24 de jun de 2008

A Era das Construções Sustentáveis

Foto de uma obra sustentável pioneira - a Vila sustentável em Londres com emissão zero de carbono.

Hoje a população mundial já é tão grande que a necessidade de recursos naturais para sustentá-la é maior do que temos disponível. Até 2025, a população global deve crescer cerca de 50%, passando para nove bilhões de pessoas. O grande desafio da atualidade é como sobreviver a esse crescimento sem destruir ainda mais os recursos disponíveis e diminuir o impacto do quecimento global. Sem dúvida, para tal, é preciso uma mudança no comportamento individual das pessoas, que devem começar a agir, dentro de suas próprias casas, de forma consciente e sustentável.


A indústria da construção civil está diretamente envolvida nesse cenário, sendo assim, não só pode como deve atuar de forma mais responsável. O setor traz impactos negativos ao meio ambiente e toda a cadeia da construção é responsável por 5% das emissões de em todo o mundo. Somente nos Estados Unidos as construções são responsáveis por 12% de todo o consumo de água, 30% das emissões de gases de efeito estufa, 65% dos resíduos e 70% da eletricidade consumida.


Tentar auxiliar no desenvolvimento da indústria da construção sustentável e diminuir esses danos ambientais é uma grande e difícil missão, mas o longo caminho está apenas começando. No Brasil, a ONG Green Building Council (GBC) está atuando fortemente na disseminação do conhecimento sobre práticas de prédios verdes e seus benefícios, além de integrar todos os agentes do mercado, apontando a importância do envolvimento dos órgãos governamentais e instituições financeiras neste processo, e promover o Sistema Leadership in Energy & Environmental Design (LEED), certificado que atesta e pontua as soluções ecologicamente corretas dos edifícios. No País há mais de 50 empreendimentos buscando comprovar sua sustentabilidade.


Os green buildings podem gerar grandes benefícios para toda a sociedade, não só ambientais, mas também econômicos e sociais.Os custos de operação e manutenção de um green building são até 40% menores com redução de gastos com água, energia e resíduos. Além disso, essas edificações têm vida útil mais prolongada se comparadas às obras convencionais, maior velocidade de venda e valor de mercado até 3% superior. Ou seja, o investimento maior feito na etapa de construção do empreendimento tem retorno entre dois a quatro anos após sua conclusão.


Há dados que comprovam que o ambiente interno de uma construção certificada se torna mais saudável, já que tem a qualidade do ar melhor, mais conforto térmico, maior iluminação natural e conexão visual com áreas verdes. Essas iniciativas reduzem a incidência de doenças e estimulam a concentração e a criatividade. A produtividade nos prédios verdes chega a ser até 16% superior e, em escritórios comerciais, verifica-se uma baixa rotatividade e ausência de colaboradores.


O problema é que muitas empresas e os próprios cidadãos ainda desconhecem esses aspectos positivos e os benefícios que os green buildings podem trazer não só para sua cidade, mas para o mundo todo. As recomendações propostas não são soluções impossíveis, nem tão pouco distantes da nossa realidade.


A indústria internacional já se mobilizou muito nesse sentido e aqui no Brasil já estão surgindo pequenas e grandes iniciativas em prol desse movimento verde. São essas ações, de pessoas e empresas preocupadas com o futuro, que contribuirão para a mudança de comportamento do mercado e para a disseminação de uma nova cultura, voltada para a verdadeira sustentabilidade.


fonte: Thassanee Wanick, fundadora e presidente do Conselho Deliberativo do Green Building Council Brasil, Barueri (SP)(Gazeta Mercantil/Caderno A - Pág. 2)(Thassanee Wanick, fundadora e presidente do Conselho Deliberativo do Green Building Council Brasil, Barueri (SP))

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