentos de promoção da cidade. Assim como foi feito em Tóquio, Sidney, Berlim, e Madri, a cidade investiu no transporte coletivo integrado modal, melhorando o trânsito e diminuindo a poluição sonora e de gases.


Qualidade de vida

Vancouver, no Canadá, é outra cidade que se destaca pelo alto nível de qualidade de vida, graças à preocupação com aspectos como infra-estrutura, condições habitacionais e sistema de transporte. A forte atuação das administrações públicas e o envolvimento da sociedade civil na implantação da Agenda 21 tornam cidades de países como Bélgica, França, Holanda, Suécia e Marrocos outros bons exemplos de sustentabilidade urbana. “Na maioria dos países europeus existe uma ação chamada ‘Poluidor Pagador’, na qual quem produz o lixo é responsável pelo seu destino final”, acrescenta Newton Marçal Santos.Paris e Londres, que investiram na despoluição e recuperação ambiental de seus principais rios – o Sena e o Tâmisa – e os transformaram em pontos importantes de turismo e de valorização imobiliária, também se destacam no quesito sustentabilidade. Bayamo, em Cuba, desenvolveu diversas ações de mudança no cenário local, como a limpeza do rio Bayamo, que envolveu o setor acadêmico, a população, empresas, instituições não-governamentais e a administração local. No que se relaciona à preocupação com os aspectos culturais, Alberto Alves de Faria destaca Beirute, no Líbano. “A cidade apresentou um trabalho de reconstrução urbana depois de uma guerra de mais de dez anos, com cuidado e harmonização da história e da cultura dos seus habitantes.”


Desafio profissional

No desenvolvimento de cidades onde os serviços básicos de habitação, infra-estrutura e meio ambiente convivam harmoniosamente e estejam à disposição de todos, a contribuição da área tecnológica é fundamental. “A sustentabilidade está na ordem do dia mundial. Isso porque os nichos de qualidade de vida não se sustentam se não houver um compromisso de todos no sentido de transformar as cidades em espaços dignos para a vida”, afirma o arquiteto José Wellington Costa, presidente do Crea de Sergipe. “A área tecnológica é a base desse processo, por reunir o conhecimento necessário ao desenvolvimento urbano”, completa o arquiteto e urbanista José Roberto Geraldine Júnior.Tecnologias de utilização de energia limpa e renovável, reaproveitamento de resíduos e adequação ao ambiente natural são alguns dos exemplos de contribuições da área para a sustentabilidade urbana. “Os profissionais da área tecnológica são os responsáveis diretos pelo planejamento, acompanhamento, implantação e conservação em quase todas as ações relacionadas ao desenvolvimento sustentável de uma cidade. Para que isso seja possível, é necessário se aperfeiçoar periodicamente para adquirir novos conhecimentos tecnológicos”, afirma Renato Rocha. “É preciso incorporar uma consciência crítica positiva dessa contribuição quando da alteração do habitat construído, aplicando corretamente os conhecimentos científicos adquiridos pela formação acadêmica”, acrescenta José Wellington Costa.

fonte: por Cinthia Andruchak
contribuição: Renato Camacho

21 de jun de 2008

Coberturas de Edifícios em Cobre

DETALHE EXECUÇÃO COBERTURA EM COBRE


O cobre é um material nobre que tem vindo a ser utilizado desde há vários séculos em coberturas de edifícios. Para além de uma grande duração, dureza e resistência á corrosão em qualquer atmosfera, oferece-nos o atractivo valor acrescentado das suas incomparáveis e variáveis características estéticas. O cobre é um metal ecológico, totalmente reciclável e de manuseamento seguro.


As coberturas de que temos estado a falar requerem uma base que as suporte por baixo de toda a sua superfície. O melhor material será a madeira, ainda que qualquer base que permita a correcta fixação das presilhas de sustentação do cobre, seja admissível. É recomendável colocar uma lâmina de separação entre a base e o cobre como forma de facilitar os movimentos térmicos e para proteger a base durante o período de montagem, bem como para compensar alguma irregularidade da base de apoio.


A corrosão pela parte inferior não afecta o cobre da mesma forma que afecta outros metais, de forma que é um material que se pode utilizar em coberturas não ventiladas. Deve ser aplicada uma lâmina "barreira de vapor" nos locais adequados e ter todas as juntas fechadas. Nas coberturas ventiladas a ventilação realiza-se através de orifícios de entrada e de saída na parte inferior e superior da cobertura.
Para maiores informações:

Teoria da contingência

Joan Woodward é uma das principais pesquisadoras da Teoria da Contingência. Joan Woodward, socióloga industrial inglesa, organizou uma pesquisa para saber se os princípios de administração propostos pelas teorias administrativas se relacionavam com o êxito do negócio quando colocados em prática. A pesquisa envolveu uma amostra de 100 firmas de vários tipos de negócios, cujo tamanho oscilava de 100 a 8.000 empregados, situados no sul da Inglaterra.


A teoria da contingência enfatiza que não há nada de absoluto nas organizações ou na teoria administrativa. Tudo é relativo. Tudo depende. A abordagem contigencial explica que existe uma relação funcional entre as condições do ambiente e as técnicas administrativas apropriadas para o alcance eficaz dos objetivos da organização.


As variáveis ambientais são variáveis independentes, enquanto as técnicas administrativas são variáveis dependentes dentro de uma relação funcional. Na realidade, não existe uma causalidade direta entre essas variáveis independentes e dependentes, pois o ambiente não causa a ocorrência de técnicas administrativas. Em vez de uma relação de causa e efeito entre as variáveis do ambiente (independentes) e as variáveis administrativas (dependentes), existe uma relação funcional entre elas. Essa relação funcional é do tipo "se-então" e pode levar a um alcance eficaz dos objetivos da organização.


A relação funcional entre as variáveis independentes e dependentes não implica que haja uma relação de causa-e-efeito, pois a administração é ativa e não passivamente dependente na prática da administração contingencial. O reconhecimento, diagnóstico e adaptação à situação são certamente importantes, porém, eles não são suficientes. As relações funcionais entre as condições ambientais e as práticas administrativas devem ser constantemente identificadas e especificadas.


