26 de out de 2008

De São Paulo a Rio, em 88 minutos


Viagem imaginaria descreve como seria esse trajeto, utilizando o trem espanhol de alta velocidade – AVE, que recentemente inaugurou a ligação entre Madrid e Barcelona. Enfim, vamos nos livrar da Ponte Aérea!


A frente afunilada da locomotiva é inconfundível nos trens de alta velocidade – chamados com certo exagero pela imprensa de trens-bala desde seu lançamento no Japão, nos anos 60. Finalmente os brasileiros, após décadas aturando trens mal conservados, lentos e de horário errático, ficarão muito felizes com um trem rápido, pontual, operado por uma empresa privada.
Já na plataforma, antes mesmo de embarcar no trem, de seis vagões, é possível notar a diferença em relação a um saguão de aeroporto. Nada daquela multidão se acotovelando pelo único portão de embarque, esperando, com visível impaciência, a preferência dada aos idosos, portadores de necessidades especiais e família com crianças. Nos vagões do trem rápido, os passageiros se dividem entre as duas portas e embarcam rapidamente.
Na cabine da classe executiva, há fileiras de apenas três poltronas espaçosas, numeradas. Uma na janela de um lado, duas do outro lado, com o corredor no meio. Existe até um conjunto de quatro poltronas com mesa dobrável no centro, para grupos de passageiros. Espaço confortável, sem a claustrofobia característica dos aviões de Ponte Aérea.
Pontualmente, às 9 horas e 55 minutos, o trem dá partida.
Com as portas já fechadas, e os vidros duplos nas janelas amplas não se escuta mais o burburinho da estação ferroviária. O motor diesel da locomotiva produz um ruído semelhante a um automóvel de luxo. O trem rápido começa a acelerar, sem aqueles trancos dos trens antigos quando passam pelas juntas dos trilhos, que agora são soldados. Era até um som romântico, que a tecnologia tratou de remover.
Diferente do avião, que precisa nivelar em altitude de cruzeiro, antes de se iniciar o serviço de bordo – que hoje está mais para barra de cereais e refrigerantes – as simpáticas atendentes (pensamos em chama-las de rodomoças ou ferromoças) chegam rapidamente com os carrinhos para servir o café da manhã. No cardápio, prato quente de ovos mexidos e presunto, naturalmente incluído no preço da passagem. Na Espanha, há muitos passageiros que não dispensam um copo de vinho tinto no café da manhã!
As paisagens de colinas, plantações, bois e vacas nas pastagens, silos, sedes de fazenda, tratores arando a terra, vistas através de amplas janelas de vidro duplo e escurecidas, para cortar parte da insolação, trazem recordações nostálgicas do campo. Tudo muito diferente das aberturas ovais dos aviões, que se chamam também janelas.
Outra qualidade do trem é que não passa por áreas de baixa pressão, que produzem aqueles desagradáveis solavancos, nos aviões, levando o piloto a acender a luz de apertar cintos. Imagine a aflição do passageiro que, nessa hora, está no sanitário do avião. O único susto para os passageiros do trem é a entrada inesperada em túneis, que produz um baque peculiar, deixando o exterior escuro. Quando termina o túnel, as paisagens rurais recompõem o cenário nas janelas panorâmicas.
Imaginamos que no percurso entre São Paulo e Rio haja no máximo duas paradas – o problema não é o numero de paradas na realidade, mas o tempo que se perde para desacelerar, parar e acelerar de novo.
Para se ter uma idéia da praticidade do trem, o AVE na Espanha opera também no percurso entre Saragoza, ao norte, e Madrid. De avião, se gasta uma hora de vôo, mais meia hora, no mínimo, para o check-in, além de haver apenas dois horários pela manhã e dois ao final da tarde. De AVE, se gasta 1 hora e 20 minutos na viagem e o check-in é imediato quando se chega 15 minutos antes, numa ampla e moderna estação, onde há saídas de trens a cada hora.
Em um outro corredor operado pela Renfe com trem de alta velocidade, entre Segóvia e Madrid, existe um túnel de 30 km – um dos maiores túneis ferroviários da Europa –, escavado numa montanha, nas proximidades de Guaderrama. Podemos imaginar uma solução semelhante para atravessar a Serra das Araras, que precisa ser vencida pelo trem rápido antes de chegar ao Rio de Janeiro. Evidentemente, não é uma questão de engenharia, mas sim, de custo de construção.
Quando o trem rápido chegar ao Rio de Janeiro, é só apanhar a mala de mão e a mala grande no bagageiro do seu vagão, e, o sair em direção à fila do táxi. Nada daquela chateação de ir até o carrossel de malas do aeroporto, disputar um espaço entre os passageiros, e retirar a sua bagagem.
Em tempo, o único problema no trem rápido é se liberarem o uso do celular, como acontece no AVE na Espanha. Se você tiver a infelicidade de ter um vizinho que não para de falar no seu celular, adeus cochilo e privacidade. Afinal, não existe nada mais desconfortável do que ser obrigado a ouvir conversa alheia, já que muitos usuários de celular não têm a educação de falar baixo.
Com tudo isso, para o viajante freqüente, o trem rápido substitui com mais conforto a Ponte Aérea.
fonte: O Empreeiteiro
Data 11-06-2008
Edição > 464

Um comentário:

Sara disse...

Acho que coisas muito interessantes, espero em algum momento de ir para outra cidade tão rápido como coisas novas para comer também sempre procurar na internet onde comer antes de procurar por exemplo, comer em restaurantes de Itaim Bibi