30 de nov de 2008

Aniversário do Blog ( 1 Ano e quase 25.000 visitantes)

foto: Como um dos temas principais deste Blog atualmente é Sustentabilidade, convidei um urso polar para participar da festa!!!

Há exatamente um ano atrás criei este Blog, a priori, apenas para pesquisar e divulgar assuntos relativos a construção entre os colegas de profissão distribuidos pelas construtoras de São Paulo.

De lá para cá muita coisa mudou. O tema que deveria ser restrito acabou sendo ampliado, parte devido à surpreendente variedade de pessoas que acessam esta página, média de 150 ao dia de vários locais do globo e com diversas formações e interesses. E outra parte devido aos meus estudos, que atualmente caminham para outros caminhos além dos assuntos de obra, que inspiraram inicialmente este blog e que continuam tendo um espaço de destaque em minha gama de interesses.

Interessante foi saber a quantidade de pessoas (acadêmicos, profissionais, curiosos) que estudam e buscam as mesmas respostas que procuro e que juntos pudemos trocar experiências neste período.

Enfim, agradeço a todos que de uma forma ou outra encontraram e leram meu Blog.

Muito Obrigado,

Renato Rigo

A crise e a revolução verde

foto: Degelo devido ao aquecimento global

Os dirigentes mundiais devem se lembrar que enfrentamos duas crises: a financeira, que é a mais imediata, e a climática que possui um caráter mais existencial. A urgência da primeira não é desculpa para se descuidar da segunda. Pelo contrário, é uma oportunidade para matar dois coelhos com uma cajadada só.


Deixemos de lado os argumentos habituais: que o conhecimento científico sobre as mudanças climáticas é claro, que o problema se agravará se não agirmos, que combater o aquecimento global é um imperativo moral. Em vez disso, procuremos argumentar em termos de pragmatismo econômico.


O crescimento mundial está mais lento. Os orçamentos estão mais limitados. É provável que tenhamos menos recursos para resolver uma lista cada vez mais longa de problemas. Que medidas podemos tomar para criar empregos e incentivar o crescimento? Como garantir o abastecimento energético a preços viáveis? Que devemos fazer para proteger o sistema financeiro mundial para que os povos de todos os países possam colher os benefícios do desenvolvimento e viver com estabilidade?


A resposta é encontrar soluções comuns para os graves desafios que enfrentamos. E no caso dos dois mais graves - a crise financeira e as mudanças climáticas - a resposta é a economia verde. Se nosso estilo de vida está ameaçado, temos que nos adaptar. Os cientistas concordam: precisamos de uma revolução energética, uma transformação no tipo de energia que utilizamos. Os economistas também estão de acordo: o setor onde se registra um crescimento mais rápido é o das energias renováveis.


Os filósofos pragmáticos nos lembram que o amanhã começa hoje. Sim, a crise financeira possui uma importância fundamental. Mas enfrentaremos um desafio igualmente importante no começo de dezembro, quando os países se reunirão em Poznan, na Polônia, para o próximo ciclo de negociações sobre a Convenção das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas. O seu objetivo é preparar o terreno para um importante acordo em Copenhague, em dezembro do próximo ano, quando os líderes mundiais se reunirão para negociar um acordo sobre mudanças climáticas que todos os países possam adotar.


Mas os desejos não se traduzem automaticamente em atos. Mas sejamos claros: é isso que as pessoas, as empresas, os investidores e os governos querem. De fato, isso já está acontecendo. O Pnuma (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente) calcula que o investimento mundial em energias que não geram gases do efeito estufa atingirá US$ 1,9 bilhão em 2020. No mundo inteiro, há quase dois milhões de pessoas empregadas nas novas indústrias de energia eólica e solar, metade delas na China. O programa de biocombustíveis do Brasil vem criando quase um milhão de empregos por ano. Na Alemanha, o investimento em tecnologias ambientais deverá quadruplicar nos próximos anos, atingindo 16% da produção da indústria transformadora em 2030, e empregando mais trabalhadores do que a indústria automobilística.


Não é necessário esperar que as novas tecnologias cheguem, nem nos preocupar excessivamente com os custos de ação. Alguns estudos revelam que os Estados Unidos poderiam reduzir as emissões de carbono por um custo baixo ou nulo, utilizando os conhecimentos existentes.


Podemos nos inspirar no caso da Dinamarca, que realizou grandes investimentos no crescimento verde. Desde 1980, o seu PIB aumentou 78%, tendo-se apenas registrado aumentos mínimos no consumo de energia. A Polônia conseguiu reduzir suas emissões em um terço nos últimos 17 anos, enquanto a sua economia se expandia. Para as empresas, este tipo de poupança traduz-se em lucros. Hoje as empresas européias do setor das tecnologias verdes estão usufruindo de vantagens consideráveis por terem sido as primeiras no mercado, representando um terço deste mercado.

Com as políticas certas e com incentivos financeiros, podemos ter crescimento econômico com baixo nível de emissões de carbono. Com as políticas e os incentivos certos, podemos garantir que os países desenvolvidos e em desenvolvimento contribuam para a causa da luta contra o aquecimento global, usando seus próprios métodos, sem comprometer o direito de cada país ao desenvolvimento e ao bem-estar econômico dos seus cidadãos.


Os empresários com visão mais clara sabem disso. Essa é uma das razões pelas quais exigem políticas claras e coerentes em matéria de mudanças climáticas - políticas mundiais para um problema mundial. Em Poznan e, posteriormente, em Copenhague, algumas pessoas procurarão obter limites rigorosos para as emissões. Outras preferirão metas voluntárias. Muitas pedirão políticas destinadas a reduzir o desmatamento, que é responsável por cerca de um quinto das emissões de gases do efeito estufa. O investimento de US$ 17 a US$ 39 bilhões por ano seria suficiente para reduzir esta quantidade pela metade e incentivaria a criação de empregos relacionados com a proteção do meio ambiente em países tropicais como a Indonésia.


Infelizmente, não podemos escolher. Necessitamos de todas estas abordagens. Mais ainda, precisamos de liderança - uma liderança esclarecida - e de uma visão mundial acompanhada de ação. A atual crise financeira é um alerta. Requer idéias novas. Exige soluções inovadoras que levem em consideração os grandes desafios que enfrentamos como comunidade global. Não é um convite para adiar o que é necessário fazer para garantir nosso futuro. Não há mais tempo a perder.
fonte: Valor Econômico
Ban Ki-moon é secretário-geral das Nações Unidas. Susilo Bambang Yudhoyono é presidente da Indonésia. Donald Tusk é primeiro-ministro da Polônia. Anders Fogh Rasmussen é primeiro-ministro da Dinamarca.

Desastres conservados

foto: família durante a enchente em Santa Catarina


Já falam nos bilhões do prejuízo com a atual calamidade. Mas o que valem em comparação com uma casa perdida?


Há exatos 25 anos, um dos governadores recém-vitoriosos na primeira eleição sem restrições, ao apagar da ditadura, irrompeu na notoriedade nacional com o espetáculo de sua ação em uma calamidade feroz. Era a nova figura de Esperidião Amin, que se deparou, mal estreara, com os horrores da enchente gigantesca no mesmo Vale do Itajaí e cercanias agora vitimados. As providências de engenharia, para prevenir o desastre das vazantes excessivas, começaram a ser definidas ainda antes de baixadas as águas e logo asseguradas pelo governo federal (Santa Catarina não teria recursos para tanto).


No quarto de século decorrido desde então, as enchentes cumpriram com regularidade a sua programação anual, concedendo apenas na intensidade variável das suas perversidades. Mas, sempre, cada uma delas configurando a advertência do que poderia vir no ano seguinte. Assim atravessaram os dois anos finais da ditadura com Figueiredo, os dois anos de Collor, o mesmo de Itamar, cinco de Sarney, oito de Fernando Henrique e, já se pode dizer, seis de Lula.


Os ministérios incumbidos das obras mudaram de nome, cresceram nos bilhões das moedas que mudaram de nome, o regime mudou de nome, mudaram dezenas de nomes de ministros como se não houvesse nem um. E o legado de tudo isso foi manter em perfeitas condições as características topográficas, geológicas, fluviais e habitacionais adequadas a novas calamidades.


Já falam, por aí, nos imaginados bilhões do prejuízo com a atual calamidade. Mas o que valem esses bilhões em comparação com a casa perdida por uma família que dedicou tanto da vida a consegui-la, a dar-lhe os bens simplórios que nunca se completam? O custo da orfandade daquela criança, de qualquer criança, cabe nos bilhões do prejuízo citados pelos técnicos e pelos governantes? E os filhos esmagados, sufocados na lama, sumidos nas águas, que valor os técnicos e governantes dão à sua perda pela mãe, pelo pai? Ou não pensaram nisso?


Em proporções que só representam calamidade para os atingidos, e apenas um registro rápido nos noticiários, os desatinos da natureza repetem-se pelo país todo, o ano inteiro. Grande parte seria evitável ou poderia ser atenuada, muitos são objeto de velhos projetos preventivos, mas seguem se repetindo como se fossem uma fatalidade acima do poder humano. É que estão abaixo do poder dos interesses. Eleitorais, comissionais, negociais. Lidam com vidas irreconhecíveis, por não terem presença social, como classe.


No atual desastre catarinense, duas ilustrações resumem o governo. O ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima, a quem caberia rápida reação já aos primeiros sinais da calamidade, foi de uma lerdeza muito expressiva, digna de um garçom baiano como ele. É até improvável que soubesse o que é e onde é o Vale do Itajaí. Lula, por sua vez, só ontem se dispôs ao esforço de dar um pulo em Santa Catarina. E assim mesmo porque também ontem recebeu duras críticas por sua distância apática. Críticas acompanhadas da observação de que essa é a sua conduta costumeira nas calamidades e tragédias.

fonte: Jânio de Freitas - colunista / Folha de São Paulo

O futuro parece a idade da pedra!

foto: Extração de Mármore com degradação ambiental


A RA, revista publicada desde o ano passado pela Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro, publica em seu último número uma reportagem sobre a chegada do noroeste fluminense à idade da pedra rachada. Essa notícia não é tão curiosa quanto o fato, em si, de que os deputados estaduais, esparramando-se num conglomerado jornalístico, já têm até revista. O que a torna irresistível é o título: Futuro Lapidado.


