29 de dez de 2008

Gestão - o caso das Lojas G. Aronson




As Falhas de Gestão


Os erros e acertos de Girsz Aronson, que , depois de passar por uma falência e um seqüestro , recomeçou com mais de 80 anos e reconstruiu uma rede com três lojas.


Aos 85 anos , Girsz Aronson, lenda viva do comércio de rua de São Paulo que viu seu maior sonho desabar , não entregou os pontos . Em todos os dias úteis, ele pôde ser encontrado entre fogões e geladeiras de uma das três lojas da rede G.A., inaugurada em 2000, logo após a falência de 1999 .


Mais do que uma maneira de ganhar a vida , essas três lojinhas são a materialização de uma impressionante história de persistência , com direito a momentos de glória e lances trágicos . Em 1998, depois de 36 anos de atividade , a G. Aronson, rede de 34 lojas de eletrodomésticos , foi à falência . Endividado, Girsz Aronson, o proprietário da marca , viu-se no fundo do poço – ainda mais depois de ter sido seqüestrado e só ser liberado depois do pagamento do resgate .


A G. Aronson, para quem não se lembra, era uma referência do comércio de rua de São Paulo. Sob o slogan “a inimiga número um dos preços altos ”, era uma campeã de vendas e chegou a empregar mil funcionários . Mas mesmo com toda sua experiência no varejo , Aronson deu um passo maior do que as pernas , endividou-se, não conseguiu administrar os papagaios e faliu. “Investi mais de R$ 400.000 na montagem de lojas em shoppings centers. Queria tudo muito bonito , com vitrines imensas e até mezanino ”, lembra Aronson. “Foi um sonho equivocado de grandeza . Para vender eletrodomésticos , o segredo é ter estoque e preço bom .


O cliente tem que ver a mercadoria exposta , não importa se ela está amontoada, com as televisões em cima das geladeiras . Além disso, meu forte sempre foi comprar e vender . Deveria ter prestado mais atenção à administração .” Sem alternativa , Aronson foi para casa e entrou em depressão . Para não sucumbir , reuniu as forças e foi à luta .


A superação da fase ruim

Assim que teve a falência decretada e perdeu as lojas , Girsz Aronson fez questão de acertar as contas com os ex-funcionários. Depois , voltou para casa , desiludido e sem perspectiva . “Estava mofando, deprimido, num estado de nervos que não agüentava nem olhar para a minha esposa ”, lembra Aronson. Ele diz que essa foi uma fase péssima na sua vida e que lhe dá arrepios até de lembrar . Em 2000, no entanto , dois anos após a falência , um imóvel que pertencia à suas duas filhas vagou no centro de São Paulo, justamente onde havia começado sua antiga rede de eletrodomésticos .


Foi lá , num ponto com pouco mais de 3 metros de fachada , que ele abriu a G.A., sua nova loja de utilidades do lar . Hoje , três anos depois , tem mais dois endereços , também em São Paulo. “


Minha maior alegria foi recontratar 54 ex-funcionários”, festeja . A loja está em nome das filhas e as compras também são feitas no nome delas. “Tenho o nome sujo porque ainda ficaram pendentes alguns impostos para pagar ”, comenta Aronson. Isso , no entanto , não tem abalado Aronson. “ Antes das 7 horas da manhã já estou aqui abrindo a loja . Ajudo os funcionários a vender e atendo os clientes . Apesar de tudo o que aconteceu, sei que sou querido e todo dia é Aronson para cá , Aronson para lá ...” explica.


Escaldado, usa as lições do passado para não cometer os mesmos erros no atual negócio . Ele diz que logo que abriu a G.A. as vendas iam de vento em popa , mas que a atual situação do país causou uma forte queda no comércio em geral . “O que eu ganho hoje é suficiente para pagar as despesas e eu não tenho mais qualquer pretensão de ficar rico ”, conclui. Ele só quer dar passos do tamanho das pernas possam alcançar .


O talento nunca quebra

Nascido na Rússia, Girsz Aronson chegou ao Brasil com sua família quando tinha dois anos . Seu pai morreu novo e ele ficou responsável com a mãe pelo sustento da casa . Começou a trabalhar aos 12 anos , vendendo jornais pelas ruas da cidade paranaense de Curitiba, na qual morava. “


Tinha que vender 50 exemplares para ganhar 400 réis ”, recorda. Seu talento como vendedor não demorou a ser percebido. “O homem que vendia os bilhetes da loteria pediu para eu desencalhar um lote que ele tinha de apostas . Vendi tudo num só dia e na segunda vez em que trabalhei para ele vendi, inclusive , o bilhete premiado”, diverte-se.


As finanças começaram a melhorar e Girsz mudou-se para São Paulo para vender bolsas e cintos de couro . As mercadorias eram fornecidas por um primo do Rio de Janeiro . De bolsas , passou também a vender casacos de pele e, quando juntou algumas economias , abriu uma loja de roupas infantis. “Trabalhava com os melhores fornecedores da praça ”, diz. As coisas iam bem e os próprios comerciantes do centro , onde a loja estava instalada, se impressionavam com o dom para vender do imigrante .

Em 1962, um empresário da região lhe propôs que assumisse sua loja de fogões . Sem entender nada desse ramo , Aronson comprou o ponto porque costumava ver anúncios de vendas de eletrodomésticos nos jornais e achou que esse era um indicativo de que vendiam bem . Nascia assim a rede G. Aronson Companhia Ltda.

“Comprei mais alguns fogões do fornecedor e percebi que , vendendo quase a preço de custo , ainda era mais caro que o mesmo fogão em outra loja da redondeza . Fui atrás do fornecedor e propus a compra de mais 500 peças , desde que com um belo desconto . Comecei assim a ser o inimigo número um dos preços altos ”, comenta. O problema é que o comerciante simpatizou tanto com a estratégia que , muitas vezes depois , a aplicou sem avaliar a real condição do seu negócio . “ Gosto de vender , mas sempre gostei mais de comprar ”, assume. Com isso , montava estoques gigantescos nas lojas . Enquanto as vendas eram boas, esse era um bom trunfo , pois tudo saía a pronta entrega . O lado ruim da história é que Aronson também comprava muita mercadoria mesmo quando a concorrência estava lhe tomando os clientes ou a crise econômica sumia com o dinheiro do mercado .

“ Hoje na G.A., ainda tenho um bom estoque , mas pisei no freio . Só compro mercadoria à vista , para conseguir desconto , ou , no máximo , a um prazo bem curtinho. A bancos , não recorro nunca mais e nada de contar com o dinheiro que ainda não entrou”, diz ele que depois de 85 anos de vida , continua aprendendo como se fosse um jovem de dezoito.

Fonte : Revista Seu Sucesso – agosto de 2003 pg. 20 a 22

Girsz Aronson, ex-rei do varejo de São Paulo



O empresário Girsz Aronson, falecido em jun/2008 aos 91 anos, já foi chamado de "rei do varejo" em São Paulo com a venda de eletrodomésticos. Russo de origem judaica, ele chegou a ter 34 lojas no Estado e faturar R$ 250 milhões por ano.


Ele chegou ao Brasil com 2 anos e começou no comércio aos 12, vendendo bilhetes de loteria em Curitiba (PR), onde morava com a mãe --viúva-- e os irmãos. A fama veio quando Aronson vendeu um bilhete premiado e recebeu do apostador parte do dinheiro.


Em 1944, uma empresa de casacos de pele do Rio o convidou para ser representante de vendas em São Paulo. Foi naquele ano que ele abriu a empresa G. Aronson. Chegou a vender 170 casacos em um mês, comprou um Dodge, carro cobiçado da época, e expandiu os negócios (bolsas de crocodilo).


Nos anos 60, criou a Gurilândia, especializada em artigos infantis. A rede G. Aronson começou a se expandir nos anos 70, após comprar uma loja de fogões em dificuldade financeira. Em junho de 1999, a G. Aronson faliu, com dívidas de R$ 65 milhões.


No dia 4 de setembro de 2000, ele voltou ao varejo e inaugurou a primeira loja com 20 metros quadrados, na rua Conselheiro Crispiniano, no centro de São Paulo, com o nome G.A. Utilidades Domésticas, com a ajuda dos quatro filhos (Eliana, Elisabeth, Gerson e Gilberto). As vendas chegaram, segundo ele, a R$ 300 mil por mês.


Em novembro do mesmo ano, o comerciante abriu a segunda loja, na avenida Brigadeiro Luís Antonio, com 700 metros quadrados, em um imóvel da família, com geladeiras, fogões e freezers no estoque.

fonte: Folha on-line

Morre Huntington, autor de 'O Choque das Civilizações'



O cientista político Samuel P. Huntington, autor do famoso livro "O Choque das Civilizações", morreu aos 81 anos na quarta-feira. Mas a notícia de sua morte só foi divulgado ontem (28/12/2009) pela Universidade Harvard, onde ele foi professor durante 58 anos e só deixou de lecionar em 2007.


Samuel Phillips Hunting foi um dos cientistas políticos mais importantes e influentes após a Guerra Fria. Foi autor, co-autor e editor de 17 obras e 90 artigos sobre política norte-americana, democratização mundial, estratégia militar e políticas de desenvolvimento.