A teoria da contingência nasceu a partir de uma série de pesquisas feitas para verificar os modelos de estruturas organizacionais mais eficazes em determinados tipos de indústrias. Os pesquisadores, cada qual isoladamente, procuraram confirmar se as organizações eficazes de determinados tipos de indústrias seguiam os pressupostos da teoria clássica, como a divisão do trabalho, a amplitude de controle, a hierarquia de autoridade etc.


Os resultados surpreendentemente conduziram a uma nova concepção de organização: a estrutura de uma organização e o seu funcionamento são dependentes da interface com o ambiente externo. Em outros termos, não há uma única e melhor forma "the best way" de organizar.


Essas pesquisas e estudos foram contingentes, no sentido em que procuraram compreender e explicar o modo como as empresas funcionavam em diferentes condições. Essas condições variam de acordo com o ambiente ou contexto que a empresa escolheu como seu domínio de operação. Em outras palavras, essas condições são ditadas "de fora" da empresa, isto é, do seu ambiente.


Essas contigências externas podem ser consideradas como oportunidades ou como imperativos ou restrições que influenciam a estruturaa e os processos internos da organização.


O Oitavo Habito - Stephen R Covey (Liderança)


Algumas das Idéias inspiradas de Covey:

"Encontre sua voz interior e inspire os outros a encontrar as deles. É a voz do espírito humano - cheia de esperança, inteligência, resiliente por natureza, iluminada em seu potencial de servir o bem comum"

" A voz é o nexo entre talento, paixão, necessidade e a consciência"

" A influência e a liderança nascem da escolha, não da posição ou do status"

" O paradigma da pessoa integral = espírito + mente + corpo + coração"

" As 4 necessidades e motivações das pessoas = deixar o legado + aprender + viver + amar"

"Dons de nascença - liberdade e capacidade de escolha, princípios (leis naturais), inteligências (mental, física, emocional e espiritual - QI/QF/QE/QS)"

"Para levar uma vida influente é preciso consciência + visão + disciplina + paixão"

" Liderança é comunicar às pessoas seu valor e seu potencial de forma tão claras que elas acabem por vê-los em sí mesmas"

Após ter escrito o best-seller " Os 7 Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes " o autor escreveu um livro que mudou o paradigma a respeito de liderança, " O Oitavo Hábito". O livro transcende as visões de liderança mecanicistas e cria uma visão de liderança a partir de todos os aspectos da natureza humana. Um livro que vale a pena ser lido.


Para maiores informações acessem o link abaixo:
http://www.stephencovey.com/

15 de jun de 2008

O Crescimento Imobiliário atual é Sustentável ????




“Multiplicam-se os esqueletos de prédios, os tapumes de construções, as meninas agitando bandeiras nas calçadas (...) Os números do mercado imobiliário comprovam que o setor está em ritmo próximo da euforia.”

(AS VENDAS ESTÃO NO MESMO RITMO???)


O artigo publicado na Veja São Paulo – Edição Especial Guia Imobiliário, por Cláudio Gradilone, em novembro, comenta sobre o crescimento do setor e as conseqüências favoráveis no panorama econômico nacional. De acordo com o SECOVI – Sindicato de Empresas de Compra, Venda, Locação e Administração de Imóveis – um prédio é lançado diariamente em São Paulo. (VENDE-SE UM PRÉDIO DIARIAMENTE EM SÃO PAULO?)


E não pára por aí. No mesmo artigo, Luiz Paulo Pompéia, diretor da Embraesp – Empresa Brasileira de Estudos do Patrimônio – considera 2007 como o ano da retomada dos lançamentos imobiliários na capital paulista. (É , REALMENTE AS PREVISÕES DO FINAL DO ANO PASSADO VEM SE CONFIRMANDO COM RELAÇÃO AOS LANÇAMENTOS, MAS, E AS VENDAS, COMO ESTÃO??? )


O otimismo em relação ao mercado é tanto que, até o final de outubro, 96 companhias captaram aproximadamente 65 bilhões de reais com a venda de ações, diz o artigo. (O FATO DE CAPTAR-SE TANTO DINHEIRO SIGNIFICA QUE HÁ CLIENTES EM NÚMERO SUFICIENTE PARA TANTO LANÇAMENTO???)


No entanto, mais do que perceber o potencial de crescimento deste mercado, as empresas estão adequando os empreendimentos aos interesses e comportamentos dos consumidores. (O CRÉDITOS ESTÃO SENDO FORNECIDOS COM RESPONSABILIDADE? COMO SERÁ O NÍVEL DE INADIMPLÊNCIA NO FUTURO? NÃO PODEMOS ESQUECER QUE A BOLHA IMOBILIÁRIA AMERICANA SURGIU A PARTIR DA FALTA DE CRITÉRIOS ADEQUADOS PARA APROVAÇÃO DE CRÉDITO GERANDO INADIMPLÊNCIA).


Aliás, não poderia ser diferente. O artigo de Débora Pivotto sobre sustentabilidade, presente na mesma edição, mostra a preocupação das construtoras em priorizar aspectos “ecologicamente corretos” nos próximos empreendimentos. Sem dúvida, um ótimo exemplo para o desenvolvimento de uma sociedade sustentável e engajada. Segundo pesquisa do grupo Esfera, responsável pelo projeto EcoLife, 30% dos compradores de um dos imóveis ofertados foram atraídos por diferenciais como água filtrada em todas as torneiras e lâmpadas inteligentes que poupam energia. (NO ENTANTO, O GRANDE DESAFIO DESTE MERCADO É CRESCER ECONOMICAMENTE DE FORMA SUSTENTÁVEL, SEM RISCO DE QUE ESTE CRESCIMENTO ACELERADO DE AGORA TRANSFORME-SE EM CRISE NO FUTURO)


Outras alternativas sustentáveis de diferentes empresas envolvem a utilização de fachadas envidraçadas, que economizam energia na iluminação, o reaproveitamento da água da chuva, a utilização de janelas com vidros que absorvem menos calor, a instalação de banheiros equipados com válvulas inteligentes e o uso de tapumes feitos com arbustos naturais. De acordo com Eduardo Jorge, secretário municipal do Verde e do Meio Ambiente, “o uso da energia solar em São Paulo é importante para difundir a tecnologia no estado e no país.” Sem dúvida. Satisfazer os interesses dos clientes e, ao mesmo tempo, adequá-los às tecnologias apropriadas é essencial.