Ou seja, vem aí mais uma jóia do empreendedorismo nacional. Vale a pena abrir a revista para o que é. Trata-se de uma história otimista, em oito páginas, da ruína ambiental de 13 municípios que, tendo devorado tudo o que era possível tirar de seus territórios, roem atualmente a ossada mineral. Tudo aquilo foi região cafeeira até meio século atrás. Quando o solo se esgotou, subiu as encostas desertadas pelo café o gado rústico, apto a ruminar tufos de capim seco em pastos calvos.


Pedra pura

De vinte e poucos anos para cá, nem o boi agüentou. E o futuro a economia local foi tomando outra forma – mais bruta. Bastava correr os olhos pelos morros nus, com o substrato exposto, para ver os recursos naturais faiscando no chão tostado. E era pedra limpa, pronta para o corte.
Os fazendeiros chegaram a esse tesouro ela pelo mesmo desvio que levou os nativos da ilha de Páscoa, isolados no meio do Pacífico, ao canibalismo. Primeiro, eles se livraram de todas as árvores. Sem madeira, não tinham mais barcos para pescar. Sem peixe, passaram a comer ratos silvestres. Até deixarem nos sítios arqueológicos vestígios de carne humana em sua dieta.


No caso do estado do Rio, felizmente, havia as pedras. Elas hoje empregam seis mil pessoas, rendem 75 milhões de reais por ano e sustentam 300 pedreiras. Como declarou o ex-lavrador José Mauro à RA, “pedra é muito melhor”. Seu único inconveniente é a informalidade. Dois terços dos trabalhadores que ela emprega – por exemplo, “a R$ 2 por metro quadrado de lajotas rachadas à mão” – nunca viram a cor de uma carteira assinada. Raros usam botas, luvas, capacetes e outros equipamentos de segurança. Ou, pelo menos, “têm o primeiro grau completo”.

Licenciamento ambiental

E, produto de uma imprevidência apocalíptica, a indústria da pedra nasceu poluente e relaxada. Quando o Ministério Público resolveu legalizá-las, 30 empresas locais não tiveram salvação. Sem contar que “havia um grande número operando na clandestinidade”. Outras 155 assinaram termos de ajustamento de conduta, para continuar funcionando. E com isso seus pequenos empresários, que nisso pelo menos se comportam como os grandes, ganharam o direito de se queixar que seu “grande gargalo é o licenciamento ambiental, que demora a sair”.


Mas nada disso valeria a leitura da revista, se a reportagem não viesse escoltada pelo editorial do deputado Jorge Picciani, em pessoa. Como presidente da Assembléia, ele apresenta a história como um atestado da “recuperação econômica dos municípios fluminenses, por obra e graça do Legislativo, e um exemplo de “solução encontrada para os problemas ambientais gerados pelo desenvolvimento do setor”.


Fala de cátedra. Legítimo representante da auto-complacência brasileira, Picciani também é pecuarista. Tem fazendas no estado do Rio e no Mato Grosso. Há cinco anos, a Polícia Federal apanhou-o em flagrante de trabalho escravo, nas terras de São Félix do Araguaia. Usava essa mão de mão-de-obra semicativa para fazer desmatamentos ilegais. Por sorte, um dos contratados tinha só 17 anos e essa irregularidade extra valeu-lhe a prerrogativa de responder ao processo sob segredo de Justiça, porque o caso envolvia um adolescente.


Ele andava esquecido. Agora a RA, por tabela, destampou-o. Mostrou, sem querer, que a política brasileira não precisa de denúncias. Seus artefatos de propaganda dão de sobra para alertar a opinião pública.

fonte: O Eco - Marcos Sá Corrêa é jornalista e editor do site O Eco (www.oeco.com.br)28/11/2008

Criando Cidades Sustentáveis




Com o propósito de fazer com que nossas comunidades e cidades sejam mais sustentáveis, deve-se seguir construindo, fomentando e mantendo uma cultura política de compromisso comunitário, participação dos interessados e criação de consensos.


Este foi o centro dos processos da Agenda Local 21 no mundo.Na década pós-Johannesburgo, os governos locais comprometeram-se em mais adiante, além do planejamento do desenvolvimento e abordar fatores específicos que impedem que muitas cidades e comunidades alcancem a sustentabilidade: temas como a pobreza; a injustiça, a exclusão e o conflito; os ambientes insalubres e a insegurança.Foram definidos quatro áreas focais iniciais para avançar na criação de comunidades e cidades sustentáveis de forma ativa:

1) Economias locais viáveis;

2) Comunidades justas, pacíficas e seguras;

3) Cidades eco-eficientes;

4) Comunidades e cidades resilientes.

fonte:http://www.iclei.org/

26 de nov de 2008

Como funciona a neutralização de carbono ?


Com bandas como Coldplay e Pink Floyd lançando álbuns neutros de carbono, companhias aéreas como a Silverjet querendo a neutralidade de carbono e uma crescente tropa de celebridades mostrando seus estilos de vida de pouco carbono, nos perguntamos como todos eles fazem isso. Como as bandas, empresas e pessoas cancelam uma emissão que parece inevitável? A neutralização começa com a medição da sua pegada de carbono e a avalização de como será a redução. É um esforço concentrado para produzir menos lixo e usar mais energia renovável. Depois de alcançar seu limite da redução ou do conforto, outros mecanismos sobre a compensação ou neutralização de carbono de outros projetos ou empresas pode fazer o resto.

A compensação de carbono é um comércio. Quando compra um produto que adere à neutralização, você financia projetos que reduzem emissões de gases do efeito estufa (GEE). Os projetos podem ser de reflorestamento, ampliação ou mudanças em usinas elétricas e fábricas ou aumento da eficiência energética de prédios e transportes.

O mercado de compensação de carbono permite que você pague para reduzir o GEE mundial total em vez de fazer reduções radicais ou impossíveis sozinho. As emissões GEE se misturam rapidamente no ar e, diferentemente de outros poluentes, se espalham por todo o planeta. Por isso, não importa onde as reduções de GEE ocorram. Importa apenas que menos carbono seja jogado na atmosfera.

A participação no mercado de compensação de carbono é voluntária. As pessoas e empresas podem comprá-los para reduzir suas pegadas de emissão de carbono ou melhorar sua imagem ambientalista. O mercado de compensação de carbono pode neutralizar atividades específicas como viagens aéreas e terrestres ou eventos como casamentos (em inglês) e conferências.

Alguns ambientalistas duvidam da validade e eficácia do mercado de compensação e, por ser um mercado crescente, é difícil julgar a qualidade dos fornecedores e projetos. As árvores nem sempre vivem uma vida inteira, projetos de compensação (para a contenção a longo prazo de emissões) às vezes falham e empresas de consultoria, às vezes, enganam seus clientes. Além disso, atividades voluntárias podem facilmente se tornar uma desculpa para se comportar mal sem se sentir culpado por isso.

A compensação de carbono, entretanto, aumenta a consciência sobre a diminuição do GEE no mundo. Aprenderemos neste artigo como a compensação de carbono reduz as emissões globais.

fonte: How Stuff Works - por Sarah Dowdey

O que é um telhado ecológico?

O telhado ecológico do City Hall de Chicago ajuda a resfriar o prédio e a minimizar o escoamento de água

Os telhados ecológicos complementam a vegetação tradicional sem atrapalhar a infra-estrutura urbana - eles pegam um espaço abandonado e o tornam útil.

Esses telhados duram mais do que os convencionais, reduzem os custos de energia com isolamento natural, criam refúgios tranqüilos para pessoas e animais e absorvem a água da chuva, diminuindo bastante a necessidade de sistemas de drenagem complexos e caros. Em uma escala mais alta, os telhados ecológicos aumentam a qualidade do ar e ajudam a reduzir o efeito da Ilha de Calor Urbana, um fenômeno em que o crescimento das cidades e dos subúrbios faz que o calor seja absorvido e armazenado.

As camadas de um telhado ecológico precisam, como as de qualquer outro telhado, favorecer a drenagem e proteger a construção dos elementos da natureza por meio de uma membrana à prova d'água. Elas também precisam, no entanto, criar uma área de crescimento e oferecer apoio, irrigação e barreiras para a proteção das raízes, ao mesmo tempo que se mantêm o mais leve possível.

Existem dois tipos de telhados ecológicos: os intensivos e os extensivos. Os intensivos são basicamente parques elevados. Eles conseguem sustentar arbustos, árvores, passagens e bancos com suas camadas para suporte estrutural complexo, irrigação, drenagem e proteção das raízes. A média de crescimento de 0,31 m, ou mais, é necessária para um telhado ecológico intensivo cria um peso de 36 a 68 kg por 0,09 m². Os telhados ecológicos extensivos são relativamente leves, com o peso de 7 a 23 kg por 0,09 m². Eles sustentam uma cobertura de solo nativo forte que exige pouca manutenção. Os extensivos geralmente existem apenas por seus benefícios ambientais e não funcionam como jardins de cobertura acessíveis.

