26 de out de 2008

Revisada, norma NBR 14.718 está mais flexível



A edição revisada da NBR 14.718 - Guarda-Corpo para Edificações, publicada no final de janeiro pela ABNT, aproximou-se da realidade do mercado ao definir parâmetros para o produto e não mais para materiais ou detalhes de projeto. Esse grande avanço dá maior liberdade a projetistas, arquitetos e construtores.


O texto revisto pôs fim a uma queixa freqüente de fabricantes de guarda-corpos, consultores de fachadas e construtoras: a de que a norma não permitia muita liberdade de criação e inserção de detalhes em seus projetos. “Havia dificuldades para segui-la, tanto na realização dos ensaios, quanto no desenvolvimento dos projetos”, observa a engenheira Fabíola Rago Beltrame, coordenadora da Comissão de Estudos e consultora técnica da Associação Nacional de Fabricantes de Esquadrias de Alumínio (Afeal).


Os estudos para modificação da NBR 14.718 começaram em 2005 e consumiram cerca de cem horas de trabalho da comissão. Agora, o mercado brasileiro já pode contar com uma norma que nada deixa a desejar em relação às européias, já que a revisão se baseou em similares adotadas na Espanha, na França e em Portugal.


Esta primeira revisão da norma, cuja versão original foi publicada em 2001, estabelece a altura mínima obrigatória de um metro, a partir do piso, para os guarda-corpos, que podem ser de alumínio, aço, PVC, madeira ou vidro. “A norma ficou mais inteligente ao recomendar o material necessário, porém com mais engenharia”, destaca o consultor de fachadas Antônio Cardoso, da AC&D, que participou da Comissão de Estudos. Tentou-se, também, definir os parâmetros mínimos a serem respeitados e nunca determinar como fazer ou que tipo de material utilizar. No caso do vidro, por exemplo, que já tem norma própria, o item Materiais, subitem Elemento de Fechamento, cita apenas que seu uso e instalação como elemento de vedação em guarda-corpos deve estar de acordo com a NBR 7.199. Mas para qualquer situação deverá ser especificado vidro laminado. Também é importante destacar que não foi contemplado o uso de fechamentos envidraçados de varandas sobre gradis. Estes terão que atender à NBR 10.821, para esquadrias, além da norma em questão.

Com relação à segurança, uma das grandes preocupações da NBR 14.718:2008 é a especificação do material de ancoragem, fixadores e parafusos e a sua profundidade no concreto. Afinal, de que adianta um guarda-corpo de grande apelo estético, mas com os elementos de fixação corroídos, como ocorre em alguns edifícios residenciais, principalmente em locais de alta salinidade? “Existem parafusos de ligas de alumínio tão resistentes quanto os de aço inox, assim como os de aço galvanizado também encontram aplicações seguras. O importante é utilizar um parafuso que não corroa”, destaca Fabíola. Além disso, independentemente do tipo de material, o guarda-corpo precisa receber acabamentos superficiais que garantam sua durabilidade.


Estudos e testes


As discussões teóricas que alimentaram os estudos da comissão encarregada da revisão do texto da NBR 14.718 foram acompanhadas de testes realizados no laboratório do Instituto Tecnológico da Construção Civil (Itec). “Os métodos de ensaio ficaram mais bem definidos, assim como a forma de executá-los”, afirma Fabíola.


Os ensaios - esforços estáticos vertical e horizontal, e resistência aos impactos - são os mesmos, com valores diferentes e acrescidos de detalhes, indicando onde devem ser aplicadas as cargas e o seu valor. Nos pontos indicados, relógios comparadores de medidas lêem as deformações - antes, não havia indicação de quais eram os pontos de medida. Com a revisão, indica-se também uma carga extra para avaliar a segurança em caso de acidentes, como um carrinho de criança projetando-se contra o guardacorpo, ou de esforço extra, com diversas pessoas apoiando-se nele ao mesmo tempo. Os testes foram feitos com a participação de técnicos que atuam no laboratório Falcão Bauer.


Cardoso explica que, de acordo com o novo texto, o gradil não pode deformar, com uma carga inicial, mais do que sete milímetros, modificação que é quase imperceptível ao usuário. Com a carga dobrada, a deformação não pode passar de 20 milímetros, tendo que voltar ao ponto original imediatamente após a retirada do esforço. Num terceiro ensaio, simulando um eventual acidente, entra a chamada carga de segurança, quando ela é quase dobrada novamente. “Aqui é que entendo estar um dos pontos altos da revisão da norma: o gradil, nesse exemplo, pode se deformar até 150 milímetros - desde que o corpo de prova não ultrapasse para o lado externo - e até não voltar à origem, pois o usuário pode trocar o gradil semidanificado”, comenta Cardoso. Com isso, segundo ele, poupa-se o superdimensionamento e, como conseqüência, tem-se o benefício da segurança com o material equivalente.


Métodos de ensaios


O teste de impacto utiliza um saco de couro com 40 quilos, com esferas de vidro, semelhantes a bolinhas de gude. Elevado a 1,5 metro de altura, ele cai em movimento pendular sobre o guarda-corpo e causa um impacto com energia de 600 joules. O guarda-corpo pode até se deformar, mas não quebrar-se. O vidro pode quebrar, mas não abrir grandes espaços ou rombos. “Se o laminado não for de qualidade, até ele pode abrir um rombo perigoso”, destaca Fabíola.


Os guarda-corpos ornamentais, igualmente, não podem ter espaços muito grandes. Travessas horizontais não são permitidas desde a parte de baixo - o trecho inicial precisa ter um anteparo de pelo menos 45 centímetros. A mesma medida é aplicada aos gradis. Além disso, as distâncias verticais entre as grades têm que ser menores que 11 centímetros, para que entre elas não passe a cabeça de uma criança, por exemplo. Os ensaios de impacto para os guarda-corpos são os mesmos aplicados aos gradis. Nos ensaios, eles podem se deformar, mas não abrir espaços perigosos.


Os estudos para a revisão da norma começaram antes do prazo recomendado pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), que é de cinco anos. Havia uma forte mobilização do mercado para que isso ocorresse, reforçada por questionamentos do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado de São Paulo (Sinduscon/SP) em relação a alguns procedimentos sobre a galvanização dos guarda-corpos de aço. Os laboratórios fizeram ensaios segundo a norma NBR 14.718:2001 e começaram a ter dúvidas - por exemplo, onde aplicar as cargas de testes e onde colocar os equipamentos que avaliam deformações. “Faltavam detalhes na metodologia”, comenta Fabíola. Assim, o movimento em favor da revisão ganhou o apoio da entidade e de laboratórios. “O respeito a essa norma deverá aumentar em função de sua maior coerência”, afirma Fábio Gadioli, secretário da Comissão de Estudos e diretor da Igê Alumínio. Participaram da Comissão de Estudos consultores de fachadas e vidros, fabricantes de esquadrias, representantes de empresas da indústria da construção civil, técnicos do Itec e do laboratório Falcão Bauer.


fonte:

Texto resumido a partir de reportagem publicada originalmente em FinestraEdição 53 Junho de 2008

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