"O Choque das Civilizações", publicado em 1996 e traduzido para 39 idiomas, foi seu livro mais debatido e controverso. Huntington prevê que, após a Guerra Fria, os conflitos internacionais violentos não seriam disputas entre Estados nacionais, mas que as guerras teriam origens nas diferenças culturais e religiosas entre as grandes civilizações. As civilizações, segundo ele, seriam o Ocidente (Estados Unidos e Europa), a América Latina, países islâmicos, africanos, ortodoxos (sendo a Rússia o principal deles), hindus, "sinos" (China, Coréia e Vietnã) e o Japão. A idéia de Huntington ganhou força depois dos atentados do 11 de Setembro e das guerras subseqüentes no Afeganistão e no Iraque, além do fortalecimento de políticas antiimigração dos EUA e Europa.


Outro livro importante de Huntington é "Terceira Onda: Democratização no Fim do Século 20" (1991), em que ele analisa o processo de democratização mundial ocorrido em mais de 30 países a partir de 1974, principalmente na América Latina e na Ásia. Seu último livro, Who Are We? ("Quem somos nós?", em português), de 2004, discute a identidade cultural dos EUA.


fonte: jornal O Estado de S. Paulo - 28/12/2008.


22 de dez de 2008

Engenharia também no Natal: maior árvore de Natal do mundo é acesa em Itu




Enfeite tem 84 metros de altura e pode ser visto de vários pontos da cidade. A maior árvore de Natal do mundo na cidade dos exageros, Itu (92 km de São Paulo) foi construída no estacionamento do Plaza Shopping Itu, numa das principais entradas da cidade.


A árvore, que é montada pela oitava vez, tem 84 metros, altura equivalente a um prédio de 28 andares. Esse tamanho faz com que a árvore seja vista de praticamente toda a cidade e de estradas ao redor. A árvore gigante de Itu será ligada diariamente a partir das 20h até o dia 06 de janeiro.


As novidades do enfeite este ano são 40 mangueiras com iluminação em LED, que dão movimento à arvore, que poderá ser vista de cinco cores diferentes, que se alternarão a cada dia.A árvore gigante em números:


- São 84 metros de altura, o equivalente a um prédio de 28 andares;

- O tubo principal que sustenta o enfeite tem 1,5 metro de diâmetro, 80 metros de altura e 12 metros de raiz;

- São 350 toneladas de aço e concreto armado que sustentam dezenas de cabos de aço, festões e holofotes especiais;

- A estrela localizada na ponta da árvore mede 4 metros e é formada por 120 metros de mangueira luminosa vermelha;

- Na construção da árvore foram utilizados 15 mil metros de arame galvanizado, 7 mil de festão prateado e mil metros de cabos de aço para sustentação;

- Para iluminar a árvore, foram instalados 90 holofotes de lâmpada com vapor metálico de 400 watts cada, 100 metros de mangueira colorida e 30 lâmpadas estroboscópicas colocadas sobre a estrela, em sua parte superior;

- A novidade deste ano fica por conta das 40 mangueiras com iluminação em LED com 70 metros cada, totalizando 2.800 metros e seqüencial para cada mangueira, que proporciona efeito de pisca e regulagem da velocidade do efeito.


fonte: Jornal de Itupeva

21 de dez de 2008

Encontro Empresarial debate a construção civil para 2009




O braço regional do Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon) promoveu o 1º Encontro Empresarial da Construção Civil em Presidente Prudente, realizado na noite de sábado, 22/11. Na ocasião, o presidente do Sinduscon-SP, Sérgio Watanabe, proferiu palestra sobre os efeitos da crise na construção e perspectivas para 2009. O deputado Ed Thomas (PSB), presente ao evento, enalteceu a iniciativa da regional do Sinduscon, no ato representada pelo diretor regional, Luís Gustavo Ribeiro; os diretores adjuntos, Luiz Bonifácio Urel, Eduardo Sales Ramos e Pablo Molina; o conselheiro consultivo, Norton Guimarães de Carvalho; e a coordenadora regional Cláudia Primolan. Watanabe afirmou que, apesar da crise econômica mundial, o setor da construção civil estará bem em 2009, com previsão de crescer de 4% a 5%, devido ao efeito carregamento de bons resultados deste para o próximo ano, dos investimentos em obras públicas através do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), da linha de financiamento imobiliário para funcionários públicos e de percentual dos recursos da poupança que estarão disponíveis como linha de crédito para a construção. Ed Thomas manifestou satisfação com o que ouviu do líder sindical patronal e comentou que a região de Presidente Prudente deve estar focada neste segmento, na busca de retomada do crescimento econômico e junto com a expansão da indústria sucroalcooleira verificada em todo o oeste do Estado de São Paulo. O parlamentar também elogiou a iniciativa da regional do Sinduscon, homenageando Watanabe em reconhecimento à sua luta em prol da indústria da construção civil no Estado. edthomas@al.sp.gov.br

Construção civil mantém otimismo com economia em 2009




O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem mais um companheiro de otimismo sobre os efeitos da crise financeira mundial na economia brasileira. Paulo Safady, presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção Civil (Cbic), acredita ser "bem viável" a atividade ter crescimento real de 5% em 2009 sobre este ano. "Vejo muita gente com derrotismo, mas sou otimista e prefiro manter o otimismo", afirmou ele.


Ao fazer um balanço, hoje, do comportamento do setor imobiliário no ano até outubro, Safady afirmou que mesmo com o cenário de recessão mundial, ele vê alguma retração na economia brasileira somente no segundo trimestre do ano que vem.


"Acho que a gente pode crescer, sim, 5% ano que vem, desde que o governo faça sua parte mantendo o comprometimento com os investimentos anunciados", ele esclareceu.


O grande motor para que o setor de construção civil dê seguimento ao impulso dos últimos dois anos são as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). "Há muita obra acabando agora, mas outras estão começando", continuou Safady.


Ele criticou, no entanto, o ritmo de liberação dos recursos do PAC, que segundo ele estão "travados" em boa parte dos 45 mil contratos gerenciados pela Caixa Econômica Federal, relativos a 17 áreas do setor público.


"Criamos até um grupo de trabalho para tentar resolver, porque há faturas sem pagamento", disse, explicando que o fato se deve a excesso de burocracia e falta de contrapartida de prefeituras aos recursos federais.


Dados divulgados pela Cbic apontam que dos R$ 17,9 bilhões orçamentários para o PAC em 2008 (fora investimentos das estatais), até o fim de novembro os desembolsos relativos a contratações no ano somaram R$ 2,2 bilhões, isto é, cerca de 12%. Outros R$ 6,7 bilhões foram pagos em restos a pagar de obras contratadas no ano anterior.


A Cbic sugere que, na situação atual de pouca liquidez, o governo não só agilize a quitação de suas faturas, como também reduza o prazo de pagamento de 30 para 20 dias.


Safady afirma que as medidas do governo para garantir recursos de capital de giro ao setor, com R$ 3 bilhões na Caixa, "está fazendo o dinheiro chegar onde precisa". E há ainda outros R$ 7 bilhões que podem ser aplicados pelos bancos privados, em decorrência da permissão do uso de 5% dos depósitos de poupança para giro das construtoras.


Em relação ao otimismo para 2009, Safady declarou que "certamente não se repetirá" no que vem a boa performance do setor imobiliário em 2008. "Mas vamos manter um bom dinamismo com a criação de empregos", declarou. E citou que, no ano até outubro, a construção civil criou 1,6 milhão de empregos e demitiu até agora cerca de 1,3 milhão. O resultado líquido de 303 mil empregos, porém, é recorde.


Mercado Imobiliário - Número de lançamentos diminuirá em 2009



O número de lançamentos imobiliários residenciais na região metropolitana de 2008 deve chegar muito próximo ao observado em 2007, quando o total de 564 projetos lançados bateu o recorde histórico desde 1886, revela dados da Embraesp (Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio). Segundo a pesquisa, nos dez primeiros meses do atual ano corrente, 427 empreendimentos imobiliários foram lançados, somando 53.725 unidades-tipo contra 62.065 unidades postas à venda nos 12 meses do ano passado. "Nossa crença é que até dezembro, esse total chegue a 60 mil unidades lançadas", diz Luiz Paulo Pompéia, diretor da entidade.


Mas a expectativa não é tão positiva para 2009. "No próximo ano, tudo mostra que o universo de unidades lançadas deverá retornar ao patamar médio dos últimos 23 anos, acima das 30 ou 34 mil unidades com 400 ou 460 empreendimentos", diz Pompéia, fazendo referência à revisão de metas anunciadas por diversas companhias no último mês.