Uma das coberturas ecológicas mais famosas dos EUA, a do City Hall de Chicago, reúne sistemas extensivos, intensivos e intermediários semi-intensivos em um telhado reformado. Sob a orientação do prefeito, o programa piloto City Hall do Departamento de Meio Ambiente da cidade de Chicago (em inglês) promoveu o esforço da cidade inteira para apoiar os sistemas de cobertura ecológica, com incentivos e doações.

fonte: How Stuff Works, porpor Sarah Dowdey

23 de nov de 2008

Cultura sustentável


Evolução da engenharia construtiva e dos projetos demanda questionamento de processos e padrões estabelecidos

UALFRIDO DEL CARLO

Graduado em 1963 pela Universidade de São Paulo, passou dois anos no CSTB (Centre Scientifique et Technique du Bâtiment), na França, como técnico de nível superior. Atuou na implantação de laboratórios de análise de conforto ambiental no IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo), onde foi Chefe de Agrupamento. Desde 1994 pesquisa e atua na área de sustentabilidade das edificações e sustentabilidade na arquitetura e urbanismo, sob enfoque do desempenho. Hoje, testa em sua própria casa algumas das soluções que defende.

Ao receber a reportagem de Téchne em sua casa, um laboratório prático de soluções sustentáveis, o engenheiro Ualfrido Del Carlo iniciou a conversa pontuando que a engenharia moderna é obrigada a trabalhar com três variáveis que foram historicamente ignoradas: responsabilidade ambiental, responsabilidade social e sustentabilidade. Conseqüentemente, a evolução do raciocínio leva a extrapolar o tripé, formado por matéria, processo e forma, que sustenta a atividade da Engenharia.

É fundamental à nova engenharia, segundo explica, considerar a quarta variável, o significado. Para tanto, deve questionar processos, padrões e imposições culturais em busca da função e da simplificação das soluções. Trata-se, afinal, de aproximar a engenharia das reais necessidades humanas, principalmente porque a construção civil é protagonista no cenário de poluição ambiental. "As organizações humanas precisam passar por uma mudança fundamental para se adaptarem ao novo ambiente empresarial e tornarem-se sustentáveis", resume. Logo, a noção de sustentabilidade envolve conceitos mais amplos, que integram homem, meio ambiente e edificações. Assim, além de contar com projetos concebidos a partir de novos conceitos, a engenharia sustentável tem alternativas aos processos convencionais também para preservar o homem, mecanizando processos. Apesar de haver um panorama mundial favorável, Ualfrido acredita que a construção civil será o último setor a adotar uma nova postura, pois nem mesmo o meio acadêmico compreende alguns dos conceitos fundamentais à engenharia.

Quais questões devem ser respondidas para que um produto ou processo possa ser classificado como sustentável?
A engenharia sustentável procura responder se as matérias-primas vêm de mineração e processos que respeitam o meio ambiente e as relações sociais; se os processos industriais são de baixo impacto ambiental e social; se os produtos garantirão ao usuário facilidade de uso com baixo impacto ambiental e social durante toda a vida útil; e se, ao fim da vida útil, será possível reciclar com lixo zero.

Com base nisso, a engenharia tem que se recriar?
Com o preço de energia e água aumentando, tem que pensar em economizar. Por exemplo, a cada 5 kg de cobre são gerados, na mina, 955 kg de sucata contaminada com metal pesado, que afeta o lençol freático. É preciso também atentar para lesões nos operários e populações vizinhas à mina. Para ser sustentável, tem que saber se não há crianças trabalhando na mina de onde vem o carvão para sua churrasqueira. Há projetos de arquitetura que têm conceitos de sustentabilidade muito interessantes, mas que não respondem a tudo isso.

É responsabilidade da empresa construtora responder a essas perguntas?
Deveria ser, mas a própria sociedade, por desconhecimento, se sujeita a comprar coisas totalmente fora das regras de produção. O consumidor pode ser alertado para mudar de postura ao sentir a necessidade da sobrevivência.

Sustentabilidade e custo de manutenção e operação se relacionam de alguma forma?
Tem uma palavra antes, que é durabilidade. Depois, a qualidade tem que ser alta e a manutenção barata e fácil de fazer, com linguagem universal para adaptar novos produtos. Tem que considerar durabilidade, operação e manutenção.

É possível avaliar a sustentabilidade de um edifício a partir dos custos de operação e manutenção?
Nenhum edifício atingiu ainda a sustentabilidade, mas podem ser avaliados pela economia de água, uso de água de chuva, uso de materiais de menor impacto, facilidade de reciclagem, em como ajuda o usuário a fazer reciclagem e manutenção.
Então a sustentabilidade também depende da capacidade de se adaptar?
De ser flexível, de usar materiais fáceis de reciclar e reutilizar, de fácil manutenção e que utilizam todas as fontes disponíveis e renováveis. Ainda é tênue, mas é o caminho.

Podemos dizer que a flexibilidade de ambientes aumenta a vida útil dos edifícios?
A flexibilidade de ambientes é um mito. O Centro Pompidou, na França, todo desmontável, é modificado raramente porque dá um trabalho danado mexer nas paredes. É difícil alguém mudar pra valer, e fazer tudo móvel para um dia colocar uma porta é antieconômico. Flexibilidade é importante para edifícios de laboratório, hospitais, indústrias, onde as técnicas mudam muito.
Em apartamento ninguém mexe depois que está pronto. Não vale a pena ser flexível, pois é mais barato o homem mudar do que mudar a parede.

É uma necessidade criada pelas construtoras?
É mais barato e fácil fazer coisas que parecem flexíveis. Mas essa flexibilidade toda não vai ser usada. O homem é tradicional e não quer mudar muito.
A engenharia sabe o que é sustentabilidade?
Tem projetos um pouco melhores, buscando certificação Leed [Leadership in Energy Environmental Design], mas a engenharia brasileira não consegue entender alguns conceitos. Em uma conferência sobre a construção de piscinões em São Paulo eu disse que não precisavam ser construídos desde que algumas ruas fossem despavimentadas.
Como assim?
Ao despavimentar as ruas de um bairro residencial, colocando manta drenante, cascalho e areia, tudo passa a drenar e não precisa construir piscinão nenhum. Claro que isso não pode ser feito em grandes avenidas, mas poderia se tirar o pavimento de toda ilha de concreto ou rotatória e plantar grama para ajudar a segurar água. É mais barato do que asfalto e resolve o problema, pois é necessário diminuir em apenas 10% a carga sobre o sistema de drenagem.

Se não há compreensão sobre os conceitos de sustentabilidade, então os edifícios intitulados sustentáveis não seriam aprovados numa avaliação rígida?
Nenhum passa nem pelo primeiro crivo. Primeiro porque não temos tecnologia. Depois porque, apesar de algumas restrições, esquece-se de outras. Por exemplo, o salário de quem trabalhou para construir o edifício é aviltante e escravatício, não condiz com a mão-de-obra e há esforços inúteis decorrentes da não-mecanização do processo. Mesmo com bombas de concreto e outros equipamentos, ainda vemos muito operário carregando fôrma de um andar para o outro pela fachada. Não atendem ao primeiro ponto, que é a sustentabilidade humana.
A noção de sustentabilidade tem que ser ampliada.Um edifício tem sistema para coleta de água de chuva, mas não trata. O outro trata, mas não se preocupa com energia. A segurança contra incêndio é um desastre no Brasil. Os prédios são mais modernos, mais econômicos, têm elevadores inteligentes e tudo, mas falta uma porção de coisas. E começa na mina. Se algum trabalhador foi explorado em algum lugar, já não funciona. Uma coisa depende da outra. Mesmo que se preocupe com água, pagou um salário ridículo. Isso quando registrou. É preciso cuidado, porque a sustentabilidade passa por variáveis das quais os engenheiros não gostam.

Como, por exemplo, desenvolvimento humano.A reciclagem de 90% das latinhas de alumínio é anti-sustentável porque conta com uma mão-de-obra que se contenta em ganhar R$ 100 por mês garimpando latinha. Temos de questionar à custa de quê avançamos em certos aspectos de sustentabilidade. Isso é engenharia humana. Se o salário mínimo fosse de R$ 25 por meio-dia de trabalho, queria ver se os construtores usariam mão-de-obra pra carregar saco de cimento.
Seria imperativo sistematizar processos?
Teriam de usar equipamentos para produzir em dois dias o que se produz em cinco. Atualmente as instalações são feitas quebrando parede para passar cano, depois o fio e os componentes para, ainda, errar os fios na caixa.
Alguém prova para mim que não é assim?
Tem que ser com chicote para instalar rápido e pagar R$ 4 mil por mês ao operário, que vai fazer 20 apartamentos por dia. Não existe edifício sustentável porque tem exploração humana no sistema, que é baseado num custo baixo de construção.

Para pagar mais ao operário é necessário aumentar a produtividade?
Se o operário ganhar bem, tem que sistematizar ou não dá para pagar. É injusto pagar R$ 500 por mês para um operário empilhar tijolinho o dia inteiro. É porque tem escravo, ou então só milionário poderia fazer casa assim. Europa e Japão, que estão em outra fase de industrialização, trabalham com painéis parafusados.

Então a construção industrializada é mais sustentável?
Não necessariamente, mas tende a ser por restringir os problemas à indústria, onde são minimizadas perdas de materiais. No entanto, se o processo for o mesmo, com fôrmas mal-feitas e operários malpagos, dá na mesma. Como não é o normal, a industrialização leva à sustentabilidade e à diminuição do esforço humano.
Pensar no processo produtivo dos materiais é parte do projeto?
Tem que criar um repertório dos materiais e seus impactos, além de considerar o tipo de usuário e suas necessidades. Os melhores materiais, que devem ser preferidos do ponto de vista ambiental, são aqueles vivos, como é o caso da madeira, e os à base de óleos naturais ou água. A madeira é um grande material, mas só usamos para telhado, com dimensões exageradas. Pisos de linóleo, que vêm da linhaça, são espetaculares, duram muito e são totalmente recicláveis.

