8 de out de 2008

Concreto Celular Autoclavado

foto: utilização em construção popular (baixa renda)


Desenvolvido na Suécia nos anos de 1920, o concreto celular autoclavado (CCA) é um tipo de concreto de peso leve geralmente pré-moldado em forma de bloco que é curado sob pressão elevada dentro de fornos especiais chamados autoclaves. Embora o concreto celular autoclavado tenha sido usado com sucesso em grande parte do mundo desde o fim da segunda guerra mundial, no Brasil o material ainda é pouco difundido, tomando só agora destaque entre os construtores.
O CCA, também conhecido como concreto aerado autoclavado, é produzido com material muito fino geralmente mistura de cal e areia silicosa. O que faz o CCA diferente do concreto agregado de peso leve é que o CCA contém milhões de células microscópicas que são geradas durante o processo industrial. Além disso, CCA difere de muitos outros concretos porque pode ser perfurado, serrado, pregado, ou atarraxado usando ferramentas de carpintaria convencionais.
Várias Fórmulas
Embora várias fórmulas sejam usadas para o CCA industrial, as matérias-primas básicas são cimento Portland, pedra calcária, pó de alumínio, água, e uma proporção grande de areia de silica-rica (areia silicosa) ou fly ash. Uma vez que as matérias-primas estão misturadas em uma pasta e colocadas em moldes engraxados, o pó de alumínio reage quimicamente para criar milhões de bolhas minúsculas de gás de hidrogênio. Estas células microscópicas, inconexas fazem o material se expandir para quase duas vezes do seu volume – similar ao processo de fermentação da massa do pão – dando ao CCA um leve peso. Depois de um tempo que varia de 30 minutos a 4 horas, o material na forma parecida a uma espuma fica duro o bastante para ser cortado nas formas desejadas e colocados em uma autoclave para curar.
A autoclave usa vapor de alta-pressão à temperaturas de cerca de 180°C para acelerar a hidratação do concreto e propiciar uma segunda reação química que dá para ao CCA sua força, rigidez, e estabilidade dimensional. O autoclavamento pode produzir em 8 a 14 horas forças concretas iguais a forças obtidas em um concreto curado em meio úmido durante 28 dias a 21°C. Os produtos finais normalmente são embrulhados em plástico e transportados diretamente para o local de
construção.
O CCA tem um
quarto do peso de um concreto convencional de mesmo volume e é disponível em blocos para parede e painéis de telhado, padieiras, e pisos. Cada um destes produtos pode ser fabricado em uma gama de tamanhos que dependem de aplicações específicas, permitindo assim máxima eficiência e flexibilidade na construção. O concreto celular autoclavado pode ser usado para todos os tipos de estruturas que variam de residências unifamiliares a grandes complexos industriais.
O CCA é inerte, substância atóxica e tem um processo industrial livre de poluição e desperdício de energia. Talvez o benefício ambiental mais significante de usar CCA é que o fly ash pode ser usado como o componente substituto da areia silicosa. A indústria de utilidade elétrica gera mais de 50 milhões de toneladas de fly ash a cada ano - só uma fração de qual pode ser reciclado.
O CCA é razoavelmente resistente ao frio e aos sulfatos, permitindo ser usado ao redor do mundo em todas as zonas climáticas e para uma gama extensiva de aplicações. Quando usado no exterior, o CCA normalmente é protegido por argamassa ou outras camadas protetoras. O CCA também é um material inorgânico, fazendo dele, 100 % à prova de animais danosos (cupins, por exemplo) e resistente ao apodrecimento.


fonte: Márcio Lenin Medeiros de AzevedoEngenheiro Civil - mlmazevedo@uol.com.br

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