Segundo ele, a tendência é que os preços dos terrenos também caiam. "A euforia do mercado nos últimos dois anos fez com que os preços disparassem de forma especulativa, sem embasamento de mercado. Agora, com toda essa reviravolta do mercado, as grandes empresas, que forçaram a subida de preços, já começam a vender seu banco de terras com deságios de até 13%, em alguns casos", explica Pompéia. O diretor afirma que a valorização de algumas terras disputadas pelas incorporadoras em 2007 tenha elevado em até 40% o valor observado nos anos anteriores.


fonte: Piniweb - por Mirian Blanco

8 de dez de 2008

Baixa renda é saída para construtoras

São Paulo, 26 de Novembro de 2008 - A expansão do mercado de edificações brasileiro, responsável por 5,29% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional em 2007, exige a adoção de métodos e medidas que acelerem a lucratividade e diminuam os gastos, já que os efeitos da crise internacional começarão a ser sentidos no setor daqui para frente. Os desafios e a atual realidade das construtoras e incorporadoras foram apresentados na última edição do Boletim de Conjuntura Industrial realizado pela Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e pelo Instituto de Economia da Unicamp, a ser divulgado nesta semana.
Com a demanda aquecida, o mercado ainda não sofreu nenhum impacto que diminuísse sua produtividade. As medidas implantadas pelo governo, como a liberação da linha de crédito de R$ 3 bilhões para a construção civil divulgada pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, possibilitam que os empreendedores tenham subsídios concretos para dar continuidade ao desenvolvimento do setor. "Se forem tomadas as medidas corretas, o setor não irá sofrer grandes impactos. O governo está sinalizando que irá controlar a crise e se mantiver esse crédito, as construtoras continuarão investindo", afirmou o economista da ABDI e um dos responsáveis pelo acompanhamento do Boletim, Rogério Araújo.
Para que o mercado continue acelerado, segundo identificou o estudo, as construtoras e incorporadoras devem ser cautelosas e buscar diferentes alternativas de crédito, a fim de diminuir a imobilização de seus recursos e manter o ritmo entre oferta e demanda. Com um ciclo de negócios longo - em média de 36 meses - a construção civil precisa de um volume significativo de capital para executar seus empreendimentos, tendo assim o crédito um papel expressivo no setor.
A habitação para a população de baixa renda é um dos pontos fortes de investimento no setor e, pode ser uma das oportunidades futuras para as incorporadoras em meio à crise econômica. As novas oportunidades de emprego e, conseqüentemente, o aumento da renda, elevou o consumo de imóveis por parte das classes C, D e E. Antes sem capital para aquisição e sem possibilidades de financiamento, essas classes tiveram a demanda reprimida. Hoje, com a intenção do governo de diminuir o déficit habitacional, tornam-se público-alvo do setor imobiliário.
O Boletim indica, como estimativa do próprio mercado bancário, que o crédito habitacional passe dos atuais 3% para 10% do PIB em 2015. "Se o PIB não diminuir e a renda da população continuar subindo, o mercado encontrará novas oportunidades na crise, como a habitação para baixa renda", comentou o economista.
O aumento da produtividade e qualidade de todas as etapas de produção também são aspectos importantes para a expansão do setor, como evitar perdas desnecessárias de materiais e qualificar a mão-de-obra formal. "Manter o setor forte é importante, pois ele gera muita renda e empregos", diz Araújo. Uma das metas apresentadas no estudo pela Política de Desenvolvimento Produtivo (PDP) é a elevação em 50% da produtividade e a redução das perdas nessa mesma proporção até 2010.
De janeiro a setembro deste ano, foram criadas 301 mil novas vagas de empregos formais, em comparação aos 177 mil no mesmo período em 2007. No entanto, os índices de informalidade são altos, contribuindo para a baixa produtividade já que as empresas informais não cumprem as normas e não seguem um padrão de qualidade. Para Araújo, um dos grandes desafios desse mercado é revertê-lo para a formalidade, "uma empresa formal tem mais facilidade na obtenção crédito, dessa forma, provavelmente as informais devam modificar sua estrutura, mas isso depende da conscientização das empresas".
As indústrias de insumos também precisam acompanhar a demanda do mercado elevando sua produtividade. O nível de utilização da capacidade instalada das fabricantes de materiais de construção corresponde a 85%, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Material de Construção. A atual preocupação das indústrias de insumos é se conseguirão aumentar a capacidade produtiva para acompanhar a demanda, caso o mercado continue aquecido mesmo com a crise econômica mundial.
(Gazeta Mercantil/Relatorio - Pág. 3)(Marianna Pedrozo)

Construção cresce 10%, mesmo com turbulência financeira

São Paulo, 4 de Dezembro de 2008 - A construção civil teve um ano excepcionalmente bom, com crescimento de 10% em relação a 2007. O setor vinha tendo resultados cada vez melhores, mês a mês, até que a crise financeira bateu à porta. Mas mesmo com a turbulência dos mercados, que provocou um leve soluço na indústria, o percentual deve permanecer o mesmo. E a expectativa para o ano que vem continua positiva: crescimento de 3,5% a 4,5%, apesar das projeções anteriores girarem em torno de 9%. "A atividade vai carregar a economia brasileira em 2009, que deve crescer de 2% a 3%", avalia Sérgio Watanabe, presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon-SP), durante coletiva ontem, em São Paulo.
Watanabe afirma que as atividades não vão parar no ano que vem, porque "o setor que capitaneou a indústria", o mercado imobiliário, vai continuar forte, assegurando um cenário positivo até pelo menos o fim do primeiro trimestre de 2009. "O crescimento econômico é fundamental para dar segurança aos compradores, que continuam com crédito para financiarem suas compras." Ele lembra que os principais propulsores do financiamento são o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) e a caderneta de poupança, que não foram atingidos pela incerteza financeira.
Segundo dados apresentados durante a coletiva, o financiamento habitacional, com recursos da poupança, foi 80% superior ao concedido em 2007. O problema, segundo o presidente do Sinduscon-SP, é que a população está começando a ficar amedrontada com o "clima de terrorismo da crise", o que pode impactar negativamente nos números dos próximos 12 meses.
Outro fator que garantiria a continuidade das atividades da construção é o investimento do governo brasileiro no setor. "O Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) continua no ano que vem, e os estados já anunciaram que vão investir mais no setor. São Paulo anunciou que irá liberar R$ 40 bilhões até 2010", diz Watanabe.
A construção foi também responsável pelo maior número de empregos do País: todas as regiões do Brasil registraram crescimentos superiores a 10% no nível de emprego no segmento. Chegou a haver falta de mão-de-obra qualificada nos canteiros de obras. No fim de outubro, cerca de 2 milhões de pessoas trabalhavam no segmento.
"Nenhum governo quer que haja redução dos postos de trabalho. Mas por causa do mercado, o que pode ocorrer é um equilíbrio entre oferta e demanda, o que significa queda nos preços de insumos e de empregos", projeta. Entre janeiro e outubro, apesar dos preços exorbitantes, as vendas de cimento aumentaram 15% e as de aço, 37%. No mercado interno, o faturamento da indústria de materiais cresceu 24%, em relação ao mesmo período de 2007.
Os empresários ainda permanecem otimistas com relação aos lançamentos de imóveis para 2009, embora menos que no ano passado, com relação ao mercado de média e baixa renda. Essa é a conclusão da 37 Sondagem Nacional da Construção, realizada com 235 construtoras em todo o País, apresentada por Eduardo Zaidan, diretor de Economia do Sinduscon-SP.
(Gazeta Mercantil/Relatorio - Pág. 3)(Natália Flach)

Imóveis comerciais vivem sua melhor fase em 18 anos

São Paulo, 4 de Dezembro de 2008 - O mercado de imóveis para escritórios, em São Paulo e no Rio de Janeiro, teve seu melhor momento, desde 1990, no terceiro trimestre deste ano. Concluído no final de setembro, o balanço desse período avaliou a absorção em espaços para a classe A de 173 mil metros quadrados a mais do que o trimestre anterior, e uma taxa de vacância no Estado de São Paulo, para edifícios do mesmo público, de 5,2%, valor abaixo do estipulado como ideal - 8% a 10%. No Rio de Janeiro, a taxa de vacância, avaliada em 10,7%, foi maior, devido a entrega de um novo edifício - torre A do Ventura Corporate Tower - no centro, com 54 mil metros quadrados.
A elevação dos preços de locação foi outro aspecto que comprovou a ascensão do segmento no período. Segundo estudo realizado pela consultoria Cushman & Wakefield, a metrópole paulista atingiu média total de R$ 54,50 o metro quadrado útil, e a carioca, de R$ 64,70 o metro quadrado útil.
Com 8,4 milhões de metros quadrados para imóveis comerciais em São Paulo e 5,2 milhões de metros quadrados no Rio de Janeiro - sendo 1,8 milhão de metros quadrados e 1,3 milhão de metros quadrados para a classe A respectivamente - a locação de imóveis vem evoluindo desde 2003. Só no Rio, verificou-se um aumento de 20% nos meses de julho, agosto e setembro.
Mesmo com dados expressivos, preocupação e cautela são importantes nesse momento de incertezas, devido a crise financeira mundial. "É preciso esperar as medidas do governo. As construtoras que já tinham investido continuarão com os empreendimentos, as que não descapitalizaram estão aguardando o que irá acontecer no mercado até o início de 2009", afirmou a gerente de pesquisas para a América do Sul da Cushman & Wakefield, Milena Morales.
A entrega de 180 mil metros quadrados em edifícios no ano que vem poderá aumentar a taxa de vacância, "ela será um pouco maior que hoje, pois os espaços que já estão locados não serão devolvidos", comenta Milena. A expectativa, segundo a gerente, é de que os valores das locações permaneçam estáveis no próximo ano.
Em São Paulo, a Avenida Faria Lima reúne os edifícios mais procurados pelos escritórios de classe A, devido ao status que a região proporciona, somando uma taxa mínima de vacância de 2%, em relação a outros bairros. A segunda opção dos empreendedores são as avenidas Paulista e Berrini. No Rio de Janeiro, a região sul concentra o maior número de imóveis comerciais, principalmente em Ipanema e Leblon.
Mobiliário
Para acompanhar a demanda e a realidade atual do setor imobiliário de escritórios, empresas de móveis comerciais buscam inovação e contato diferenciado com seus clientes. O design e o custo-benefício são os objetivos da Riccó, empresa moveleira para escritórios que vem crescendo 43% ao ano desde 2004. Em novembro, a empresa, com sede em São Paulo, atingiu faturamento recorde de R$ 11 milhões. "Este é o melhor período para as vendas, pois as empresas mudam de local no final do ano", comenta Fernando Bottura, diretor da Riccó.
O forte da empresa é o atendimento personalizado. Arquitetas reúnem-se com os empreendedores para definirem a melhor opção e disposição dos móveis, de acordo com a realidade do cliente. "Nosso objetivo é tornar a venda dos móveis mais fácil, por isso o layout do local é feito e apresentado durante a visita", conta o diretor.
O móvel mais procurado pelos escritórios é a mesa plataforma, que corresponde a 70% das vendas da Riccó. Além de otimizar o espaço, com um ambiente aberto sem divisórias por baias, facilita a comunicação. "Ao mudar, as empresas buscam melhorar o ambiente de trabalho, gerar produtividade e por sua vez, aumentar a rentabilidade", completa Bottura.
Sem sofrer, ainda, os impactos da crise financeira, o executivo acredita que em 2009 a demanda no setor cairá em decorrência da "sensação psicológica" que atinge o mercado. "As metas da Riccó para o próximo ano foram reduzidas para um crescimento de 35%", afirma.
A rede de franquias é uma das estratégias da empresa para aumentar as vendas por território. Seis lojas no Rio de Janeiro, Salvador, Belo Horizonte e Fortaleza serão inauguradas em 2009. Outra iniciativa que visa suprir o déficit das compras nacionais é a atuação da empresa no mercado externo. Atualmente, a Riccó exporta somente complementos para projetos, em pequenas quantidades. Mas com o atual valor do dólar, a empresa pretende voltar ao índice de exportação que tinha há dois anos, que representava 20% do faturamento, na época, cerca de R$ 7 milhões/ano - quando exportava para Angola, Mercosul e Espanha.
(Gazeta Mercantil/Relatorio - Pág. 5)(Marianna Pedrozo)

