8 de out de 2008

A crise e Dostoievski (Reflexão)

foto: Nildo Carlos Oliveira (Blog do Nildo)


As informações sobre a crise que atinge as Bolsas no mundo me levam a Dostoievski. Mas, que relação poderia ter o escritor russo com a crise global? É curioso, mas o dinheiro continua a ser o mecanismo que mexe com o sol e os outros astros. E, em todos os tempos, sinaliza o comportamento humano: os bons e os maus instintos.


Desta vez, o livro que retomo é “O adolescente”, que ele escreveu no auge da maturidade, aos 54 anos, e que trata de um personagem determinado a alcançar a liberdade através da possível acumulação de dinheiro. No mínimo, inspirava-se em Rothschild. Avançando pelos capítulos chega-se a um diálogo sobre o fim dos Estados contemporâneos. E vem a indagação: “Como acabarão esses Estados e o universo? Como se restabelecerá a paz social?” A resposta: “Penso que tudo isso ocorrerá da maneira mais simples. Sinceramente, todos os Estados, apesar do equilíbrio orçamentário e da ausência de déficit ficarão, uma manhã, definitivamente atrapalhados e todos se recusarão, até o último, baseados numa bancarrota universal”.


Segundo o diálogo, todos os homens conservadores do mundo inteiro se oporão, no entanto, à bancarrota, uma vez que são eles os acionistas e os credores e, em razão disso, jamais concordarão em admitir a falência. O texto ainda fala dos extratos que se encontram lá embaixo, na base da pirâmide e que se recusarão em participar do processo para reparar o desastre provocado pelos especuladores. “Depois disso”, diz um personagem, “sou incapaz de ler mais longe nos destinos que transformarão a face deste mundo. Mais do que isto, olha no Apocalipse...”Uma boa leitura para este final de setembro negro nas Bolsas do mundo.


fonte: Blog do Nildo , por Nildo Carlos Oliveira

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