Fica a lição: tão importante quanto o desenvolvimento econômico é a construção de uma sociedade que priorize transformações sustentáveis e que fomente um futuro incentivado por comportamentos desta natureza. (E PARA ISSO, PRECISAMOS SER PRUDENTES NESTA HORA DE GRANDE CRESCIMENTO PARA NÃO MATARMOS A GALINHA DOS OVOS DE OURO).


Estratégias Competitivas Empresariais

Michael Porter, the C. Roland Christensen Professor of Business Administration, in his conference room in Aldrich Hall at Harvard Business School.

Há três abordagens estratégicas genéricas, destinadas a enfrentar as cinco forças competitivas de Michael Porter que atuam em um mercado qualquer e que podem ser utilizadas de forma isolada ou combinada*: 1. Liderança no custo total 2. Diferenciação 3. Enfoque

Para obter-se a liderança no custo total, a empresa necessita centralizar seus esforços no controle e redução dos custos e das despesas gerais, além da, nas palavras de Porter , “construção agressiva de instalações em escala eficiente”. É imprescindível notar que áreas como pesquisa e desenvolvimento (P&D), assistência técnica, vendas e outras áreas estratégicas não podem ser prejudicadas nesse esforço de redução de custos.

A estratégia de diferenciação, por sua vez, tem como base a criação de alguma característica que só seu produto possua, quando for comparado a outros da indústria em que atua.

Por fim, a estratégia de enfoque leva em consideração o foco de atuação sobre “um determinado grupo comprador, um segmento da linha de produtos, ou um mercado geográfico”, nas palavras de Porter. A idéia é atender muito bem o grupo escolhido. Vale lembrar que não é fácil implementar e ter sucesso na implantação dessas estratégias. Há riscos, como em tudo na vida, exigindo compromisso contínuo com a estratégia que for “alvo primário”, e os esforços destinados a suas implementações exigirão “diferentes recursos e habilidades” para obtenção do sucesso.

Além do mais, é horrível para uma empresa situar-se no meio-termo em questões estratégicas, ou ficar pulando de uma estratégia para outra, o que quase sempre acaba mal. É importante também ter em mente que dificilmente uma empresa poderá atuar nas três estratégias simultaneamente, devendo, portanto, escolher uma como alvo principal e investir os esforços em sua excelência.

Se puder investir nas outras duas também, ótimo, sem permitir, entretanto, que se prejudiquem mutuamente. E não se esqueça: um executivo ou empreendedor precisa ter visão ampla da empresa, a fim de planejar estrategicamente a médio e longo prazo. Resultados geralmente não são obtidos da noite para o dia.

Nota: - Cinco Forças de Porter: Mercado (concorrentes já existentes), Clientes , Fornecedores , Produtos Substitutos, Novos Entrantes (novos concorrentes)

* Fonte: Estratégia Competitiva – Michael E. Porter

7 de jun de 2008

Suprimentos em xeque

Apesar dos pesados investimentos, neste ano ainda há riscos de desabastecimento. No longo prazo, é a alta de preços que preocupa.


Os fabricantes de materiais só se convenceram da solidez do aquecimento da construção civil no segundo semestre de 2007. De lá para cá, muitos investimentos foram anunciados e alguns segmentos já começam a responder com o aumento da produção. Mas dado o descompasso entre o ritmo de expansão do número de obras e da cadeia de fornecimento de insumos, que demanda aportes maciços e a certeza de demanda em longo prazo, a pergunta do momento é: vai faltar material?


Em geral, as indústrias estão confiantes no abastecimento da construção civil neste ano. No entanto, são raras as que não estão operando em capacidade próxima do limite. Além disso, essa confirmação da oferta, por parte das indústrias, é pautada no crescimento de 10,2% previsto para a construção em 2008.


Caso o mercado se comporte acima do esperado, como em períodos do ano passado, pode haver desabastecimento.A indústria de cimento, por exemplo, apesar de ter anunciado o maior orçamento de investimentos em aumento da capacidade (cerca de R$ 4,5 bilhões para os próximos cinco anos), deve crescer exatos 10% em 2008, valor precisamente igual à ampliação estimada da demanda do insumo para 2008.


O maior risco, nesse caso, é que a procura se expanda a taxas superiores às previstas ou que ainda apresente picos de aquecimento em períodos de manutenção e de desligamento de máquinas, como ocorrido em agosto de 2007, quando faltou cimento.Em contraposição, há a dificuldade, da própria indústria, em precisar o volume da demanda da construção civil.


"Se viéssemos de um ciclo de crescimento baseado no passado, conseguiríamos fazer uma projeção [da demanda] mais acertada, mas estamos vivenciando uma situação sem precedentes", diz Marcio Chamma, diretor da Votorantim Cimentos. Melvyn Fox, presidente da Abramat (Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção), tem visão semelhante. "Apesar de termos muito mais informações do que há três anos, ainda não conseguimos saber quantas novas unidades são iniciadas mensalmente, e esse dado é extremamente relevante, porque a gente sabe o efeito multiplicador de uma habitação e isso pauta as empresas", diz.

Problemas no curto prazo:


Em sondagem realizada em janeiro pelo Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas), 57% das empresas de material de construção e da indústria de transformação que responderam à consulta informaram que não poderão atender a todas as encomendas neste ano (contra 39% em 2007). Ainda assim, em 2008, as empresas de materiais de construção devem apresentar a menor taxa média de expansão de capacidade produtiva (9%) dentre a indústria de transformação, que engloba ainda bens de consumo, bens de capital e bens intermediários.Por outro lado, o abastecimento no médio prazo está garantido: 70% afirmaram que o investimento na ampliação da capacidade produtiva será motivo para não ocorrer falta de produtos nos próximos dois anos, quando a capacidade da indústria de materiais deverá crescer 28%.