E com relação a materiais que não são naturais?
Há os que exigem muita energia, mas que são fáceis de reciclar, como alumínio, aço e vidro. Também há materiais que, embora fáceis de reciclar, têm problemas ambientais, como o plástico. Os complexos, como o concreto, são complicados de se reutilizar.
Qual o problema com o concreto?
É espetacular, mas é um problema. Em uma caixa de madeira ou aço coloca-se areia, retirada de um rio, pedras, que acabaram com uma montanha, além de uma estrutura de aço e água. Isso tudo nunca vai voltar a ser o que era. É importante entender que não é sustentável, embora diminua o impacto ambiental, usar o entulho de concreto para fazer piso de estrada ou qualquer coisa.

Tem que voltar a ser o que era antes?
Como o caos é mais barato que a organização, é seis vezes mais caro reciclar do que jogar no lixo comum. A engenharia do futuro tem que se propor a crescer sem aumentar o consumo de material nem jogar nada fora. Não adianta picar pneu para usar em concreto. Tem que picar para fazer pneu. Senão não é sustentável, embora ambientalmente mais correto.

E é possível minimizar os efeitos desse ciclo?
Claro, usando materiais naturais em vez de sintéticos, materiais inorgânicos e de fácil reciclagem, como vidro, que dura muito, alumínio, ferro. Mas tem que tratar direito, proteger. E, ao reciclar, tomar cuidado pra aproveitar completamente. Sustentabilidade é um processo contínuo de aprendizado das novas tecnologias, sempre com a quarta variável, o significado.

Qual a importância do significado?
Não se pode impor uma norma porque não será obedecida. É como usar EPI [equipamento de proteção individual]. É questão de ensino, de significado, simbologia e cultura.
Que materiais a construção deveria condenar?
Não condenar, mas usar de forma diferente, na quantidade certa para obter a inércia necessária. Tem alguns materiais, como o PVC, que liberam fosgênio durante a queima. É o gás usado na primeira guerra para matar pessoas. Produtos químicos voláteis e alguns preservantes também devem ser evitados, como os à base de arsênico. Tintas à base de chumbo podem estar causando morte lá na origem. Têm cimenteiras sem os filtros necessários matando operários e a população do entorno com silicose. Alguns amiantos exigem mais cuidados.

Nesse contexto, qual a importância dos selos de certificação ambiental para produtos?
Selos são importantes, mas tem que se tomar cuidado e ter controle da qualidade. Não pode ser um certificado que vale para a amostra, mas sim para o sistema de produção. No entanto, o baixo volume de produção no Brasil não justifica fazer ensaio toda hora, o que dificulta a manutenção do controle da qualidade.
De que maneira um selo pode auxiliar na manutenção do controle da qualidade?
No Brasil, um selo de 1970 vale até hoje. A França introduziu um selo que avalia o edifício a partir do processo evolutivo, em que as exigências aumentam com o passar dos anos. Então, não é garantido que vai manter a certificação daqui cinco anos. Impõe a necessidade da inovação e do aprendizado no tempo, preparando para a geração futura de edifícios, que eu não sei se nossas construtoras vão fazer. O selo tem que evoluir com a tecnologia ou o fabricante não quer que as normas mudem para não perder o selo.

E qual a importância do volume de produção?
Para manter fiscais que entendem do processo e ganham bem. Não estamos preparados e não temos cursos dessas coisas. Não existe esse profissional, assim como não há engenheiro ambiental. Tem cursos de pós-graduação, mas muito rudimentares. Sem escala, não há cursos para formar engenheiros que avaliem projetos, alguém que sabe analisar, a partir da norma, do certificado e que seja aberto a inovações. Um engenheiro da prefeitura aprende lá dentro a avaliar, o que é um desastre do ponto de vista da sustentabilidade.

Os fabricantes têm materiais eficientes?
Alguns produzem até sem saber que são eficientes. Não há engenheiro de madeira no Brasil, alguém capaz de dizer como uma tora deve ser desdobrada para obter o máximo de rendimento. O produto é nobre, de baixo impacto ambiental, mas foi tirado da floresta sem muito critério. Aqui, talvez porque o mercado seja pequeno, ainda falta algo.

Os fabricantes deveriam ter um sistema de coleta dos sacos de cimento entregues à obra, por exemplo?
Deveriam cobrar uma taxa por saco não devolvido. Com pilha é igual. Ao devolver, recebe de volta. Se não devolver, arca com o prejuízo. O sistema tem que ser mais agressivo.
E jogar a responsabilidade para o consumidor?
Não, no bolso dele.
Os projetistas brasileiros têm capacidade de desenvolver projetos sustentáveis?
Estamos mais atrasados que os outros, mas acho que ninguém no Mundo tem. Há escritórios fazendo esforços para se atualizar, mas as escolas não ensinam. Na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo há uma disciplina optativa de sustentabilidade, por onde passam 30 alunos de 600. E todas as engenharias têm problemas de sustentabilidade.

O senhor afirmou, anteriormente em entrevista à Téchne, que os profissionais fogem de análises de variáveis conflitantes. De quê decorre essa fuga?
Primeiro porque vêm de uma sociedade perdulária. Ao entrar na faculdade o aluno ganhou um carro sem nunca ter discutido a necessidade do carro. Na faculdade, ninguém ensina pra ele que um sistema sustentável faz em meia-hora o que os outros fazem em cinco. Tem aula de desenho, matemática, física, conforto, mas jamais sustentabilidade. Essa palavra não existe.
E quanto às imposições de mercado baseadas em padrões culturais?
O primeiro grande problema é fazer com que as pessoas pensem em viver mais simples, destruindo menos o meio ambiente. É difícil porque é uma sociedade de consumo exigindo mudanças violentas de comportamento.
Quando essa consciência chegará à construção civil?
A construção é o mais retrógrado dos setores e foi o último a buscar o Total Quality Control, a ISO 9000. Existe tanta simbologia embutida na casa, no lugar de trabalho, na altura do prédio, que será o último a padronizar as operações, seja no Brasil ou no Japão. É muito mais fácil criar um sistema de reciclagem de automóveis, como fez a Mercedes, que recicla 90% do carro, do que de edifícios.
Isso devido à cultura?
É uma mistura de cultura com padrões muito estabelecidos. O Japão precisou de uma grande crise, também imobiliária, para mudar. A nossa crise vai chegar, resta saber quando, pois estamos vendendo apartamento a torto e direito sem escolher muito bem os credores. E economia é o próprio sistema insustentável.

As coberturas das nossas construções ainda são um desastre?
Existe tecnologia, mas os telhados vazam no Brasil. Um dos grandes problemas é a falta de manutenção. O futuro está nas coberturas verdes, com jardins, menos agressivas ao ambiente por aumentar a inércia e melhorar a isolação térmica. Com menos sol, os materiais duram mais. Mesmo assim, tem que ser fácil de renovar a impermeabilização a cada dez anos.

Nossos projetos de cobertura são mal concebidos?
As vigas geralmente têm um tamanho absurdo, com duas vezes mais madeira do que o necessário. E as tesouras no Brasil têm caibro no meio, o que não se faz. Tem que ser um "W" para descarregar fora do meio e dar menor momento, diminuindo o vão e exigindo menos madeira.

Quais os principais problemas das nossas fachadas?
Não existe face ruim, existe projeto ruim. Temos que usá-las ativamente, para aproveitamento de energia, e não apenas como proteção passiva. Podemos colocar painéis solares na face oeste, que tem muita radiação e sofre com problemas de aquecimento.

Deveríamos explorar melhor a incidência do sol?
Sem dúvida. Meu filho está reformando seu apartamento e o projeto, de 20 anos, diz que a laje do terraço tem que ter cor de cimento. Ele pintou de branco para diminuir a quantidade de lâmpadas e tomou uma bronca do condomínio. No entanto, se fechar com vidro pode pintar, o que só pode ser brincadeira, já que é face oeste e, ao fechar, vai criar um efeito estufa. Não há modernização da mentalidade coletiva. Existem regras sociais que fazem todos andarem juntos, como gado, e serem incapazes de pensar.

Qual deve ser a relação da cobertura e da fachada com o meio? Aumentar a inércia térmica, com paredes verdes, por exemplo, é o mais adequado?
Certamente, mas que seja efetivamente verde, plantada, para sombrear o prédio. Há dois mil anos os árabes fazem paredes externas espessas para, com o frio da noite, a parede esfriar e não dar tempo de o calor do dia passar. E no meio havia um chafariz pra aumentar a umidade interna. O homem já fez todas as experiências, é só copiar e aplicar a tecnologia que temos hoje. Podemos usar inércia do solo.

Algum projeto atual adota solução semelhante?
A sede da prefeitura de Fukuoka, no Japão, projetada pelo arquiteto Emilio Ambasz, é um exemplo que ganhou um concurso internacional. Uma das fachadas é uma praça, verde, com vários patamares, janelas e queda d'água. Do outro, é um prédio semelhante aos demais. Outra coisa, adotada em países muito secos e que seria interessante para o Nordeste, por exemplo, são evaporadores para refrigerar casas.

É possível equacionar incidência solar sem gerar calor no ambiente?
Ao fechar um ambiente, a tendência é aumentar a temperatura. Com ventilação e evitando a entrada de muito calor e aglomerações, pode deixar a temperatura muito próxima à externa. É possível administrar, por exemplo, fazendo com que o prédio tenha massas significativas e necessárias à inércia. Ao usar divisórias leves, a tendência é que a temperatura oscile de acordo com a externa.

O conforto ambiental pode ser alcançado em qualquer projeto ou é exclusividade de obra cara e complexa?Pode ser alcançado sempre. É possível fazer paredes de terra socada com 40 cm de espessura, garantida por 500 anos desde que protegida da água. Depende 90% de projeto, 10% de equipamento. Efeito estufa é o que mais acontece em edificações, principalmente nesses prédios com fachadas de vidro, o famoso pano de vidro. É um negócio perigoso.