A necessidade de uma política habitacional

4 de Dezembro de 2008 - Muito se escreveu nas últimas semanas com relação ao virtual duelo dos renomados economistas e seus discípulos acadêmicos. O debate se estende à irrelevância da protuberância do nível das taxas de juros nominais e primárias em nosso Brasil, a execução primária de nossas contas, ao comércio internacional, seus benefícios e malefícios, mas, relega ao segundo plano as políticas essenciais de formulação, posicionamento, e porque não dizer, do fomento primordial da atividade econômica e das políticas estratégicas e internas de cada país, evidentemente que por não considerar os diferentes estágios em que se encontram.
O Brasil foi pego de surpresa? Por aqui não se regula, ou pelo menos não se pretende regular o preço do câmbio, entretanto, de forma indireta, através da taxa de juros primária excessivamente elevada, aprecia-se o real, ao ponto de que apostas contra a nossa moeda realizadas por companhias das mais tradicionais, sirvam ao propósito - pasmem - de reduzir o custo dos empréstimos, ou seja, reduzir a mesma taxa de juros que apreciou nossa moeda.
Tudo isso ocorreu parte em mercados organizados, parte em negociações particulares entre companhias e bancos, causando de forma descontínua, ajuste de posições que fortemente demandaram liquidez, drenando bilhões dos bancos, sem a contrapartida imediata por parte das companhias, provocando a tal descontinuidade, afetando a liquidez do sistema financeiro doméstico, ameaçando nosso País com a importação indireta de uma crise, exatamente no momento em que julgávamos estar mais preparados para enfrentá-la.
O poder regulatório, a governança corporativa, Keynes e Friedman, e toda nossa confiança foram por água abaixo, de uma só vez, em uma única aposta. Conseguimos complicar aquele que seria o momento de mostrarmos ao mundo que por aqui também entendemos de planejamento estratégico, da valorização de nossos ativos, da formulação de conceitos, da força e potencialidades de nosso mercado interno.
O artigo 6 da Constituição define a moradia como um direito fundamental do cidadão brasileiro, e considerando ainda a imensa relevância dessa prerrogativa, tramita na Câmara dos Deputados em Brasília, desde 25 de setembro de 2007, Projeto de Lei que objetiva a retomada do crescimento econômico, com a conseqüente geração de emprego e renda, através de uma nova política macroeconômica para o setor imobiliário.
Estudo publicado em 18 de setembro de 2007 pelo Ministério das Cidades, aplicando padrões utilizados no levantamento censitário de 2004 realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 555 regiões metropolitanas nacionais, revelam que cerca de 12,3 milhões de brasileiros viviam em mais de 3 milhões de palafitas, cortiços, favelas e outras moradias precárias nas principais metrópoles do País. Segundo o Ministério das Cidades, o trabalho serviria de base para a formulação de plano nacional que deveria fixar metas para os próximos 15 anos.
Em 2001, foi promulgada a Lei n 10.257, denominada Estatuto das Cidades, obrigando os municípios mais populosos a formularem e atualizarem os seus Planos Diretores agregando àqueles municípios, instrumentos de política urbana, os quais por sua vez, têm o viés de modernizar a operação de gestão do desenvolvimento imobiliário das cidades.
Em 2004, através de Resolução do Conselho Monetário Nacional n 3177, a autoridade monetária passou a regular de forma mais incisiva dispositivo eletivo ao investimento obrigatório de recursos destinados ao financiamento da produção imobiliária e ao financiamento dos adquirentes de unidades imoiliárias em todo o País, dando impulso à construção civil.
A renda média da população, especialmente das classes menos favorecidas e da classe média brasileira, não vem acompanhando o crescimento dos fatores que oneram o desenvolvimento imobiliário nos grandes centros urbanos brasileiros, e nesse momento, encontra-se fortemente ameaçada pela importação de uma crise mundial sem precedentes.
Considerando que a atividade da construção civil tem grande representatividade no produto interno do nosso País, e portanto, tem grande capacidade de geração de postos de trabalho, de impostos e taxas de contribuição em todos os níveis de governo esta medida ainda poderá incentivar o setor.
Dizia o Projeto de Lei já em setembro do ano passado que, a crise dos "subprimes" - créditos de baixa garantia - no mercado norte-americano, afetou o valor de todos os ativos negociados nos mercados de capitais e financeiros em todos os centros financeiros do mundo globalizado. Produzindo incerteza sobre a atividade de financiamento imobiliário, obrigando os Bancos Centrais a injetarem recursos para equilibrar a liquidez daqueles mercados, ainda que sem ter chegado ao volume de prejuízo havido.
Evidentemente que a política habitacional brasileira deve ser considerada uma atividade macroeconômica, de interesse maior do País, e, portanto, não somente exige política específica, como também plano de incentivo que acompanhe o crescimento da população, e principalmente, que possa gerar níveis compatíveis com a garantia e a efetividade da atividade de financiamento privado aos adquirentes.
Presidente Lula, o mercado imobiliário não precisa de recursos para socorrer as suas companhias, o que precisamos é de uma política habitacional séria, consistente, que privilegie o nosso povo. Precisamos retomar a confiança dos compradores de imóveis e renovar nossas expectativas.
O Projeto de Lei Federal n 2124 de 25 de setembro de 2007, da autoria do deputado federal pelo PSDB fluminense Otávio Leite, propõe a instituição de mecanismo tributário através do Imposto de Renda Pessoa Física, para fins de estímulo à aquisição de casa própria por contribuinte, desde que, exclusivamente, destinada para sua moradia. Keynes e Friedman que me desculpem, mas é do deputado Otávio Leite que precisamos.
kicker: Censo do IBGE feito em 2004 revelou que cerca de 12,3 milhões de brasileiros viviam em 3 milhões de moradias precárias
(Gazeta Mercantil/Relatorio - Pág. 5)(Paulo Fabbriani - Vice-presidente da Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário do Rio de Janeiro (Ademi-RJ))

6 de dez de 2008

MERCADO ABERTO PARA PRODUTOS MAIS VERDES





Com a nova realidade global e a crescente demanda por produtos verdes, grandes corporações começam a repensar suas estratégias de negócios visando adaptar-se a um mercado consumidor cada vez mais engajado e sensível às questões socioambientais.


A partir do investimento em pesquisa e em novas tecnologias, alternativas mais sustentáveis surgem a cada dia, inspiradas em casos mundiais já clássicos de inovação verde, como a linha Ecoimagination, da General Eletric, e os veículos híbridos Prius da Toyota.


Segundo Alexandre Alfredo, diretor de comunicação da GE na América Latina, a inovação para produtos mais sustentáveis começou a ganhar força na empresa a partir de 2004. "Foi quando sentimos que havia a necessidade do desenvolvimento de novas tecnologias, que deveriam ser mais limpas e mais amigáveis em relação ao meio ambiente. Essa era uma preocupação em comum dos clientes da GE. Assim resolvemos lançar a Ecoimagination".


De acordo com Alfredo, existe uma forte consciência socioambiental em ascensão no Brasil. O consumidor - acredita - está cada vez mais exigente e cobra ações eficientes por parte das empresas, do governo e das ONGs. "Existe uma consciência muito presente. Por conta disso, identificamos várias oportunidades na área. Não abraçamos esse tema porque queremos ser simplesmente corretos, mas porque é uma unidade de negócios que pode gerar muito retorno financeiro", explica o diretor.


A linha Ecoimagination será lançada oficialmente no Brasil em 2009. Mas os primeiros bons resultados comprovam o sucesso do empreendimento. Em três anos, mais de 5.000 projetos da linha foram lançados, gerando uma economia energética de US$ 97 milhões e a redução de 600 mil toneladas de CO2 por metro cúbico, contabilizados produção e consumo. O segmento de produtos mais sustentáveis já rendeu à General Eletric lucro de aproximadamente US$ 14 bilhões.