"Poucas indústrias têm condição de expandir a capacidade rapidamente, só se tiver capacidade ociosa", explica Ana Maria Castelo, consultora da FGV. Ela acredita que 2008 será o ano mais crítico para o suprimento de materiais. "Este ano vai exigir mais organização de todos os lados, da oferta e da demanda, porque a indústria não está plenamente capaz de atender a todo o crescimento da construção, e a construção precisa sinalizar, com mais precisão, o quê e quando vai necessitar." Segundo pesquisa da Abramat, 63% das empresas de acabamento consultadas pretendem fazer investimentos nos próximos 12 meses, enquanto 57% das companhias de materiais de base têm essa pretensão. "A intenção da indústria de base foi mais alta em março de 2007 (chegou a picos de 81% e permaneceu até julho), porque são as primeiras impactadas pelo aquecimento da construção civil", diz Melvyn Fox, da Abramat. O pico dos materiais de acabamento foi em julho de 2007, quando a intenção de investimento foi mencionada por 76% das empresas consultadas. "Num cenário de crescimento ao redor de 10%, não haverá falta de material ou nenhum problema de atendimento à demanda neste ano", afirma.


As indústrias cimenteiras estão trabalhando no limite, enquanto as siderúrgicas garantem que não haverá desabastecimento; em comum, ambas prevêem aumentos de preços

Preços em alta:


A maioria dos fabricantes consultados já prevê reajuste de preço de seus produtos. E, nesse caso, a máxima "quanto maior a demanda, mais caro o produto", não vale. Nenhum entrevistado atribuiu à pressão da demanda interna o motivo para a elevação dos preços dos produtos. As indústrias afirmam que o motivo é a alta dos valores das matérias-primas, como o minério de ferro, petróleo, cobre etc. "O aumento da procura só resultaria em aumento de preços se não houvesse capacidade produtiva. As indústrias querem ganhar em volume, não em valor", completa Melvyn Fox.


A Sondagem Conjuntural da Indústria de Transformação do Instituto Brasileiro de Economia e da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV) apurou que 39% dos empresários entrevistados em abril demonstraram a intenção de encarecer seus preços no segundo trimestre deste ano, enquanto apenas 6% apontaram a possibilidade de queda. O motivo é a pressão do setor metalúrgico, que estaria forçando alta dos custos de produção. Segundo a pesquisa, 74% das indústrias metalúrgicas devem aumentar suas tabelas de preço já este mês, pressionando toda a cadeia da construção civil.Em recente seminário do SindusCon-SP (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo) - "Insumos da Construção: Desafios do Crescimento" -, esse impacto foi confirmado. Em geral, os produtos derivados do aço, dos metais não-ferrosos (alumínio e cobre) e do plástico (derivado do petróleo) apresentam aceleração nos preços devido à alta das commodities no mercado internacional.


"A indústria de materiais de construção e, por conseqüência, os construtores, têm motivos para se preocupar em relação à sua cadeia de preço, porque os próprios insumos estão sendo alvos de aumentos", disse a coordenadora do estudo, Ana Maria Castelo.


Como mostra o balanço, a CSN (Companhia Siderúrgica Nacional) anunciou aumentos entre 8% e 13% no preço do aço bruto e prevê novos reajustes no início deste mês, assim como a Usiminas. A Vale anunciou aumento de preço no minério de ferro (muito utilizado na fabricação de aço e, conseqüentemente, de vergalhões e de fôrmas) de 70%. Há ainda perspectiva de aumento nos contratos internacionais de carvão (que impacta o setor de cerâmica e de aços longos) entre 130% e 150%. O preço de algumas commodities como o cobre (diretamente ligado ao segmento de fios e cabos, e louças e metais) no mercado externo deverá continuar em alta. O barril do petróleo (que impacta quase todos os setores, entre eles, cimento, louças e metais, tintas, fôrmas, vidro, fios etc.) continuará acima de US$ 100 em 2008 (a previsão é de que cairá para até US$ 65 apenas no fim de 2009).


Já as tarifas de energia apontam para um cenário mais favorável, devendo subir abaixo da inflação em 2008.Isso sem contar o aumento considerável da mão-de-obra, responsável por cerca de 50% do custo na construção, e que tem contribuído para a elevação de todos os índices relativos às despesas do setor. Ana Maria Castelo adverte que "exagerando a possibilidade do aumento do preço, é provável que as empresas comecem a importar alguns materiais". Mas isso, segundo ela, também traria problemas como adequação às normas.


fonte: Revista Construção e Mercado

Contribuição:Eng Renato Camacho

1 de jun de 2008

Os arranha-céus do mundo todo

No link abaixo podemos ter os dados técnicos dos principais arranha-céus do mundo

http://www.skyscrapercity.com/

Torre da Liberdade - Edifício será o mais alto dos EUA

Detalhe do Prédio

Torre da Liberdade começa a tornar-se visível


A Torre da Liberdade, o emblemático arranha-céus desenhado para ocupar o vazio que deixaram as Torres Gémeas, começa a emergir da "zona zero", mais de cinco anos depois dos atentados do 11 de Setembro em Nova Iorque.


Fazer uma praça, local de culto ao passado? Seria reconhecer a impotência do Golias perante os Davis e seus aviões-bomba. Reconstruir simplesmente as torres gêmeas? Seria um gesto de conformismo ante o grande prejuízo humano e material sofrido.

Era preciso algo mais: uma obra que concilie passado e futuro e permita conjurar os fantasmas que rondam o local e as mentes das pessoas, um ícone e ao mesmo tempo um ponto de integração das diferentes atividades urbanas (finanças, turismo, lazer, comércio, transportes). Que sirva de base para a águia voltar a voar. Em liberdade.
fonte: Jornal Perspectiva - Novo Milênio

Absurdo: Caiu outra grua em Nova York



Guindaste que operava em construção cai de prédio em Nova York


Um guindaste que operava na construção de um edifício foi derrubado nesta sexta-feira (30/05/2008) na esquina entre a rua 91 e a Primeira Avenida, na região do Upper East Side, em Nova York (Estados Unidos).