Essa alternativa deveria ser banida?Pode ser melhorada, porque ou me defendo ou aproveito a energia do sol. Percebe a diferença?
No exterior, painéis solares nas fachadas geram energia ou aquecem água ao mesmo tempo em que são janelas. Existem vidros modernos, que mudam de cor ou são espelhados para diminuir o consumo de energia, embora exista o problema do reflexo.
No meio acadêmico é mais fácil difundir soluções alternativas em favor da sustentabilidade?
Já mandei projetos para a Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) que foram rejeitados por não terem utilidade. Quis fazer avaliação ambiental de toda a USP (Universidade de São Paulo) e propus fazer coberturas verdes em todos os prédios. Com um milhão de metros quadrados, iria gerar 70% da energia e 100% da água que a Universidade precisa. Alegaram que a pesquisa é prematura. Mas se a idéia não for prematura, não é pesquisa. Aproveitamento é outro departamento, outra fase.

Por ter trabalhado no CSTB francês, diria que no exterior é diferente?
Morei dois anos na Europa e todas as idéias de pesquisa que tive viraram realidade. Aqui, nem o laboratório de desempenho que quis montar no IPT chegou ao fim. No mundo desenvolvido, manter as coisas iguais é a morte. No Brasil, mexer é perigoso.

Então falta muito investimento em pesquisa?
Vêem as propostas como estranhas porque não têm gente para avaliar. Quem avalia não sabe da quarta variável, o significado. Ser sustentável é questionar o significado em todas as ações.
fonte: Revista Téchne - ed 133 - abril 2008

21 de nov de 2008

OS GRANDES EDIFÍCIOS DEVERIAM FUNCIONAR COMO PEQUENAS CIDADES


Há quinze anos, o holandês Wiel Arets vem compartilhando o estrelato com outros arquitetos atuantes no cenário da Arquitetura holandesa. Entretanto, Arets se coloca à margem das outras figuras e revela inquietações distintas. Assim como Rem Koolhaas, o UnStudio, e o escritório coletivo MVRDV, ele também publicou livros teóricos, redigiu manifestos e realizou planos urbanísticos. Mas suas propostas são mais discretas. O posicionamento que adota revela um ar mais pétreo que futurista. Sua obra é mais sóbria, menos espetacular e mais tectônica, se comparada a de seus colegas que manipulam novos materiais e geometrias surpreendentes, pretendendo reinventar a Arquitetura quase que a cada passo. Em 20 anos de trabalho, Arets – nascido em Herleen, 1956 – fez de tudo em seu estúdio na Holanda interiorana, longe do cosmopolitismo portuário de Amsterdam e do dinamismo industrial de Rotterdam. Nós o entrevistamos em Milão onde, fiel à sua defesa do exercício das mudanças de escala, ele acaba de concluir o projeto de... um banheiro ! Arets defende os edifícios de uso múltiplo e uma mistura de funções urbanas, que conduzam as cidades, no futuro, a uma Arquitetura mais 'mesclada', ainda que ordenada.

Anatxu Zabalbeascoa: O site do seu estúdio apresenta seus trabalhos assegurando que você produz espaços que respondem à vida, às potencialidades estabelecidas pelo programa de necessidades, ao caráter do sítio, e à natureza dos materiais. E ainda, como resultado, promete 'surpresa', 'elegância', 'conforto' e 'qualidade'. Dá para oferecer tudo isso ?

Wiel Arets: Você não deveria acreditar em tudo que lê. A Internet é apenas uma mídia em que nos 'vendemos'. No meu caso, esse jogo de palavras é tão somente um artifício para, digamos, 'desenvolver' o site. Feita esta ressalva, sim, me considero um eclético. E também acredito que possa fazer muito pelos clientes, além – é claro – de fazer 'diferente'.

Zabalbeascoa: A propósito, o estádio que o Sr. construiu em Groninguen, no norte da Holanda, associa equipamentos esportivos com edifícios para escritórios, lojas e restaurantes. Podemos considerar essa mistura de usos e tipologias um exemplo do modo como concebe a Arquitetura ?

Arets: Creio que os edifícios devem ter vida própria, durante as 24 horas do dia. No entanto, um estádio, normalmente, só funciona dois domingos a cada mês. Este período de utilização, tão curto – se comparado às cicatrizes que um campo de futebol deixa numa cidade –, não faz o menor sentido do ponto de vista urbanístico. Interesso-me pela mistura de programas, porque a vida não transcorre em compartimentos estanques. As cidades são locus de mistura e de contato entre os indivíduos. Logo, os grandes edifícios deveriam funcionar como pequenas cidades.
Zabalbeascoa: Mas será que é possível a convivência entre todos os usos e tipologias ?
Arets: Sim, na cidade é assim. Mas num edifício isolado, apenas os usos que não se contraponham e as tipologias que compartilhem necessidades – mas tenham horários de funcionamento e serviços distintos – podem conviver. É o uso que 'cuida' dos edifícios e barateia sua manutenção. O não-uso relega ao esquecimento ou mitifica os imóveis.
Zabalbeascoa: O Sr. já realizou inúmeros planos urbanísticos. Essa idéia, de uma convivência estreita entre usos, também está presente em seus projetos urbanos
Arets: As cidades, para se manterem vivas, devem permanecer abertas, em funcionamento real – e não fictício –, como se fossem teatros. Isto se materializa num tipo de edifício mais 'utilitário' que 'representativo', e num certo tipo de Urbanismo, participativo e misturador, que combine usos diferenciados, ao invés de produzir guetos. A 'ordem urbana' não pode se basear na especialização funcional e no zoning. Construir escritórios num setor, e lojas comerciais no Centro, não traz vida às cidades. O que lhes confere vitalidade é a variedade, dos serviços e dos tipos de edifícios.
Zabalbeascoa: Sua disposição para combinar programas e materiais levou-lhe à uma mistura de antônimos: 'leveza' e 'peso' convivem em sua biblioteca de Utrecht, mas também 'unidade' e 'diversidade', nas moradias em Apeldoorn. Não se deveria fazer escolhas ?
Arets: Qualquer decisão exige escolhas. Porém, devemos escolher o que cabe limitar: as formas, os volumes, as cores, os materiais ou o programa. A mim, não interessa restringir o uso de um edifício, ainda que, esteticamente, possa me inclinar por certos materiais ou uma determinada gama de cores. Por que se critica tanto o Minimalismo – enquanto solução formal esquemática –, e não se faz o mesmo com os edifícios de usos limitados ? Em Apeldoorn, fui contratado para projetar um conjunto de casas. Eram todas iguais e dispostas em torno de um jardim comunitário. Mas alguma coisa mudou. As pessoas não queriam viver em residências idênticas às dos vizinhos. Nem todos tinham as mesmas necessidades. Então, o empreendedor percebeu essa demanda diferenciada e alteramos o programa original. Oferecemos variedade: casas de diferentes tamanhos e com plantas diferenciadas. Algumas delas isoladas, outras geminadas. Meu trabalho consistiu em ordenar essa diversidade. É isso o que nós, urbanistas, devemos fazer.
Zabalbeascoa: Além do Urbanismo, o Sr. também dispensou atenção ao pequeno design, de móveis e objetos. A Arquitetura é uma questão de escala ?
Arets: A Arquitetura é algo que afeta o Homem e seu modo de vida. A vida, no projeto de um banheiro, se revela o fator mais importante quando alguém o ocupa ou tem que limpá-lo. O mesmo acontece com a cidade embora, neste caso, multiplicado por mil. Creio que trabalhar em diversas escalas confere uma maior compreensão à Arquitetura. Proceder assim é um legado do Movimento Moderno, e criticá-lo é demasiado simples. É fácil dizer 'não', quando convidado a projetar um banheiro, se você já assinou arranha-céus. O difícil é – com ou sem arranha-céus – fazer um bom banheiro.
Zabalbeascoa: A Espanha vem resistindo às suas idéias. O Sr. já participou, aqui, de numerosos concursos, mas pouco construiu.
Arets: As moradias que construímos em Pradolongo podem ser um bom começo. Trabalhei com Fuensanta Nieto e Enrique Sobejano, tentando melhor prover de luz natural alguns pequenos espaços domésticos. Isto transforma a vida das pessoas. Cada pavimento está equipado com painéis para a captação de energia solar. No entanto, tão importante quanto aproveitar essa fonte de energia, é não desperdiça-la, gastando mal a luz ou o calor gerado. Nós, arquitetos, somos responsáveis por este bom uso da energia, posto que decidimos como devem ser as habitações. E mais: as viviendas de protección oficial¹ também devem propiciar variedade: moradias térreas, sobrados, unidades triplex... Creio que oferecer diversidade, em um conjunto ordenado, é um dos desafios das cidades. Também estou terminando uma casa em Marbella, para um cliente holandês. É a outra face da moeda. Um arquiteto deve dispor de recursos projetuais para trabalhar, seja com pouco, seja com muito e, ainda assim, tirar partido de ambas as situações.
Zabalbeascoa: O Sr. deu aulas no Berlage Institute, durante sete anos. Será que todos os estudantes de Arquitetura da Holanda almejam ser um Rem Koolhaas ?
Arets: Quase todos, mas talvez 90% dos estudantes do Berlage sejam estrangeiros. E chegam ali para experimentar, não para aprender a copiar quem quer que seja. A escola é como um laboratório; ali se realizam experiências... que nos ensinam a pensar.
fonte: Revista Vivercidades

A NOVA PIRÂMIDE DO EGITO


O Grande Museu, que as autoridades egípcias pretendem construir, tem acumulado superlativos. Ele será o maior museu do mundo, abrigará algumas das mais belas e mais valiosas antiguidades da história da humanidade, e contará com o maior e mais moderno centro de conservação arqueológica jamais concebido. O conjunto será edificado num sítio único, bem em frente à última sobrevivente das Sete Maravilhas do Mundo Antigo: as Pirâmides de Gizé. Caso se cumpram as previsões, esse museu também quebrará todos os recordes relativos ao número de visitantes: 8 milhões de turistas / ano
O Museu ocupará 50 hA e acolherá mais de 100.000 peças– entre elas, um templo inteiro e o famoso tesouro de Tutankhamon –, trazidas dos quatro cantos do Egito. Contará, ainda, com equipamentos ultramodernos, jardins, livrarias, lojas e restaurantes de luxo. Diante de tantas ambições, e observando que algumas gruas só agora começam a se movimentar no canteiro de obras, é difícil acreditar que o Museu possa ser inaugurado na data prevista, julho de 2011.
fonte: Revista Vivercidades
Publicado originalmente em Le Monde, edição de 4 de março de 2007, sob o título "L'Egypte bâtit une nouvelle pyramide".