Inovações para o mercado verde

Algumas empresas já têm uma posição consolidada em relação a práticas ambientalmente responsáveis. É o caso da Natura. Considerada uma pioneira em sustentabilidade no País, a empresa fez investimentos importantes, na última década, visando substituir elementos fósseis por outras substâncias na composição de seus produtos, e também o álcool comum pelo álcool orgânico na perfumaria e nos desodorantes da marca.


Segundo Daniel Gonzaga, diretor de pesquisa e tecnologia da empresa, o processo de modificação dos produtos pode levar de um a dois anos de estudo. "É necessário garantir que a matéria-prima esteja disponível na quantidade necessária e que a nova fórmula não altere as características sensoriais da composição. Não adianta desenvolver algo sustentável, natural, mas que não agrade o consumidor", conta o executivo da Natura.


As inovações na formulação dos cosméticos da Natura só foram possíveis após anos de trabalho no campo de pesquisa e desenvolvimento, com o auxilio de cerca de 200 profissionais de diferentes formações. Para Gonzaga, a união entre as empresas é fundamental para que resultados eficientes possam ser alcançados em menor prazo. "Muitas vezes, temos projetos interessantes do ponto de vista tecnológico, mas que não conseguem ser viabilizados econômicamente porque são poucas as empresas interessadas em desenvolvê-los". Esse tipo de parceria representa o conceito de Open Innovation (Inovação Aberta), uma tendência no mercado que leva empresas a expandirem seus conhecimentos para além dos laboratórios, permitindo economia de tempo e de recursos.


Outra tendência no segmento de produtos mais verdes são os concentrados. Um bom exemplo é a nova versão do Confort de 500 ml, cuja vantagem ambiental é, mantendo o mesmo rendimento da versão de 2 litros, gerar uma economia de cerca de 20% para os consumidores, além de reduzir custos na produção e na confecção de embalagens. Na avaliação de Jorge Lima, gerente de assuntos governamentais e socioambientais da Unilever Brasil, o caso do Confort não reflete apenas o universo dos bens de consumo de limpeza, mas uma tendência global. "O consumidor está sendo convidado a mudar um pouco a sua cultura em benefício do meio ambiente. Acredito que, no futuro, mais produtos serão concentrados", avalia.


Em relação às embalagens, a Unilever tem feito várias inovações. A redução do tamanho da caixa do sabão em pó Omo, por exemplo, evita o corte de 2,4 mil árvores por mês e reduz em 9% o consumo de combustível para transporte interno e externo. O desodorante Rexona, que antigamente vinha com uma tampa de plástico na embalagem, também passou por uma reformulação para eliminar esse item que terminava na reciclagem pós-consumo. A transição de vidro para PET das embalagens da maionese Hellmann´s, é outro exemplo eficiente, na medida em que resulta em economia anual de 1.029 toneladas de vidro e de perto de 26.000 litros de água.


No mercado desde maio de 2008, esses novos produtos e embalagens, seguem ao pé da letra a nova cartilha da sustentabilidade, estimulando - segundo Lima - uma importante mudança de hábito nos consumidores. "O brasileiro opta tradicionalmente por custo e benefício. Mas hoje, há um terceiro pilar em questão: se o produto possui o selo verde e tem compromisso com a responsabilidade social", ressalta o gerente da Unilever.


A Tetra Pak, empresa líder no setor de processamento, envase e distribuição de alimentos, também tem disseminado a idéia da sustentabilidade por toda a sua cadeia produtiva A preocupação ambiental com o descarte de seus produtos, aliada à produção recorde de 137 bilhões de embalagens em 2007, levou a empresa a desenvolver uma tecnologia específica para fabricação de diversos objetos a partir da mistura de plástico e alumínio, após a separação do papel que compõe a embalagem - utilizado posteriormente na produção de caixas de papelão e de papel reciclado.


As soluções desenvolvidas pela empresa estimulam o desenvolvimento das recicladoras e geram parcerias eficientes de negócios. Na fábrica Eco-Futuro, por exemplo, embalagens da Tetra Pak já utilizadas passam por um processo de prensagem, resultando em telhas. Na fábrica Polares, o material chamado pellet (mistura de alumínio e plástico) tem sido utilizado na produção de vassouras.


Segundo Fernando Von Zuben, diretor de meio ambiente da Tetra Pak, a quantidade de clientes que compram embalagens da companhia aumentou consideravelmente nos últimos anos. "É benéfico para uma empresa ter seu nome associado a uma cadeia de fornecedores socioambientalmente responsáveis", afirma o executivo.


Além de criar novos produtos verdes, há um mercado empenhado em tornar mais sustentáveis os já existentes. Um exemplo dessa evolução é a indústria automobilística. O novo conceito Flex Start, desenvolvido atualmente pela Bosch, pode resultar na produção de carros menos prejudiciais ao meio ambiente. Um veículo que possui o Flex Start está apto, por exemplo, a fazer uma "partida a frio", sem precisar do reservatório dos veículos comuns, proporcionando uma redução de até 40% na emissão de poluentes. A previsão é de que esta nova tecnologia esteja disponível no mercado brasileiro a partir do próximo ano.


Outra novidade que pode ser muito eficiente nas grandes cidades é o sistema Start Stop, que reconhece uma série de condições de uso do carro e desliga o motor automaticamente quando o automóvel está parado em marcha lenta por longo período, sendo acionado novamente apenas com o uso dos pedais. Esse sistema pode reduzir em até 8% o consumo de combustível e em até 5% as emissões de CO2. O Star Stop já integra os veículos europeus e deve estar disponível no Brasil a partir de 2010.


De acordo com Fábio Ferreira, gerente de desenvolvimento de produtos da unidade sistemas a gasolina da Robert Bosch América Latina, a introdução dessas novas tecnologias no mercado, avaliada juntamente com o impacto no custo final dos veículos, tem gerado bons resultados. "É perceptível a disposição crescente dos consumidores para comprar produtos ambientalmente corretos", destaca Ferreira.

Empresas mais conscientes

A necessidade de conscientizar os novos consumidores também se mostra um desafio para as empresas que investem em produtos mais sustentáveis. Segundo o diretor da GE, o Brasil tem uma nova classe média com grande poder de consumo e, por isso mesmo, inegável capacidade de influenciar os negócios. "Essa mudança reflete na habilidade do País crescer de uma maneira sustentável e na forma como a GE se prepara para atender a essa demanda".


Para ajudar a fortalecer a consciência socioambiental nessa nova sociedade em formação, a GE aposta na Convocação Regional, evento que está no quinto ano e acontece pela primeira vez na América Latina e no Brasil. Cerca de 20 lideres de opinião, entre governo, empresas e ONGs, se reunirão na segunda semana de outubro para trocar experiências sobre um determinado tema, que, neste ano, será a sustentabilidade. Segundo Alfredo, como os negócios geram um impacto importante para a sociedade, deve partir das empresas o desenvolvimento de alternativas e soluções mais sustentáveis.


Na mesma linha de conscientizar consumidores, a Natura foi a primeira no País a destacar uma tabela ambiental no rótulo de produtos. "Elas contém informações a respeito da quantidade de matéria-prima proveniente de fontes renováveis e quais embalagens são recicladas ou recicláveis", afirma Gonzaga.


Para Lima, da Unilever, quanto mais consumidores engajados, mais empresas devem aderir às práticas sustentáveis. "De modo geral, quando os consumidores são exigentes, a indústria procura se melhorar. O que temos feito é levar em consideração toda a preocupação durante o processo de produção de novos produtos".


Para Von Zuben, da Tetra Pak, o mais importante na relação com os consumidores é a transparência. "A empresa deve comunicar apenas a realidade. No final das contas, é muito fácil vender. Demora-se anos para se construir credibilidade. E pouco tempo para perdê-la".


DIRETRIZES PARA DESENVOLVIMENTO DE UM PROJETO SUSTENTÁVEL





Vista externa da Casa Eficiente, observando-se o painel fotovoltaico (cobertura central) e coletores solares orientados a Norte (LABEEE, 2006)

Para as edificações atingirem um nível de sustentabilidade devem seguir umas diretrizes que segundo Triana (2005), podem estar englobadas nas seguintes categorias e são descritas a seguir:

- Escolha de um entorno sustentável;

Escolha de local para o projeto de acordo com critérios de sustentabilidade: Para novos projetos deve-se dar preferência à implantação de empreendimentos em áreas urbanas com infra-estrutura existente, privilegiar a revitalização urbana e a urbanização de áreas degradadas.

- Uso racional dos recursos naturais;

Uso racional da água: Os empreendimentos devem considerar a proteção ao ambiente marinho e hídrico; fazer captação e uso da água de chuva e reuso de águas cinzas, buscando o menor uso possível de água potável dentro do projeto. É importante buscar a redução do consumo geral de água da edificação em 20% a 30% através do uso de metais e louças de banheiros que utilizem menor quantidade de água; promover a infiltração de água de chuva tratando-a no local e promover o uso correto da rede de drenagem pluvial. Nessa mesma linha deve-se evitar a impermeabilização total do terreno para promover a recarga do aqüífero; evitar a contaminação do lençol freático e implantar um sistema de tratamento de esgoto ecológico.