O Departamento de Bombeiros de Nova York tirou várias pessoas feridas dos escombros. Segundo informações da rede de TV CNN, pelo menos uma pessoa morreu.— Posso confirmar que perdemos uma vida em outra derrubada no distrito de Manhattan, e isto é uma tragédia absoluta — informou o presidente do distrito de Manhattan, Scott Stringer.


Meios de comunicação locais informaram que ainda há duas pessoas gravemente feridas. Testemunhas asseguraram que o operário que operava o guindaste estava dentro quando este desabou. O prefeito da cidade, Michael Bloomberg, que participava de seu programa de rádio semanal no momento do acidente, assegurou que as causas da tragédia serão investigadas.


Em março, um gigantesco guindaste desabou em Manhattan, causando a morte de sete pessoas, entre elas seis operários que trabalhavam em um edifício de 46 andares em construção.
fonte:Diário Catarinense 30/05/2008

Citypoint Citypoint - Londres


O Citypoint é o maior prédio comercial do Reino Unido em metragem posta para aluguel. Construído em 1967, emprega materiais vanguardistas para a época. Prova disso é sua arquitetura arrojada, um símbolo do distrito financeiro londrino.


Wave Rock - França


Dos mesmos arquitetos responsáveis pela pirâmide de vidro do Museu do Louvre, na França, o Wave Rock terá escritórios também de certificação verde. O projeto ondulado indiano, de construção pró-ambiental, abrigará 20 mil trabalhadores.


Willis Building - Londres


Entregue em 2007, o Willis Building também adorna o centro financeiro da capital inglesa. Destaque para sua arquitetura, que privilegia terraços e iluminação natural. Segundo o projetista Sir Norman Foster, suas formas são inspiradas em crustáceos.


Het Strijkijzer - Holanda


O Het Strijkijzer foi concluído em 2007 e tem 351 unidades, entre apartamentos de luxo e estúdios. As unidades não têm chave: um microcartão provê acesso aos moradores. Com 41 andares, é o edifício mais alto de Haia, na Holanda


Naberezhnaya Tower - Moscou


As três torres que compõem o complexo Naberezhnaya Tower, na capital russa, levaram quatro anos para serem concluídas. O anexo C do edifício é, desde 2007, o edifício europeu mais alto, com seus 59 andares que vislumbram Moscou


Aspire Tower - Qatar


A Aspire Tower, no Qatar, abrigou a tocha simbólica dos Jogos Asiáticos de 2006. Durante a noite, a estutrura de aço e concreto de 318 metros de altura (hoje, um hotel) é iluminada por lasers e reproduz projeções feitas com tecnologia especial


Rochaverá - São Paulo


Em São Paulo, o Rochaverá irá compor o maior complexo construído em padrão "verde" no país, segundo normas internacionais. A obra utilizou madeira certificada e aço reciclado. Seus jardins são irrigados com água coletada de chuvas.




30 St Mary - Londres


Em forma de bala de revólver, o 30 St Mary Axe já faz parte da paisagem urbana londrina. Inaugurado em 2004, usa tecnologia para consumir metade da energia que um prédio semelhante precisaria. A refrigeração é reforçada por vãos nas lajes


Ventura Towers - Rio de Janeiro


O Ventura é o primeiro edifício com pré-certificado "green building" da capital carioca. Entre suas inovações em prol do meio ambiente, vagas especiais para carros com etanol e redução de 30% no consumo d'água, possibilitada por tecnologias especiais
Contrução:
Camargo Correa & Método Engenharia


Hearst Tower - New York


Primeiro arranha-céu a ser construído na Manhattan pós-11 de Setembro, o Hearst Tower também inaugurou a onda de prédios verdes na cidade. O ar-condicionado, por exemplo, usa água coletada de chuvas e armazenada em seu topo .


Caixa pode financiar construção de casas de gesso


Uma boa notícia para os produtores do pólo gesseiro do sertão pernambucano. A Caixa Econômica Federal vai estudar a possibilidade de financiar a construção de casas de gesso em Pernambuco. A avaliação começa com dois projetos pilotos que incluem a construção de 50 casas populares em Olinda, na Região Metropolitana do Recife, e outras 50 no município de Trindade, uma das cinco cidades que compõe o chamado pólo gesseiro, no Sertão do Araripe.

O presidente do Sindicato das Indústrias de Gesso (Sindgesso), Josias Inojosa Filho, assegura as vantagens da construção de casas com este material ao invés da alvenaria. A principal delas é a rapidez na construção. Como explica Carlos Wellington Pires, engenheiro civil do Instituto de Tecnologia de Pernambuco (ITEP), enquanto as casas de alvenaria demandam no mínimo 40 dias para ficarem prontas, por causa da necessidade de acabamento, a construção de casas de gesso pode ser terminada em uma semana.

Outra vantagem que o engenheiro do Itep destaca é a diminuição de custos: uma casa com 40 metros quadrados , por exemplo, custa em média R $ 13 mil com mão de obra e custos fiscais incluído. A economia pode chegar a 30% e com desperdício mínimo, já que o Sindgesso vem estimulando o uso dos excedentes na agricultura.

É na região do Araripe que foi construído, por exemplo, o primeiro posto de saúde feito totalmente de gesso. Os moradores se impressionam porque não há rachaduras nas paredes. Isso porque, como explica Josias Inojosa, as placas de gesso têm valor agregado, pois recebem a aplicação de materiais como silicone que garantem a resistência das construções. As casas também são resistentes a chuva, como qualquer outra construção, e possibilitam uma sensação térmica mais agradável do que a alvenaria porque amenizam a variação técnica entre a manhã e a noite.

Caso seja aprovado o financiamento da Caixa, os interessados em ter casas de gesso terão as mesmas facilidades com relação a juros e prazos que o banco oferece para as constrições em alvenaria.

Pólo gesseiro

As casas do projeto piloto serão construídas com o material extraído e fabricado no chamado pólo gesseiro do Sertão do Araripe. É de lá, aliás, que saem 95% de todo o gesso usado no Brasil. Isso porque estão concentradas nas áreas as maiores jazidas de gipsita (o minério de onde é extraído o gesso ) do País.