A Muralha da China.






A Grande Muralha foi construída objetivando integrar inúmeras fortificações, previamente existentes, num sistema defensivo unificado, que fosse capaz de manter as tribos invasoras de nômades mongóis afastados da China. Ela é o maior monumento construído pelo Homem na face da Terra, em todos os tempos, e o único avistável do espaço sideral. Como um enorme dragão, a Grande Muralha serpenteia através de chapadas, desertos, planícies e montanhas, se estendendo por 6.700 km, no sentido Leste-Oeste. Ao longo de mais de 2000 anos, se manteve de pé, ainda que alguns de seus trechos tenham já desabado e, outros, simplesmente desaparecido. No entanto, a notável grandiosidade arquitetônica da obra e sua significância histórica ainda atraem, hoje, centenas de milhares de turistas, a cada ano, desejosos de visitá-la. A Grande Muralha foi erguida, como fortificação, por três reinos distintos – Yan, Zhao e Qin –, mas passou por constantes ampliações e reformas, nas dinastias posteriores. A construção do primeiro trecho foi iniciada entre os séculos VII e VI aC, e os últimos trabalhos foram efetuados entre os séculos XIV e XVII dC. Na verdade, todas essas obras, no começo, eram muralhas independentes, encomendadas por diferentes soberanos locais. Elas só conformaram a Grande Muralha, emendada e contínua, durante a Dinastia Qin, quando o Imperador Qin Shihuang conseguiu, com muito esforço, unificar os diferentes trechos da Muralha, na tentativa de repelir as invasões vindas do Norte, em seguida à unificação da China. No entanto, as vantagens da enorme barreira mais tarde tornaram-se letra morta, com a invenção da pólvora, das armas de fogo, e da artilharia. De qualquer modo, a Grande Muralha desempenhou o papel de monumento simbólico da nação chinesa, ao longo de toda a sua história. A princípio, seus muros foram construídos em pedra, madeira, grama e terra. Posteriormente, já durante a Disnatia Ming, utilizaram-se tijolos, moldados e cozidos em fornos distribuídos ao longo de todo o seu traçado. Eles eram transportados por homens – que os carregavam nas costas –, jumentos, mulas, e até por ovelhas, guiadas montanha acima com os tabletes de argila amarrados à cabeça. Existem muitas lendas sobre a Grande Muralha, entre elas a famosa estória de Meng Jiangnu, que viveu durante a Dinastia Qin (221-206 aC).



MONUMENTO AO CRISTO REDENTOR (Rio de Janeiro, Brasil)


O Corcovado, antes do Cristo;a estrutura interna, em concreto; eHeitor da Silva Costa com a maquete definitiva.

A estátua art déco de Jesus Cristo, inaugurada em 1931, mede 38 m de altura – incluído o pedestal –, 28 m de envergadura, e pesa 1.145 toneladas. Fica localizada a 710 m do nível do mar, no topo de um penhasco denominado Morro do Corcovado, de onde se descortina a deslumbrante paisagem natural da cidade do Rio de Janeiro, conformada pela Mata Atlântica, praias oceânicas, lagoas, ilhas e a formosa Baía da Guanabara.

Além de expressivo símbolo da Cristandade, a estátua tornou-se um ícone da cidade e, de braços abertos, um emblema da internacionalmente reconhecida hospitalidade brasileira. A idéia de sua construção se origina, em meados do século XIX, quando o padre católico Pedro Maria Boss solicita à Princesa Isabel fundos para a execução de um importante monumento religioso na cidade. Não atendida imediatamente, a iniciativa caiu no esquecimento, sobretudo após 1889, quando o Brasil tornou-se uma república laica e a Igreja foi desvinculada do Estado.

No entanto, uma segunda tentativa germinou, em 1921, após a Arquidiocese do Rio de Janeiro organizar um evento denominado 'Semana do Monumento', destinado a coletar donativos entre o povo de todo o Brasil. Projetado o monumento pelo arquiteto Heitor da Silva Costa, e executada a estátua pelo escultor franco-polonês Paul Landowski – segundo o risco final do artista plástico Carlos Oswald –, o Cristo Redentor é um dos mais conhecidos monumentos mundiais.

A gigantesca estátua, que demandou cinco anos para ser completada, possui estrutura interna em concreto armado e acabamento em pastilhas de pedra-sabão, material facilmente trabalhável e muito resistente às intempéries e variações climáticas. A Estrada de Ferro Corcovado, através da qual se acessa o monumento, a bordo de um pitoresco trenzinho que leva os turistas até o topo do penhasco, desempenhou um importante papel nos trabalhos de montagem da estátua já que, à época, era o único meio disponível para o transporte das imensas peças que a compõem. Um dos pontos altos da cerimônia de inauguração, em 12 de outubro de 1931 seria a ativação do sistema de iluminação do monumento, diretamente da Itália, pelo inventor do telégrafo sem fio Guglielmo Marconi, que acionaria os comandos a bordo de seu iate, ancorado na Baía de Nápoles.
fonte: http://www.vivercidades.org.br

Templo de KulKucan



O Tempo de Kulkucan e O complexo de Chichén Itzá

Templo Inca - Detalhes da Arquitetura Pré-Colombiana


Arquitetura Pré-Colombiana


Visão Geral de Cusco no Peru

Arquitetura Pré-Colombiana


Visão Geral da Cidade de Macchu Picchu

Arquitetura Pré- Colombiana

O mais importante aspecto a se considerar na arte pré-colombiana é o fato de suas civilizações terem vivido seu tempo em total isolamento dos valores culturais e espirituais difundidos por outras civilizações.
Suas manifestações mais evoluídas realizam-se em duas grandes áreas: uma, ao norte na região do México, ainda que mais vasta que seus limites atuais; a outra na região que integra o atual Peru. Raras são as interações entre os dois pólos, mundos totalmente independentes. No México a alternância e a fragmentação das civilizações é muito maior do que no Peru, invasões de populações nômades do norte são recorrentes. É na tropical península de Yucatán que será implantada a civilização Maia, que compreendia também a Guatemala e Honduras. Esta é sem dúvida a mais estável e duradoura das civilizações mexicanas.
Numa primeira etapa, entre as anos 1000 a.C. e 300 d.C., verifica-se uma evolução lenta e primitiva. A partir de 300 d.C., dá-se o período áureo que se estende até pouco depois do ano 1000, quando a civilização Maia entra em decadência e acaba por integrar-se com outras civilizações dando origem à civilização maia-tolteca, cujos descendentes chegam até a sobreviver à dominação espanhola. Constroem grandes cidades como Uxbal e Kabah, no Yucatán, Palenque, na região de Chiapas, ou Copán em Honduras.
Na arquitetura Maia encontram-se dois tipos importantes de construção: a dos templos em forma de pirâmides escalonadas, com grandes escadarias íngremes, que dão acesso ao topo onde pousa o templo, de planta retangular e na maioria apenas um andar. Todo revestido de tijolos, na parte de cima do templo encontram-se frontões esculpidos; a dos palácios em geral de um só andar, as vezes com embasamento e escadaria de acesso, também tem planta retangular e tinham grandes fachadas ornamentadas. Nas duas, encontra-se a falsa abóbada, construída a partir da superposição de pedras, pode ser piramidal ou ogival. A invasão tolteca acontece a partir do século IX, deixam evoluídos exemplos em arquitetura como em Tollan e Xochicalco, templos-pirâmides e templos de colunas-estátuas.
Do ano 1000 d.C. em diante, conta-se a fase maia-tolteca que terá como centro criador a cidade de Chichén-Itzà, no Yucatán. São construções desta época a pirâmide de Kukulkan, o templo dos jaguares e o templo de Los Guerreros.
Outras civilizações como a zapoteca, cujo período mais expressivo dá-se entre os anos 400 e 1000 d.C., floresce na região do estado de Oaxaca, sua cidade tinha grau de desenvolvimento requintado, com escadarias, um conjunto de templos piramidais e até campo para jogo de pelota. A civilização asteca consegue sua hegemonia entre os anos 1324 e 1521. Tenochtitlán, às margens dos lago Texcoco, é a capital, imensa e imponente, nela templos, palácios, e ricas obras particulares se interligavam. Neste período, as tendências da arte deixadas pelas civilizações precedentes foram trabalhadas à exaustão. Das civilizações que ocuparam a região do Peru, a última a ser implantada antes da exterminadora invasão espanhola, a civilização inca, é sem dúvida a mais significativa do ponto de vista arquitetônico, ocupando a montanhosa região andina, utilizam pedras ciclópicas em suas construções, muito imponentes, porém despojadas e funcionais, onde o único elemento decorativo é a forma trapezoidal das aberturas e nichos. Assim surgem cidades como Cusco e Macchu Picchu, num esforço urbanístico surpreendente.

Defeitos em Edifícios

Para quem mora em edifícios (residenciais ou comerciais), não é novidade: vira e mexe, lá vem mais uma quantia extra, adicionada à taxa de condomínio, por conta de alguma reforma.

São despesas emergenciais (ou aprovadas em Assembléia) para tentar eliminar problemas - às vezes crônicos - de trincas, vazamentos, infiltrações sobre garagens, queda de ladrilhos externos, bolores em dormitórios, refluxos em ralos, odores fétidos, danos em revestimentos ou pinturas, pisos soltos, corrosões em armaduras estruturais, etc.

