10 de out de 2008

Instalações elétricas - Choque de economia

























esquemas: observa-se menor consumo de cabos em alta tensão.


Numa instalação elétrica predial, a mão-de-obra representa aproximadamente 40% dos custos, com os outros 60% compostos pelos materiais, especialmente o cobre. Dessa maneira, o primeiro ponto a atacar para reduzir custos é, justamente, o consumo de materiais.




Há casos, citados por especialistas, em que a economia beira os 15%. Isso representou, num caso real, cerca de R$ 200 mil a menos. As alterações de projeto necessárias para tal economia são tecnicamente simples, mas dependem de características do prédio e da concessionária fornecedora de energia, como veremos adiante.



Para reduzir custos com elétrica, antes de pensar nas instalações internas dos prédios, deve-se analisar a configuração do terreno para determinar a implantação, ainda mais com a crescente quantidade de torres em empreendimentos residenciais.




Isso porque um volume significativo de cobre é consumido na chamada corrente não-medida. Ou seja, entre o poste da concessionária e os medidores. "É o primeiro impacto nos custos", afirma o engenheiro Eduardo Pedreira Desio, da Prolux Engenharia. Na prática, ele pode evitar, por exemplo, que a torre fique a 500 m da rua, o que levaria a um consumo elevado de cobre.


As regras para a corrente não-medida são definidas pela concessionária local e, "infelizmente, não são universais para o Brasil, resultando em entraves absurdos para os custos", lamenta. O primeiro e mais significativo desses obstáculos é a limitação de tensão de entrada em empreendimentos residenciais. Para entender porque essa regra incha os custos, é necessário ter conhecimento da fórmula de potência e do efeito Joule. A fórmula em questão determina que a potência (P) é igual à corrente (I) multiplicada pela tensão (U). Logo, P = I.U.




Como a potência, medida em watts, é uma constante - pois depende dos equipamentos instalados na edificação -, o projetista de elétrica pode trabalhar apenas com as outras duas variáveis. É aí que começa o problema com o efeito Joule, que nada mais é do que a transformação da energia elétrica em calor, exatamente como em ferros de passar e chuveiros elétricos. O calor é gerado devido à resistência à passagem da corrente através do condutor, ou seja, dos cabos que trazem a eletricidade da rua para a central de medição do empreendimento.





A resistência elétrica de um condutor depende do material do qual é feito, de seu comprimento e de sua seção reta. Em termos, isso significa que a resistência à passagem de elétrons aumenta conforme aumenta o comprimento e diminui o diâmetro do cabo. Para simplificar, basta entender que cabos finos e compridos apresentam elevada resistência à passagem de correntes elevadas. Como já dito, o efeito Joule é a perda de eletricidade em forma de calor ao longo dos cabos. A fim de minimizar perdas financeiras decorrentes desse efeito, as fornecedoras de eletricidade limitam em 1% a perda elétrica entre o poste da rua e a central de medição do empreendimento.



Para respeitar essa regra, a física prevê duas soluções. A primeira é reduzir a corrente e, com ela, a resistência e as perdas com o efeito Joule. Se voltarmos à fórmula de potência, veremos que para reduzir a corrente é necessário elevar a tensão, pois são inversamente proporcionais.




Essa solução parece óbvia quando comparada à segunda, que implica a manutenção dos valores com aumento do diâmetro do cabo para, igualmente, diminuir a resistência. No entanto, como era de se esperar, aumenta o consumo de cobre, o item mais caro de uma instalação elétrica.


Então, por que não optar sempre pela primeira opção? Porque residências trabalham com tensões de 127 V e 220 V. Ora, então por que não utilizar, nos casos em que o custo fosse compatível, transformadores dentro dos empreendimentos para rebaixar a tensão próximo aos medidores e, assim, reduzir o efeito Joule? Porque as concessionárias, temendo eventuais problemas com os transformadores, proíbem seu uso em empreendimentos residenciais. "O ideal seria entrar no prédio em tensão primária - da ordem de 13.200 V -, facilitando a instalação de transformadores a seco, não a óleo", ilustra Desio. Segundo ele, o grande custo dos condomínios está aí, na distribuição da alimentação até os medidores. "As concessionárias, alegando segurança, criam regras e repassam o custo para os consumidores, esquecendo soluções já adotadas nos países desenvolvidos", critica.



"Sempre que possível, é recomendável elevar a tensão, pois algumas distribuidoras permitem alimentar circuitos independentes, com tensões diferentes", explica o engenheiro Roberto Barboza, da Sanhidrel. Assim, tensões médias alimentariam cargas concentradas com potência elevada, como o sistema de ar-condicionado e os elevadores.Voltamos, assim, aos primeiros parágrafos, que pregam a participação do projetista de elétrica desde a concepção do edifício, para adequação da implantação dos prédios no terreno de acordo com as regras da concessionária local.




fonte: Revista Techne.

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