As empresas do pólo ainda exportam para países como a Estados Unidos, Espanha, Angola e Islândia, onde o gesso dá origem a casas de luxo recobertas por madeira. As casas são enviadas em caixas, como verdadeiros quites para montagem. Essa produção é responsável, de acordo com as contas do Sindgesso, pela garantia de 76 mil empregos diretos e indiretos na região.

Fonte: Notícias 360°
contribuição: Renato Camacho

Sustentabilidade - Entrevista com o Eng Nelson Kawakami




A era da sustentabilidade instalou-se definitivamente no mundo e o Brasil dá os primeiros passos em direção ao universo verde. Enquanto instituições privadas, governamentais e ONGs empenham-se em campanhas de conscientização da população, o segmento da engenharia e da arquitetura ganha uma entidade específica para normatizar e certificar as construções: o Green Building Council Brasil (GBCB).

O principal desafio dessa ONG é difundir o conceito de sustentabilidade na construção civil no país, nos próximos anos, além de tropicalizar as diretrizes do sistema Leadership in Energy & Environmental Design (Leed), o mais reconhecido mundialmente na avaliação e na certificação dos chamados green buildings.

Para explicar as atividades do novo GBCB, Finestra entrevistou seu diretor executivo, o engenheiro Nelson Kawakami. “A sustentabilidade não cria nada novo, mas resgata coisas que já existiram. Deverá vir, certamente, por bem ou por mal. A partir da década de 1970, o meio ambiente se viu invadido por prédios inadequados ao conforto ambiental, mas agora todos estão preocupados em recuperar as antigas questões, pensar na função do edifício, além da forma”, afirma Kawakami.

Ele cita o pensador húngaro Ervin László: “A globalização e a mudança do mundo chegaram a um ponto que é o caos ou o mundo sustentável”.

De maneira geral, no Brasil, as preocupações com os temas ambientais aumentaram muito?

As pessoas passaram a se preocupar muito com a sustentabilidade no Brasil porque o assunto tem ocupado mais espaço na mídia e chamado a atenção de vários setores, inclusive o da construção civil. Vale lembrar que até 2006 havia poucos edifícios registrados no sistema Leed e em 2007 já temos 47 processos registrados de obras em execução para passar por auditoria em busca da certificação. Há um único prédio no Brasil que já a possui: o do Banco Real, agência Granja Viana, em Cotia [SP], o primeiro da América do Sul. Agora teremos concluídos os edifícios Eldorado Business Tower, em processo de certificação, e o Rochaverá, ambos em São Paulo , além dos Ecolifes residenciais no bairro do Butantã, também na capital paulista.

Quando foi criado o Green Building Council Brasil?

Em março de 2007. Ele começou a operar em junho, já com toda a formalização junto ao World Green Building, uma organização internacional que tem como meta fazer a expansão dos escritórios do Green Building Council ao redor do mundo. O primeiro escritório foi aberto nos Estados Unidos e os processos brasileiros foram registrados lá. Os 47 processos em andamento estão seguindo as normas e especificações americanas, porém adaptadas às características do Brasil.

"Até 2006 havia poucos edifícios no Brasil registrados no sistema Leed e em 2007 foram 47 processos para passar por auditoria"

Como ocorreu esse processo se quando esses edifícios foram projetados não existia a organização no Brasil?

Existem vários GBC no mundo. O primeiro foi nos Estados Unidos, o USGBC. Foram eles que desenvolveram a ferramenta Leed. Todos esses processos atualmente estão sendo registrados no sistema Leed americano e vão continuar assim, pois a certificação está centralizada nos Estados Unidos. O primeiro GBC foi criado em 1993. Alguns países, como Japão e Austrália, têm sistema de certificação próprio. Outros, como Canadá, México e Brasil, resolveram adotar o Leed. E estão no processo inicial de adaptá-lo para cada um desses países. Mas, por enquanto, o Banco Real, já certificado, e os outros 46 edifícios estão sendo feitos no sistema norte-americano. Por isso existiu antes uma possibilidade de certificação.

Essas 47 edificações registradas estão distribuídas por quais regiões?

No Brasil todo. Nas regiões Sul, Centro- Sul e no Nordeste, inclusive em Natal e no Ceará. No Centro-Oeste, apenas em Brasília, onde um bairro residencial, no setor noroeste, está surgindo e foi solicitado registro para certificação.

"Rino Levi, há mais de 50 anos, já se preocupava com essas questões de ventilação e iluminação, no desenho arquitetônico"

O que é, exatamente, o Leed?

É uma ferramenta que dá as diretrizes para mensurar o grau de sustentabilidade de cada prédio. De acordo com o índice a ser atingido, será determinada a pontuação do edifício e o grau de certificação. Pode ser um certificado simples ou nas classificações prata, ouro e platina. E dentro de cada uma delas existem as diretrizes de espaço onde o prédio será implantado, infraestrutura do local, oferta de transporte público e questões como se a área era contaminada e foi recuperada, estacionamento e acessos facilitados ou não, como o metrô. Outra diretriz refere-se à eficiência energética - potência de iluminação, automação, sistemas de leitura. Há também a eficiência no manejo da água, a não-utilização de água potável para irrigação, reúso da água da chuva, tratamento de esgoto.

Quais os outros critérios que entram na avaliação?

A qualidade ambiental interna também é avaliada a partir da verificação de itens como uso de materiais de forte odor (verniz, cola), emprego de madeira certificada, materiais reciclados etc. Um item especial é chamado de inovações, ou seja, a introdução de novas tecnologias que reforcem o caráter de prédio sustentável.

E quanto à arquitetura?

Existem arquitetos, como Norman Foster, que criam na própria arquitetura soluções para utilização de ventilação natural, de modo a minimizar o uso de ar condicionado. Isso é considerado pelo Leed?