Promoção da eficiência energética na edificação: O objetivo principal do uso racional da energia nas edificações deve ser buscar a redução no consumo de energia e o aumento no uso de fontes alternativas: solar térmica, fotovoltaica, eólica, biomassa, biogás, entre outras. De forma geral os fatores que devem ser cuidados dentro da edificação para reduzir o consumo de energia são: consumo na iluminação; desempenho térmico da edificação, que pode criar necessidade de condicionamento artificial; energia gasta para aquecimento de água; e a energia gasta em aparelhos de condicionamento térmicos e eletrodomésticos. A aplicação de critérios de projeto bioclimático desde a concepção inicial do projeto é a chave para um melhor desempenho térmico da edificação.

Escolha e uso de materiais para o projeto com base em critérios sustentáveis: Deve-se fazer uso restrito de materiais com alto valor energético e materiais que representem danos a saúde. A especificação de materiais deve ser feita em função da durabilidade, do transporte (dando preferência a materiais locais e regionais) e do custo energético do material (baseado no ACV – Análise do Ciclo de Vida, que considera sua extração, transporte, fabricação, incorporação na obra e seu potencial de reutilização).

Promoção da reciclagem e recuperação de resíduos dentro da edificação: Realizado através da minimização do desperdício; separação de lixo orgânico do reciclável e minimização, reaproveitamento e adequado uso final do entulho das obras.

Evitar emissões atmosféricas vindas de equipamentos instalados no edifício que afetem a camada de ozônio: Devem-se minimizar as emissões de sustâncias que a afetem a camada de ozônio durante a operação do edifício e promover o uso de sistemas de condicionamento ambiental sem uso de gases refrigerantes CFC (Cloroflourcarbono).

- Promoção e manutenção da qualidade ambiental interna da edificação;

Poluentes de ar: O objetivo é manter o ar interno da edificação livre de poluentes, reconhecendo as áreas com fontes poluidoras durante o zoneamento da edificação e colocando-as distantes das áreas principais de ocupação. Também se deve promover o controle ambiental da fumaça de tabaco dentro das edificações comerciais, proibindo fumar em ambientes fechados ou criando uma área exclusiva para este fim. É importante também especificar materiais como adesivos, seladores, pinturas, carpetes e madeira composta com baixo conteúdo de VOC (Compostos orgânicos voláteis).

Edificação com níveis de conforto térmico de acordo com o estabelecido pelas zonas climáticas: A temperatura do ar e a umidade relativa dentro das edificações devem manter-se em níveis aceitáveis tanto em espaços ventilados naturalmente quanto mecanicamente, de forma a mantê-lo dentro do estabelecido nas zonas climáticas brasileiras de NBR 15220-3 (ABNT, 2005). O projeto de Norma 02:136.01-004:2002 (COBRACON) de desempenho de edifícios habitacionais de até 5 pavimentos dá parâmetros para transmitância (U) e capacidade térmica (CT) para as paredes; e transmitância (U) e absortância (α) para as coberturas para as diversas zonas climáticas brasileiras, estabelecendo diferentes níveis de desempenho aos quais devem ser baseados os projetos. O projeto de norma também faz recomendações à respeito do tamanho das aberturas e do sombreamento para as aberturas das paredes externas, considerando-o obrigatório para janelas de dormitórios.

Promoção de ventilação natural na edificação: Os principais objetivos da ventilação natural nas edificações é evitar gastos com energia através do uso de aparelhos condicionadores de ar e criar ambientes mais saudáveis e com boa circulação de ar. Isto pode ser obtido através da ventilação cruzada nos ambientes, efeito chaminé por meio de aberturas em diferentes alturas, uso de elementos como pátios dentro do projeto.

Maximizar a Iluminação Natural dentro da edificação: Deve ser garantido o acesso visual ao exterior no mínimo em 90% dos espaços ocupados; utilizar o perímetro da edificação para tarefas visuais mais críticas; privilegiar o uso de cores claras no interior da edificação para melhoria do desempenho da luz natural; usar vidros com desempenho de acordo com a fachada em que se localizam e evitar o impacto do edifício nas edificações vizinhas em relação à entrada de luz. Na iluminação artificial deve-se evitar o uso excessivo de luminárias e a poluição de luz que sai do edifício; garantir uma integração maior entre a iluminação natural e artificial; fazer uso de lâmpadas e luminárias mais eficientes; não projetar espaços com profundidade superior a 2,5 vezes a altura do piso até as vergas das janelas; e preferir o uso de luz pontual no plano de trabalho somado a uma iluminação geral distribuída com menor potência, principalmente no caso de edificações comerciais.

Proporcionar um bom desempenho na edificação relativo ao ruído e acústica: Muitas das características de desempenho acústico da edificação já estão determinadas com as dimensões e forma da edificação, por isso a importância de que seja pensado desde a fase inicial do projeto. O objetivo é atenuar ruídos nas principais áreas de ocupação através da envoltória (paredes e piso da edificação), trabalhando esses componentes com materiais que sejam isolantes acústicos. Atenção especial deve ser dispensada a paredes divisórias e entre pisos de salas em edifícios comerciais e edificações residenciais multifamiliares. Por fim, deve-se considerar um zoneamento diferenciado para locais geradores de ruído.
- Características do projeto;
Prever flexibilidade e adaptabilidade do projeto para adaptação a novos usos e sistemas técnicos: Espera-se que o projeto do edifício favoreça a desmontagem, reciclagem e reutilização dos componentes da edificação, de forma que não se tenham grandes custos financeiros e energéticos (de material). Também dever ser garantida uma facilidade a mudanças futuras da edificação, em ocupação, na envoltória, modificação de sistemas técnicos e tipo de suprimento de energia. Neste sentido conceitos como a racionalização e modulação adquirem um papel muito importante no projeto.

Processo de projeto multidisciplinar e integrado: Promover um processo de projeto multidisciplinar e integrado desde o início do projeto, se destaca com grande importância para o projeto de edificações mais sustentáveis, apoiado no estudo climático do local, o qual define as estratégias de saída do projeto.

Promover maior manutenção das qualidades internas e externas da edificação sem necessidade de usos mecânicos e fornecer um alto controle aos ocupantes do edifício sobre os sistemas técnicos: É importante fornecer um alto nível de controle aos ocupantes do edifício sobre os sistemas técnicos de ventilação e iluminação; projetar para manter as funções fundamentais do edifício no caso de falta de energia e para garantir a operação parcial dos sistemas técnicos; e pensar na sua manutenção. Manter projetos e documentação as built, a fim de evitar problemas futuros nas reformas; e fazer comissionamento dos sistemas técnicos dos edifícios.
- Aspectos sócio-econômicos.
Dentre eles deve considerar-se a aplicação dos critérios de Desenho Universal nos projetos (NBR 9050, 2004); e a maximização ao apoio à economia local através do uso de materiais e mão de obra local.






CERTIFICAÇÃO AMBIENTAL DE EDIFICAÇÕES

Vários países no mundo têm ou estão produzindo leis e incentivos para edificações que sejam projetadas de forma ambientalmente responsável e com alto desempenho. Em muitos deles existem sistemas de certificação ambiental para edificações nos quais se reconhece os melhores desempenhos das edificações em relação a usarem mais critérios de sustentabilidade. Os sistemas de certificação começaram na Europa e essa forma de incentivo difundiu-se em outros países da América (principalmente no Canadá e nos USA) e hoje outros países como Japão, Austrália, México, entre outros, também tem seu próprio sistema de certificação.
Entre os principais sistemas de avaliação ambiental de edificações podem-se destacar:
- LEED - Leadership in Energy and Environmental Design. USA

- REEAM e ECOHOMES - BRE Environmental Assessment Method. Reino Unido.
- CASBEE - Comprehensive Assessment System for Building Environmental Efficiency. Japão. http://www.ibec.or.jp/CASBEE/

- HQE – Haute Qualité Environnementale dês Batiments. França.

- GREEN STAR– Austrália.
Todos estes sistemas de avaliação são membros do World GBC – World Green Building Council http://www.worldgbc.com, o Conselho de edificações verde mundial. Muitos outros países estão em vias de formar seu próprio conselho e estabelecer um sistema de certificação ambiental.
Em alguns países esta busca também tem partido de incentivos governamentais, como prêmios ou regulamentações. Nos Estados Unidos, por exemplo, estados como Washington exige que todos os seus edifícios públicos tenham o selo verde do LEED na categoria Gold (Ouro).