A estória começa quando extinto o prazo de garantia legal e a construtora se despede, definitivamente, do prédio. O síndico, pressionado por reclamações dos condôminos - e com a melhor boa fé do mundo -, acaba contratando reformas sem dispor de exatos diagnósticos dos danos existentes. A "solução" do problema costuma nascer de inúmeros palpites e "achismos" – gerados no meio dos próprios moradores -, dentre os quais se escolhe o que parece mais convincente; ou, apenas, menos dispendioso.

Diagnósticos "infalíveis" são apresentados, também, por alguns prestadores de serviço pouco responsáveis, que oferecem reformas aparentemente baratas, sem respaldo técnico consistente ou real conhecimento do prédio, apenas movidos pelo interesse em "pegar o serviço". São, via de regra, pessoas inabilitadas, sem estrutura profissional ou empresarial para: A) Executar trabalhos realmente qualificados; B) Responder pela eficácia duradoura da reforma; C) Arcar com eventuais riscos, típicos desses trabalhos, como acidentes, danos a terceiros, dívidas fiscais ou trabalhistas. Assim, o Condomínio fica sujeito a transformar-se, "da noite para o dia", em réu de ações judiciais ou em arrimo de família, já que os citados "especialistas" costumam envolver, nessas empreitadas, alguns parentes ou vizinhos, sem qualquer prática, habilitação ou noções de segurança. Como se percebe, não vale a pena correr o risco.
Veja-se, por exemplo, reformas em impermeabilizações: os insucessos costumam ser freqüentes e as perdas - financeiras - muito elevadas. Motivos: PRIMEIRO: Raramente há que se "trocar a manta", como acreditam os leigos e se apressam a recomendar os chamados "especialistas"( na ampla maioria dos casos a chuva entra pelas periferias – muros e torre predial – infiltrando-se SOB a impermeabilização existente, que não está perfurada ! ). SEGUNDO: Mesmo se comprovada esta rara necessidade, somente empresas habilitadas e compostas por profissionais experientes podem assumir responsabilidade por adequado projeto de execução e garantias pelos processos e produtos envolvidos. Os demais, tanto os oportunistas "biscateiros" como os de simples má-fé ( atenção !! ) limitam-se a garantir, apenas A MANTA , por 5 anos (garantia comum, dada por todo e qualquer fabricante), como se o produto respondesse, sozinho, pelo processo de aplicação e pela eficácia do serviço. Se esta for a única garantia constante da proposta (ou do contrato), restará ao condomínio - quando as infiltrações retornarem - assumir a própria ingenuidade e ir "reclamar com o bispo" ...
"AUTOMEDICAÇÃO" PREDIAL
Erros, em manutenções ou reformas de prédios, são semelhantes a danos causados pela automedicação (vício típico do brasileiro), em casos de enfermidade. Ao medicar nossa família sem prévia consulta a um clínico geral, não temos, obviamente, a intenção de errar ( leia-se: agravar a doença, provocar invalidez, matar, etc ); apesar disto, assumimos o risco de fazê-lo; e bem antes do que imaginamos. E, quando "der uma zebra", de que adiantará xingar o balconista da farmácia ? ; ou o fabricante do remédio ? ; ou, quem sabe, a vizinha, que "deu a receita" ?..
Ora, se jogamos, tão perigosamente, com a própria saúde e com a vida dos nossos familiares, não surpreende que sejamos tão "sabidos" e auto-suficientes quando se trata da "saúde" ou da integridade física de um "simples edifício". Acontece que os chamados vícios construtivos - e de manutenção - costumam cobrar muito caro ( e por vária vezes seguidas ) ...
É preciso, portanto, mudar a abordagem: administradores prediais (pessoas físicas ou jurídicas) e os próprios condôminos devem zelar para que serviços de reparos sejam efetuados somente depois de definidas as responsabilidades civis, formulados corretos diagnósticos técnicos e elaboradas detalhadas especificações; bem como submetidos à previa seleção (cadastro e referências) de empreiteiras, tomadas de preços, contratos cuidadosamente elaborados e atenta fiscalização. Para tanto, deve-se consultar, nos momentos oportunos, engenheiros ou arquitetos, com referências que comprovem amplas e sólidas experiências profissionais.

18 de nov de 2008

Ferramentas do Six Sigma

Os Faixas Pretas e os Verdes utilizam uma variedade de ferramentas para gerenciar melhorias de qualidade dentro do modelo DMAIC. Muitas dessas ferramentas foram incorporadas dentro do software Six Sigma para que o computador gerenciasse os cálculos ocultos. A maioria pode ser classificada em duas categorias: ferramentas de otimização de processo, que permitem que as equipes desenhem fluxos de trabalho mais eficientes, e as ferramentas de análise estatística, que permitem que as equipes analisem os dados com mais eficiência.

Veja a seguir uma visão geral de algumas das ferramentas mais importantes.
Envio de Função de Qualidade (QFD) - o QFD é utilizado para entender os pedidos dos consumidores. A parte do "envio" vem do fato de os engenheiros de qualidade terem sido enviados para os consumidores para entenderem completamente suas necessidades. Atualmente, um envio físico pode não acontecer, mas a idéia por trás da ferramenta ainda é válida. Basicamente, o QFD identifica os pedidos do consumidor e os avalia em uma escala numérica, com números mais altos correspondendo aos pedidos "essenciais" e números mais baixos correspondendo aos "bons de se ter". Então, várias opções de design são listadas e avaliadas em suas habilidades de atender as necessidades do consumidor. Cada opção de design vale um ponto e aquelas com altas pontuações se tornam soluções preferenciais.

Diagramas de espinha de peixe - no Six Sigma, todos os efeitos são resultados de entradas específicas. Essa relação de causa e efeito pode ser esclarecida seja utilizando um diagrama de espinha de peixe ou uma matriz de causa e efeito (veja abaixo). O diagrama de espinha de peixe ajuda a identificar quais variáveis de entrada devem ser estudadas posteriormente. O diagrama completo se parece com um esqueleto de peixe (de onde vem o nome). Para criar um diagrama de espinha de peixe, você começa com o problema de interesse, a cabeça do peixe. Então você desenha a espinha e, saindo da espinha, seis ossos nos quais devem ser listadas as variáveis de entrada que afetam o problema. Cada osso é reservado para uma categoria específica de variável de entrada, como mostrado abaixo. Após listar todas as variáveis de entrada em suas respectivas categorias, uma equipe de experts analisa o diagrama e identifica duas ou três variáveis de entrada que podem ser a fonte do problema.

Matriz de causa e efeito (C&E) - a matriz C&E é uma extensão do diagrama de espinha de peixe. Ela ajuda as equipes do Six Sigma a identificarem, explorarem e exibirem graficamente todas as causas possíveis relacionadas a um problema e assim, procurarem a raiz. A Matriz C&E é normalmente usada na fase de medição da metodologia DMAIC.

­Modos de falha de análise dos efeitos (FMEA) - os FMEA combatem a Lei de Murphy identificando se um novo produto, processo ou serviço pode falhar. Os FMEA não se preocupam apenas com problemas do próprio projeto Six Sigma, mas com outras atividades e processos relacionados ao projeto. São similares ao QFD em suas instalações. Primeiro, uma lista de possíveis situações de falhas é criada e avaliada por grau de importância. Então uma lista de soluções é apresentada e posicionada a partir da eficácia com que cada uma resolve os problemas. Isso gera pontuações que permitem que a equipe priorize o que pode dar errado e desenvolva medidas preventivas feitas para essas situações de falha

Implementação do Six Sigma



Em grandes empresas com suprimento global e operações de fabricação, implementar o Six Sigma não é fácil. Isso acontece geralmente de duas maneiras. Uma delas é por meio de uma organização separada que fornece serviços de Six Sigma às principais empresas. Nesse modelo, todos os projetos Six Sigma rodam através de organização independente, tornando fácil a medição do impacto dessas mudanças. Porém, esse acordo pode criar uma mentalidade "nós contra eles" que pode minar a eficácia das iniciativas Six Sigma.

Para evitar essa tensão, outras empresas utilizam uma abordagem mais integrada. Nesse modelo, o Six Sigma é incorporado em todos os trabalhos do empregado, com alguns experts altamente treinados agindo como facilitadores. Isso torna mais desafiadora a medição do impacto do Six Sigma, mas ajuda a criar uma cultura em que o compromisso com a qualidade e excelência é difundido.

De qualquer maneira, o Six Sigma confia fortemente em equipes de pessoas trabalhando juntas, e não em esforço individual. Uma equipe pode variar, mas quase sempre incluirá os experts da Six Sigma, experts em processo, especialistas em dados, comunicadores e consumidores. Um consumidor, nesse caso, refere-se a qualquer pessoa (interna ou externa) afetada por um processo ou mudança de produção. Pode ser uma pessoa da linha de produção, alguém nas vendas ou marketing, um distribuidor ou o usuário final de um produto ou serviço. O consumidor pode ser a pessoa mais importante da equipe, pois é ele que define a qualidade. É a sua expectativa de desempenho, confiança, preços competitivos ou entrega no prazo que ajusta essa barra.

Outro papel importante é o do líder de equipe. O líder de um projeto Six Sigma deve ser extremamente proficiente nos aspectos técnicos das estatísticas e nos processos do Six Sigma. Se um projeto requer um alto grau de conhecimento do Six Sigma, ele será liderado por um Faixa Preta (termo emprestado das artes marciais). Os Faixas Pretas possuem um conhecimento mais aprofundado de todos os métodos e ferramentas do Six Sigma e são chamados para liderar projetos que retornam valores de US$ 150 mil para uma organização. Se um projeto não for tão complexo, ele será liderado por um Faixa Verde. Os Faixas Verdes estão qualificados para resolver a maioria dos problemas de processo que surgem nos ambientes de manufaturas e sempre podem se consultar com os Faixas Pretas caso se deparem com um problema particularmente desafiador.