Isso está incluído na diretriz que trata do meio ambiente, na qual quanto mais renovação do ar, melhor, a edificação ganha mais pontos. Quanto mais utilizar luz natural, teto com isolamento térmico e jardins que ajudam na absorção do CO2, enfim, uma série de recomendações, maior a pontuação. Tudo isso vai determinar o grau de sustentabilidade do edifício. A parte de arquitetura é distribuída em vários itens - vista externa, telhados verdes etc. Todos esses requisitos levam à criação de um projeto de arquitetura integrado. A sustentabilidade não cria nada novo, mas resgata coisas que já existiram. Rino Levi, há mais de 50 anos, já se preocupava com essas questões de ventilação e iluminação, no desenho arquitetônico. Mas nem todos tinham essa mesma linha. Hoje estamos tentando teorizar em cima de tudo isso e fazer com que a sociedade reflita sobre o meio ambiente, que, a partir da década de 1970, se viu invadido por prédios gigantescos, com sistemas de ar condicionado muito sofisticados e inadequados ao conforto ambiental. Perdeu-se a linha que agora está sendo recuperada. Todos estão preocupados em retomar as antigas questões, pensar na função do edifício, além da forma.

Existem normas específicas brasileiras direcionadas para a questão dos edifícios sustentáveis e de produtos?

Com relação a produtos, não entramos nesse mercado, mas o Instituto Falcão Bauer está desenvolvendo um sistema de certificação deles. Estamos fazendo para o Brasil a tropicalização do Leed. Diversas atividades já têm normas brasileiras específicas, como, por exemplo, a recuperação de solos, com recomendações técnicas. Vamos buscar referências nessas normas. Outro exemplo é a norma de resíduos de construção, que dá orientações de como proceder. O que não existe ainda é algo que feche tudo isso, que seria o sistema Leed de certificação, dando todos os parâmetros para depois consultar as normas nacionais.

Quais seriam as adaptações a fazer em função da realidade brasileira, ou seja, a chamada tropicalização?

Quanto ao aspecto técnico, não há adaptações profundas a serem feitas, porque muitas normas brasileiras são baseadas nas norte-americanas. Mas existem algumas coisas a serem adaptadas de acordo com o nosso ambiente. Por enquanto, há uma comissão analisando o assunto para, depois, concluir o trabalho. Talvez o item que mais chame a atenção seja a responsabilidade social. Nos Estados Unidos não dão muita ênfase a isso, mas no Brasil acho que teremos de fazer uma distinção, colocar a questão em destaque, dar pontuações para quando a empresa trabalhar com a comunidade. Esse aspecto social talvez seja incentivado pelas normas.

"Pesquisas nos Estados Unidos mostram o aumento de produtividade e a diminuição de doenças em ambientes mais confortáveis"

Essa comissão é ligada ao GBCB?
Sim. Foram criados vários comitês, como os de captação de membros, avaliação do Leed, marketing e vendas, materiais, fiscal e auditoria, de educação e eventos, e o comitê de relações governamentais e institucionais.

Para a edificação, quais as vantagens da sustentabilidade?
A edificação ganha em funcionalidade, em performance, em energia, em facilidade de conservação. O usuário ganha em conforto e, conforme pesquisas realizadas nos Estados Unidos, há um aumento de produtividade por causa da diminuição de doenças, num ambiente mais confortável. Nas escolas, o nível de aproveitamento dos alunos cresceu 20%. Lá, já existem 8 mil prédios certificados, correspondendo a 1 milhão de moradias.

"Ao adotar os parâmetros do Leed, a construção de um edifício comercial padrão tem seu custo reduzido em até 5% sobre o total"

O empreendedor parece estar mais pautado pela questão do custo, e não pelas necessidades e bem-estar do usuário.

Se pensarmos no ciclo de 25 anos de vida de um prédio, 80% do custo é operacional e 20% de construção. Então, se você reduz os custos da operação - energia, água etc. -, o empreendedor terá vantagens com a sustentabilidade. Se você fizer uma análise financeira de um ciclo completo, ele será sempre positivo, caso essas medidas sejam adotadas. A diferença é que no Brasil estamos acostumados a olhar somente os dois ou três primeiros anos de um prédio, enquanto nos Estados Unidos eles enxergam mais longe.

E no caso do empreendedor que constrói para vender, como ocorre no Brasil, o que pode ser atrativo na sustentabilidade?
O Leed tem uma modalidade específica para os investidores, porque essa preocupação já existe no mercado brasileiro, pois um certificado que contém esses parâmetros de sustentabilidade é mais valorizado. Tanto que esse empreendedor é mais procurado para novas obras. A demanda é maior, o potencial de venda cresce muito, inclusive porque o condomínio desses prédios é cerca de 40% mais baixo. Existe uma redução significativa de custo condominial e isso se reflete nas vendas. De 3% a 5% de sobrevalorização no aluguel obtém-se com a redução operacional e a velocidade de vendas também é maior. O importante mesmo é a conscientização e o posicionamento das pessoas, porque a redução de custos é um fator fundamental, mas a mudança de postura é o que conta. Isso porque o mundo todo necessita, urgentemente, de atitudes mais positivas com relação ao meio ambiente. É preciso repensar a maneira de proceder daqui para a frente.

Com relação ao custo de construção, o que muda?
Ao adotar os parâmetros do Leed, a construção de um edifício comercial padrão, com 20 andares, tem seu custo reduzido em aproximadamente 5% sobre o total. Em termos residenciais, o percentual cai para 2%.

Quais as principais dificuldades, no Brasil, para a implantação de uma obra sustentável?
A principal dificuldade é a obtenção de materiais e alguns tipos de serviço adequados aos conceitos exigidos. Os fornecedores talvez sejam os que precisam de um período de maturação um pouco maior. Isso porque, enquanto está em projeto, o papel aceita tudo, mas quando vai para a obra enfrenta dificuldades. Em algumas cidades, há limitações quanto a materiais. Se for em São Paulo ou na Região Sul, os problemas são bem menores. Mas não é nada conveniente pegar um material aqui em São Paulo e transportá-lo para uma obra em Manaus. Aí acaba com a sustentabilidade queimando petróleo daqui até lá. Além do que, vai gerar poluição.