CONSUMO DE RECURSOS NATURAIS NAS EDIFICAÇÕES

Figura 1 – Evolução do consumo de energia elétrica por habitante em alguns países. (U.S CENSUS BUREAU; EIA-ENERGY INFORMATION ADMINISTRATION, Official Energy Statistics from the U.S. Government)


A construção e o uso dos edifícios são um dos maiores consumidores dos recursos naturais no ambiente, consumindo 16,6% do fornecimento mundial de água pura, 25% de sua colheita de madeira e 40% de seus combustíveis fósseis e materiais manufaturados (Wines, 2000). Esta indústria responde também pelo processo de contaminação atmosférica, sendo responsável por uma grande parcela das emissões de C02, principal gás responsável pelo efeito estufa. No Brasil, a indústria cimenteira contribui atualmente com 6% a 8% do CO2 emitido (CDIAC, 2000 apud JOHN, 2000).
Em função do modo de vida e das crescentes exigências de conforto da população (gerado principalmente por meio de sistemas e equipamentos supridos com energia proveniente de fontes não renováveis), o consumo energético tem aumentado no mundo todo, sendo os países mais desenvolvidos os que apresentam maior consumo (Figura 1). Dentro do panorama nacional, as edificações consomem, para uso e manutenção, 44% do consumo total de energia elétrica do país, distribuído entre os setores residencial (22%), comercial (14%) e público (8%) (Brasil, BEN, 2005). Salienta-se que nesta estimativa ainda não é levada em consideração a parcela de energia embutida nos materiais que compõem as edificações.
O consumo e uso da água é outro critério importante a ser considerado quando se fala em edificações sustentáveis, principalmente porque a água encontra-se distribuída de forma desigual no mundo (Figura 2). Estima-se que apenas 2,5% da água do planeta seja própria para o consumo; sendo que a maior parte desta encontra-se na forma de gelo polar ou em camadas profundas e inacessíveis. Assim sendo, a quantidade de água potável acessível em lagos, rios ou represas, representa algo em torno de 0,01% do total da água no planeta (UNEP, 2002). Além disso, o consumo de água no mundo vem aumentando exponencialmente e Lemos (2003) alerta que apenas para o atendimento da demanda futura para fins urbanos seriam necessários investimentos na ordem de 11 a 14 bilhões de dólares por ano, durante os próximos trinta anos. Segundo projeções da ONU, no ano de 2025 dois terços da população mundial (ou 5,5 bilhões de pessoas) viverão em locais que sofrem com algum tipo de problema relacionado à água.
A concentração de CO2 é outro dos problemas importantes ocasionados pelo desenvolvimento da sociedade e que teve grande aumento nos últimos anos. Se continuarmos na tendência de crescimento atual (os Estados Unidos, por exemplo, são responsáveis por mais de 20% das emissões de CO2 no mundo), estaremos cada vez mais longe do nível de sustentabilidade estabelecido no protocolo de Kyoto, sendo necessário, entre outras estratégias, o desenvolvimento de tecnologias mais ecologicamente corretas.
Dados do ultimo relatório do International Panel on Climate Change – IPCC apresentado em maio de 2007, em Bangkok, Tailândia, mostram que as emissões globais de gases causadores do efeito estufa vêm aumentando desde a era pré-industrial, com um crescimento de 70% entre 1970 e 2004. Com as atuais políticas sobre mudanças climáticas e práticas de desenvolvimento sustentável relacionadas, estas emissões continuarão a crescer nas próximas décadas.
De acordo com Zakaria (2007), a maioria dos estudos prevê que o consumo de energia no mundo vai dobrar até o 2050 e a China e a Índia serão grandes responsáveis por este aumento. Os dois países estão construindo 650 termelétricas, sendo que a emissão de CO2 delas todas será cinco vezes maior que a economia que o acordo de Kyoto assinado em 1997 obteria, se todos os países ocidentais tivessem aderido às suas metas, o que não ocorreu.
Desta forma, o alto consumo dos recursos naturais e o desenvolvimento insustentável que temos experimentado até agora está ocasionando conseqüências econômicas graves, alterações dos ciclos na fauna, secas, aumento na freqüência e violência dos furacões e tempestades tropicais, redução na camada de ozônio e aquecimento global provocado pelo efeito estufa (que entre outras conseqüências traz o derretimento das calotas polares, elevação dos níveis do mar, devora áreas de terra, contamina os reservatórios de água doce e provoca a migração de populações costeiras).
Tudo isto coloca hoje mais do que nunca em evidência a aplicação do conceito de desenvolvimento sustentável em todos os níveis, e em especial às edificações, visto que a forma como são projetadas, construídas e usadas influenciam diretamente no consumo de recursos e no conforto e saúde da população que nelas interage.






Política de eficiência energética exige a consolidação de parcerias do setor público com o setor privado



A energia é o pilar do desenvolvimento mundial. A sua utilização, nas mais diversas formas, propiciou ao homem o acesso a uma melhor qualidade de vida ao longo dos dois últimos séculos. Com a escassez de fontes tradicionais de energia e a degradação do meio ambiente, verificou-se que a energia custará um preço muito alto a ser pago pelas futuras gerações.

Após o primeiro choque do petróleo, em 1973, os governos de vários países conscientizaram-se de que era preciso utilizar a energia de forma mais racional e lançaram o desafio de aumentar a eficiência energética de máquinas, equipamentos e edificações. Como instrumento dessa política, os governos, entidades não governamentais e associações de classe elaboraram leis, códigos ou regulamentações sobre o uso racional de energia.


Um levantamento feito pelo World Energy Council sobre os países que possuem políticas de eficiência energética, constatou que a maioria dos países da América Latina e da África, notadamente a Região Sub-Saariana, não dispõe de políticas energéticas de nenhuma espécie. “É necessário definir metas para os resultados de investimentos em eficiência e melhorar a capacidade de monitoramento, verificação e avaliação de resultados obtidos. Existem recursos suficientes para uma mudança significativa nos padrões de tecnologias e processos de produção e uso de energia no país. Existem, também, agentes já estabelecidos (públicos e privados) que carecem de melhor articulação para que investimentos voltados à criação e expansão de mercados de tecnologias mais eficientes e fontes renováveis sejam acompanhados por medidas regulatórias complementares (tarifas, padrões técnicos)”, informa Paulo Roberto Lopes do Nascimento, engenheiro e consultor em eficiência energética. Segundo ele, o apoio de programas de Pesquisa & Desenvolvimento e treinamento deverão aperfeiçoar as tecnologias e reduzir seus custos ao longo do tempo. “Assim, comprovamos que, enquanto nos países desenvolvidos existe uma preocupação com o consumo de energia das edificações, na América Latina e África ainda estamos “engatinhando” no assunto”, revela Nascimento.


No caso do Brasil, temos a Lei de Eficiência Energética (Lei 10.295, de 17/10/2001), que dispõe sobre a política de conservação de energia. Assim, houve um balizamento dos níveis de eficiência energética de equipamentos fabricados no país, como motores, refrigeradores e aparelhos de ar condicionado. No tocante às edificações, foi lançado no início deste ano a Regulamentação para Etiquetagem Voluntária de Nível de Eficiência Energética de Edifícios Comerciais, de Serviços e Públicos, que passou pela fase de audiência pública em julho deste ano. Com essa regulamentação, o Brasil passa ter uma política de eficiência energética para as edificações, como ocorre em outros países, seja de forma compulsória ou voluntária.

Brasil baseia-se nas orientações norte-americanas

Muitos países que adotaram uma regulamentação de eficiência energética em edificações tomaram como base normas de outros países. A norma mais freqüentemente utilizada é a Ashrae 90.1 Energy Standard for Buldings Except Low-Rise Residential Buildings. Editada pela primeira vez em 1975 esta norma passa por constantes revisões para manter-se atualizada e estimular o progresso tecnológico.


De acordo com Alberto Hernandez Neto, Prof. Dr. da Faculdade de Engenharia Mecânica da Escola Politécnica - USP, hoje já existe uma grande preocupação com as políticas para a eficiência energética aqui no Brasil e um grande número de projetos e edificações solicitando certificações junto ao LEED, além de uma série de certificações européias que servem como base para orientações. “Enxergo que ainda nosso mercado de AVAC encontra-se dividido neste sentido. Na minha opinião, num primeiro momento, o LEED é um grande guia para uma orientação do setor pois ajuda a sistematizar a informação.


Isto vale também para qualquer outra certificação, como as européias”. Hernandez cita uma edificação, que será certificada pela fundação Vanzolini, segundo a orientação de uma certificação européia, mais precisamente a francesa. Ele afirma, porém, que trata-se de uma visão diferente do LEED e explica o motivo: “O LEED foca mais as edificações no que se refere aos equipamentos e instalações, já as certificações européias preocupam-se mais com a envoltória das edificações. No Brasil ainda não aconteceu isto pois, primeiramente, ainda não temos mecanismos para incentivar o mercado a buscar certificações deste tipo por imposição de leis, a não ser pelo trabalho voluntário de construtoras, proprietários e profissionais do setor no envolvimento destas certificações, até mesmo patrocinando alguns incentivos como, por exemplo, a agência do Banco Real, localizada em Cotia, na grande São Paulo, que recebeu a certificação LEED”.


Hoje temos uma lei sobre Eficiência Energética que, segundo Hernandez, é voluntária, e passará a ser obrigatória apenas em 2012. “No nosso país o mercado exigiu isso e o Governo começou a se manifestar, mas ainda considero este fato muito tímido. Nós, profissionais do setor, mantemos uma certa ansiedade em relação a esta questão e já podíamos ter avançado muito mais. O Governo ainda tem poucos mecanismos para subsidiar e incentivar essas políticas através da redução de alíquotas ou de impostos. Mas esse é o caminho e sem volta, o que considero o melhor de tudo isso”.

Hernandez alerta ainda que é preciso muita seriedade neste caminhar. O LEED e as diversas certificações européias buscaram isso. Se o mercado brasileiro de AVAC se utilizar desses manuais como orientações para futuras instalações, as empresas irão se valer disso. Hoje não é mais concebível a idéia de não ser sustentável. E isso demanda, tanto das indústrias quanto das empresas, saírem da zona de conforto e pensar projetos de maneira diferente. Ele cita o Green Building Council, uma associação voluntária com o intuito de promover e disseminar padrões para o projeto e construção de edifícios energeticamente eficientes e sustentáveis.