Os Faixas Amarelas representam todos os outros da equipe. Eles não estão imersos nos detalhes do projeto e, sendo assim, não precisam do mesmo nível de habilidade ou de treinamento do Six Sigma. Mas os Faixas Amarelas são essenciais. Eles aplicam alguns elementos da metodologia Six Sigma enquanto ajudam os Faixas Verdes a atingirem as projeções e objetivos do projeto. Os Faixas Amarelas são membros da equipe, administradores, pessoal de operações e qualquer um que exerça qualquer função.

FONTE: http://empresasefinancas.hsw.uol.com.br

História do Six Sigma


A Motorola afirma que foi o seu pessoal quem inventou o Six Sigma, mas os princípios por trás da metodologia datam de 1809. Foi quando Carl Gauss, um matemático alemão, publicou a "Theoria Motus Corporum Arithmeticae". Nesse livro, Gauss apresentou o conceito de curva de sino, uma forma que pode sempre representar a variação do que ocorre em um processo controlado.

Antes de mergulharmos nos fundamentos estatísticos da curva de sino, vamos falar um pouco sobre variação. A variação é definida como desvio de expectativa. Todo processo e atividades possuem variações inerentes: se você estiver fazendo objetos, cada um terá uma leve variação; se estiver girando um taco de beisebol, cada giro será diferente do giro anterior; e se estiver assinando seu nome, cada assinatura irá conter diferenças sutis que nenhuma outra assinatura terá. A variação é inevitável e irrevogável. O difícil, claro, é limitá-la. Um pouco de variação é provavelmente normal, mas variações demais levam aos tipos de defeitos que descrevemos na última seção.

O histograma fornece uma representação visual da sua variação. Note que a variação se espalha igualmente pelo alcance de valores. Isso é chamado de distribuição normal e o resultado é uma curva em formato de sino. O diagrama abaixo mostra a mesma distribuição com a curva de sino sobreposta.



Cálculos do Six Sigma

Para dar significados aos números, os engenheiros da Motorola formularam uma escala para avaliar a qualidade de um processo baseado nos resultados desses defeitos.
No topo da escala está o Six Sigma, que equivale a 3.4 DPMO, ou 99,9997% livre de defeitos. Em outras palavras, se você tem um processo funcionando com o Six Sigma, então eliminou quase todos os defeitos, ou seja, o processo é quase perfeito. É claro que muitos processos não funcionam com o Six Sigma. Eles rodam no Five Sigma, Four Sigma ou anteriores. Veja a seguir a escala completa para ter uma apreciação dos números envolvidos.

Five Sigma = 233 DPMO, ou 99,98% livre de defeitos
Four Sigma = 6.210 DPMO, ou 99,4% livre de defeitos
Three Sigma = 66.807 DPMO, ou 93,3% livre de defeitos
Two Sigma = 308.538 DPMO, ou 69,1% livre de defeitos
One Sigma = 691.462 DPMO, ou 30,9% livre de defeitos
Como você pode esperar, realizar tais cálculos em um moderno ambiente de fabricação não é tão simples como contar alguns defeitos e apertar os botões da calculadora. O planejamento cuidadoso e a abordagem metódica são essenciais. Então, ao mesmo tempo em que os engenheiros da Motorola estão desenvolvendo a matemática, eles já estabeleceram uma metodologia de resolução de problemas permitindo que consistentemente duplicassem esses cálculos não importando o processo ou o ambiente. Essa metodologia é tanto uma parte importante do Six Sigma de hoje como dos conceitos matemáticos em que ele está baseado.
Enquanto o Six Sigma evoluía, ele se tornou fortemente associado a outras metodologias de estratégias de negócios, como a Balanced Scorecard.

Isso significa que pessoas diferentes em tempos diferentes irão definir o Six Sigma de modos bem diferentes. Alguns o descreverão como uma métrica, ou um medidor de defeitos. Outros irão descrevê-lo como metodologia, uma maneira de resolver problemas. E outros ainda o chamam de sistema de gerenciamento de negócios.

O que é exatamente o Six Sigma?

ENTENDENDO O CONCEITO

Em sua forma mais fundamental, o Six Sigma é uma medida do número de defeitos em um processo ou operação específicos.

No Six Sigma, você não se preocupa com as peças defeituosas como um todo, mas com uma coisa chamada oportunidades de defeito. Uma oportunidade de defeito leva em conta três variáveis importantes.

- Todos os diferentes defeitos que ocorrem em uma peça montada.
- O número de lugares em que os defeitos podem ocorrer nessa peça.
- Todos os passos de produção que poderiam causar um ou mais desses defeitos na peça.
Por exemplo, vamos supor que você esteja fabricando pequenos cubos de metal. Dois grandes defeitos são geralmente encontrado nos cubos: uma rachadura e um amassado. Agora, vamos supor que esses defeitos sejam encontrados somente em três das seis faces do cubo. E finalmente, vamos supor que existam três passos no processo de fabricação em que esses defeitos são normalmente introduzidos.

São várias as oportunidades de um defeito ocorrer. Para calcular quantas, deve-se simplesmente multiplicar: 2 x 3 x 3, em um total de 18 oportunidades. Agora, se você enxergar rachaduras ou amassados em 5% dos cubos de metal que saem da linha de produção, o número de defeitos por oportunidade é de .00278 (.05 dividido por 18). Para encontrar o número de defeitos em cada mil oportunidades, você multiplica .00278 por 1.000 para ter 2.78. ­

Os engenheiros da Motorola concluíram que a métrica de defeitos por milhar não era sensível o bastante para a nova iniciativa da Six Sigma. Eles decidiram que os defeitos por milhão de oportunidades (DPMO) eliminavam erros devido ao pequeno tamanho da amostra e buscavam uma determinação de qualidade mais precisa. Para encontrar o número de oportunidades de defeitos por milhão no exemplo acima, multiplica-se .003125 por 1.000.000 para ter 3.125 DPMO.

17 de nov de 2008

A Estrutura Ideal

A NATUREZA DÁ O EXEMPLO - VIDE ESTRUTURA ACIMA.



Lecionar disciplinas de Engenharia em cursos de Arquitetura e Urbanismo é uma experiência excelente e uma oportunidade para reciclar conceitos e fugir da monotonia mental.


O aluno, sobretudo nos primeiros semestres, ainda não tem restrições e "vícios". Está, portanto, "livre para voar" e o ambiente acadêmico é o local propício para esses vôos experimentais. Para tanto, é preciso ter cuidado para não impor limitações nessa fase. Fazer isto, aliás, é negar a possibilidade de evolução da Humanidade! Basta olhar para trás e lembrar do que os céticos do passado afirmavam ser impossível ou impensável. Na verdade, a limitação era, apenas, deles, com sua vaidade, arrogância e preguiça. O tempo se incumbiu de substituir sua memória pela dos que desafiaram, criaram e ousaram. Logo, é fundamental dialogar, pesquisar soluções alternativas, alertar para os diversos aspectos: tecnológicos (sistemas e materiais), logísticos, ambientais e econômicos, que envolvem a execução da idéia e, tanto quanto possível, modelar.


É um enorme erro, embora quase inconsciente, do docente influenciar o aluno com preferências pessoais, pois é esse confronto da idéia proposta da Arquitetura, com o "estado da arte" da Engenharia, que embasa toda a inovação, criando uma salutar cumplicidade, onde os papéis se alternam e complementam na busca da solução ideal. É algo que deve começar na faculdade e continuar por toda a vida profissional!


A única premissa absoluta é que não existem limites absolutos, da mesma forma que não existe um único sistema ou um único material, panacéia para qualquer situação. Existe, sim, a solução ideal para uma determinada conjunção de fatores. Uma solução não é ideal, apenas porque mais rápida ou econômica. Ela o é quando, além de considerar todos os elementos já mencionados, assegura durabilidade e funcionalidade do empreendimento, com baixo custo de operacional e de manutenção. Uma solução construtiva barata - normalmente a privilegiada por leigos - pode redundar num custo de manutenção tal, que justificaria a adoção de outra, nem tão mais cara assim! De forma análoga, um prazo curto - político, por exemplo - só será uma variável positiva, quando implicar em inovação tecnicamente sustentável. Senão, não passará de uma "bomba-relógio", que poderá explodir nas próprias mãos de quem a escolheu, no caso de reeleições... Assim, uma decisão leviana pode resolver um problema político ou uma necessidade habitacional ou comercial imediata, mas tende a reduzir significativamente a vida útil do empreendimento e a credibilidade do autor. É hilário - para não dizer patético e revoltante - ver a reação de políticos, que criticam, com veemência e "autoridade", o desperdício de verbas com reformas de obras deterioradas "herdadas", ao serem lembrados de que eles próprios as definiram, em gestões anteriores... Infelizmente, esse "show humorístico", que é repetido à exaustão, custa muito caro para a platéia contribuinte!


Resumo: Concreto, aço, alumínio, plásticos especiais, alvenaria estrutural, painéis, argamassa armada, tensoestruturas, pré-fabricação, etc, são materiais e soluções que têm suas vantagens e desvantagens.


A estrutura deve ser estática e segura, mas produto de dinamismo e arrojo! Quem optar por um único "caminho" pode atingir o ápice, conhecendo cada pedra, cada curva, cada nuance dele. Mas, se "todos os caminhos levam à Roma", é mister conhecer cada um, para planejar melhor a "viagem".


A insistência e celebração de numa única fórmula - como repito para os meus alunos - só pode indicar duas coisas: conhecimento restrito ou interesse financeiro! Isso é compreensível para leigos e fabricantes, mas nunca para a boa técnica!


A correta avaliação técnico-econômica de todos os fatores influentes e a criatividade de arquitetos e engenheiros é que definirá a solução ideal! E o exemplo vem de "casa": a Faculdade; e dos "pais": os professores!




Adilson Luiz Gonçalves -Engenheiro, Professor Universitário