É então necessário desenvolver fornecedores em nível nacional?
Os grandes fornecedores já têm essa rede de distribuição. E, com o aumento da demanda, o panorama deve se modificar. Por exemplo, quando começamos a fazer projetos de bancos, havia apenas um fornecedor de tintas praticamente sem cheiro e agora, no final do ano, já tínhamos quatro. A demanda está aumentando e o mercado vai atrás.

"A edificação ganha em funcionalidade, em performance, em energia, em facilidade de conservação"

O que distingue essa tinta daquela normalmente utilizada no mercado?
Ela tem um composto orgânico volátil e sem cheiro. Nas tintas normais, o cheiro desaparece em uma semana, mas os componentes químicos ficam no ar por seis meses. Isso causa mal à saúde, tanto de quem aplica, quanto dos usuários.

Qual o trabalho que o GBCB faz em relação a essa área de produtos?

Existe um comitê de materiais que estuda o assunto e verifica as demandas e carências da área. Por exemplo: outros tipos de revestimento, de tinta, de fornecedores de forro. Aí as empresas começam a desenvolver esse mercado, ir atrás de tecnologia, para atender à demanda nacional. A idéia do GBCB é começar a sinalizar aquilo de que o mercado está precisando, dimensionar as demandas e as necessidades e discutir com os fornecedores as possibilidades. A Deca lançou no Brasil, há uns três anos, a válvula de duplo fluxo, que foi tirada do mercado pois não havia demanda. Recentemente, começou a haver procura por esse produto, que passou a ser importado, e agora a Deca fez novo lançamento, para atender às solicitações.

Há algum sistema de capacitação para o trabalho das construtoras?
Temos realizado cursos para algumas empresas, o que representa um grande apoio educacional. Mas não existe um certificado de construtora verde. O que há é a certificação do prédio. O que temos feito em algumas empresas ou obras públicas é oferecer suporte educacional. Esse é o nosso papel principal, atuar fortemente na formação de pessoas com esse conceito, junto às empresas que trabalham com a construção civil.

De maneira geral, e não apenas na construção civil, tudo é verde, tudo é sustentável. O sistema econômico está realmente interessado na preservação do meio ambiente ou é mero modismo?

Tem um pouco de moda, mas é inevitável que a parte econômica leve isso em conta, porque se hoje ainda é viável, amanhã não será mais. Então quanto mais cedo os conceitos de sustentabilidade começarem a ser aplicados, não só na construção civil, como em outros setores, mais fácil será ter um mundo mais sustentável. Porque isso virá certamente, por bem ou por mal. Um pensador húngaro contemporâneo, Ervin László, afirma: “A globalização e a mudança do mundo levaram a um ponto que é o caos ou o mundo sustentável”. A definição e a velocidade com que isso ocorrerá vão depender da capacidade e da rapidez do ser humano em se adaptar a essas novas funções. Porque não tem jeito - algum dia haverá uma crise. E não queremos crise, queremos sustentabilidade. Então é importante o homem começar a se reposicionar rapidamente. Já existem vários elementos econômicos que levam à certeza de que vale a pena adotar a sustentabilidade. Além disso, as pessoas precisam querer trabalhar para que as mudanças aconteçam o mais rápido possível. A prefeitura de São Paulo agora exige aquecimento solar em novos empreendimentos a partir de determinado tamanho. É bom lembrar que muitas normas existem, mas ninguém leva em consideração, talvez até por desconhecimento. Por isso, acho que a legislação precisa ser mais clara.

"O mundo todo necessita, urgentemente, de atitudes mais positivas com relação ao meio ambiente"

A reciclagem de PET tornou-se uma febre, mas de forma artesanal. Há alguma produção industrial direcionada para a construção civil?

Sim, há uma indústria que faz tubos de esgoto, em São Paulo , criada para atender à demanda, pois as primeiras tubulações vieram da Argentina.

O Eldorado Business Tower tem um pré-certificado Leed. Em quanto tempo o edifício receberá a certificação oficial?

Depois que acaba a obra, a demora é de quatro a seis meses para certificar, porque é preciso verificar se o funcionamento do prédio está atingindo a meta ou se é necessário fazer o “condicionamento melhorado”. É feito todo tipo de condicionamento, testes, análises. Até então, o prédio tem apenas a pré-certificação.

A propaganda de lançamento de alguns empreendimentos usa a certificação como atrativo de vendas. Mas não é isso que ocorre, então?

Na verdade, eles não têm a certificação, e sim a pré-certificação, que é um compromisso. E o comprador deve cobrar o cumprimento da promessa de certificação e analisar bem as pessoas que estão prometendo, verificar a idoneidade da empresa.

Quais os cuidados que a empresa deve ter quando se apropria dessa imagem como instrumento de venda?

Trata-se de uma pré-certificação. É preciso deixar claro que a certificação só será dada no final da obra. Quando a empresa é conhecida no mercado, todo mundo sabe que ela vai honrar o compromisso. A idoneidade é fundamental, a certeza de que ela cumprirá o que está prometendo.

"Uma válvula de descarga de duplo fluxo foi lançada e retirada do mercado há três anos, e agora está voltando porque há demanda"

E no caso daquelas empresas que se aproveitam dessa onda verde, mas não cumprem efetivamente esse compromisso?

No momento em que a empresa se compromete com um processo de sustentabilidade, já demonstra a mentalidade de implantar todos os itens que tornam a edificação verde. A idéia de sustentabilidade já tem embutida a lisura do processo. Portanto, quem nele se insere necessariamente o faz com convicção. Por isso é muito importante a distinção entre certificação e pré-certificação.

Há algum trabalho em comum entre o GBCB e o Conselho Brasileiro de Construção Sustentável?
Não existe ainda uma grande unidade de colaboração entre as duas entidades, mas podemos trabalhar juntos, com mais integração, porque os objetivos são comuns. Queremos descobrir pontos de apoio, parcerias. Trata-se de um grupo muito forte, tecnicamente muito bem preparado. Temos uma aproximação muito boa.

Publicada originalmente em Finestra - Edição 52 - Março de 2008