“A previsão do Green Building Council para os EUA é de que até 2010 existam 100 mil edifícios certificados e 1 milhão de casas certificadas. Em 2020, a previsão é de 1 milhão de edifícios e 10 milhões de casas. Isto indica, também, um aumento de profissionais creditados e habilitados para fazer as certificações”.


No Brasil foi já foi criado o Green Building Council Brasil (GBCB), como capítulo da instituição americana, com o objetivo de, no futuro, também habilitar profissionais brasileiros para que possam certificar instalações. Ele explica que, atualmente, para ser um profissional habilitado em certificar instalações aqui no Brasil é necessário ir para os EUA e fazer uma prova para adquirir o diploma de certificado do LEED. A idéia, segundo Hernandez, é que essa prova seja realizada aqui mesmo no Brasil, para que o mercado brasileiro tenha mais profissionais habilitados, bem como o processo da edificação a ser certificada, pois hoje é necessário o envio de toda essa papelada para os EUA.


A elaboração de diretrizes, proposição de políticas públicas e setoriais e elaboração para soluções integradas também é proposta do Conselho Brasileiro de Construção Sustentável – CBCS, localizado em São Paulo (SP). "O CBCS é uma entidade com visão sistêmica e foco no setor da construção civil. Nosso papel é formar redes de parceiros (empresários, acadêmicos, representantes de ministérios e secretarias de estado e do terceiro setor), desenvolver pesquisas e ser um hub de conhecimento, disseminando esse conhecimento a todos os interessados em construir de maneira mais sustentável e eficiente energeticamente", informou o presidente da entidade, Marcelo Takaoka, acrescentando que as ações do Conselho abrangem a elaboração de diretrizes, proposição de políticas públicas e setoriais e elaboração para soluções integradas.

Ações para políticas públicas na área de energia Ainda não existe uma clara definição de políticas públicas na área de energia que sinalize para a importância e necessidade de incorporar eficiência energética no planejamento e regulação do setor. Apoios fragmentados a algumas ações e a existência de fundos e legislação específica são importantes, mas não são suficientes para explorar o potencial de economia de energia que existe. É necessário ter o suporte de diversas políticas e ações de cunho governamental e público para conferir sinais claros, especialmente para investidores privados, da importância que a sociedade brasileira confere às características apresentadas no cenário elétrico sustentável, tais como, maior eficiência energética; aumento da oferta de energia de maneira descentralizada; maior espaço para fontes renováveis; redução dos gastos de eletricidade dos consumidores e redução da necessidade de expansão da capacidade instalada de tecnologias convencionais.“É necessário ter um plano estratégico que promova as mudanças requeridas e a implantação efetiva das medidas de eficiência de energia, bem como maior utilização de fontes renováveis”, afirma Nascimento. Ele cita o Programa Nacional de Geração Distribuída: “Por meio de um programa desse tipo, o governo pode desenvolver uma regulamentação de incentivos para a disseminação de tecnologias de geração distribuída. Em diversos países, sobretudo na Europa, o desenvolvimento de medidas regulatórias, desde tarifas especiais que possam tomar partido das características de tecnologias utilizadas para geração distribuída até questões relacionadas com qualidade e aumento de segurança de suprimento, têm sido peças importantes das políticas públicas para auxiliar a disseminação de fontes distribuídas”. De acordo com Nascimento, a geração distribuída poderia representar, em 2020, 26% da geração de energia através de sistemas de co-geração e geração distribuída, sendo 22% a partir de fontes renováveis e o restante com sistemas a gás natural. Em particular, a produção combinada de calor e eletricidade a partir do bagaço da cana é uma fonte energética ainda sub-explorada no país.


Para permitir o seu aproveitamento é preciso uma estratégia baseada em três medidas. Primeiro, os critérios de valorização praticados no âmbito dos leilões de energia nova deveriam ter valores pré-estabelecidos dentro de uma faixa móvel com teto e piso, assegurando a rentabilidade dos investimentos. Segundo, considerando que a bioeletricidade da cana-de-açúcar tem consumo próprio, a legislação do desconto da tarifa do uso do fio, atualmente determinada em 30 MW de potência instalada, deveria considerar potência disponibilizada para venda e não a potência instalada, podendo aumentar para 50 MW. Terceiro, deve-se aprovar a complementaridade dessa fonte que é sazonal e complementar a hidroeletricidade, no caso de venda no mercado. Entretanto, segundo Nascimento, para ter êxito as políticas de eficiência energética devem ser incentivadas pelos governos, esclarecendo aos cidadãos a importância e a necessidade da implantação dessas políticas.

Hernandez cita as práticas adotadas hoje em relação ao Programa Nacional para a Energia Solar Térmica. O uso de energia solar para aquecimento a baixas temperaturas é feito com tecnologias comerciais em todo o mundo e no Brasil, especialmente, para o aquecimento de água. É também utilizado para processos de secagem e refrigeração (sistemas de absorção). As tecnologias utilizam, em sua maior parte, coletores solares planos, fechados ou abertos, dependendo da temperatura desejada.“Para aproveitar de maneira efetiva o grande potencial da energia solar térmica no Brasil, foram necessários investimentos em um programa nacional para essa fonte de energia limpa e barata. Tal programa inclui metas de desenvolvimento, oferta de incentivos para o financiamento aos consumidores finais e incentivos fiscais, como por exemplo, redução de impostos. As populações de baixa renda são especialmente beneficiadas através de tais medidas.


É essencial que se destaque a necessidade de obrigações de instalação em novos edifícios, bem como, investimentos na área de Pesquisa & Desenvolvimento com o intuito de aumentar a eficiência dos sistemas e diminuir os custos ao consumidor final. Cerca de 9% do total das economias de energia do cenário elétrico sustentável são decorrentes da implantação de um programa nacional para atingir quase um terço dos domicílios do país em 2020”.

Agenda Elétrica Sustentável 2020

Planejar o futuro elétrico do país de forma barata e inteligente foi a proposta do relatório “Agenda Elétrica Sustentável 2020”, publicado em 2006, e que envolveu representantes de órgãos governamentais e não governamentais, setor privado e mídia. O estudo prevê economia de R$ 33 bilhões para os consumidores, diminuição no desperdício de energia de até 38% da expectativa de demanda, estabilização nas emissões dos gases causadores do efeito estufa e afastar os riscos de novos apagões, cas o cenário Elétrico Sustentável for aplicado no Brasil até 2020. O trabalho foi desenvolvido por uma equipe de especialistas da Unicamp e balizado por uma coalizão de associações de produtores e comerciantes de energias limpas, grupos ambientais e de consumidores. Na ocasião, Oswaldo Lucon, representante da Secretaria de Meio Ambiente de São Paulo, defendeu o estudo dizendo que o meio ambiente se beneficiaria do estudo de variadas formas. "Existe a redução nas emissões de gases de efeito estufa, a desnecessidade de se criarem usinas nucleares, a preservação das reservas estratégicas de petróleo e gás natural e a preservação da biodiversidade ao se reduzir o alagamento da floresta amazônica por projetos hidrelétricos de grande porte".Cláudio Langone, Secretário Executivo do Ministério do Meio Ambiente, disse que o estudo tem consistência técnica para contribuir no debate sobre o plano estratégico de energia do país. “O relatório é fundamental porque atualmente muitas pessoas dizem que haverá apagão e que o responsável é o setor ambiental. Não aceitamos ser os bodes expiatórios”, afirmou Langone.


Reuso de águas servidas agora é lei





Lei pioneira no Brasil obriga construtoras a apresentarem projetos com mecanismos para uso racional de água em Curitiba (PR). O Hotel Ibis Batel, na mesma cidade, e a sede da Genzyme Corporation, nos EUA, desde 2004 dão exemplo de educação ambiental e economia de recursos, com a implantação de sistemas eco-eficientes em seus edifícios.

Desde março desse ano, uma lei municipal de autoria do vereador João Cláudio Derosso obriga às novas edificações, ou aquelas em construção na cidade de Curitiba, a se adequarem às regras de uso racional da água. A Rede Accor utiliza o mesmo sistema em hotel econômico com sua bandeira, o Ibis Batel, desde outubro de 2004.



Desde março desse ano, uma lei municipal de autoria do vereador João Cláudio Derosso obriga às novas edificações, ou aquelas em construção na cidade de Curitiba, a se adequarem às regras de uso racional da água. A Rede Accor utiliza o mesmo sistema em hotel econômico com sua bandeira, o Ibis Batel, desde outubro de 2004.



Por solicitação da Rede Accor, a Construtora Laguna, responsável pela obra do Ibis Batel, implantou um sistema que conta com o reaproveitamento da água dos chuveiros e pias. Captadas por uma cisterna, após filtragem e tratamento visual e olfativo, as águas voltam a ser utilizadas para as descargas. “Estima-se que 27% das águas utilizadas nos apartamentos sejam consumidas nas descargas sanitárias”, afirma a diretoria da Construtora Laguna. Foram implantados também economizadores de água nos chuveiros e pias, com arejadores de ar. Segundo estudo da Construtora, com esse sistema, o consumo médio do chuveiro e da pia caem de 720 para 468 litros/dia. O custo de implantação dos economizadores foi inferior a 1%, gerando uma economia de 35% para o hotel.



Os dois sistemas agregados (reuso de água e economizadores) mensalmente representam uma redução de 50% em relação aos demais hotéis da rede que não os possuem. No Ibis Centro Cívico, também em Curitiba, para uma ocupação de 70%, o custo da água é de R$ 7 mil por mês, enquanto no Íbis Batel, é de aproximadamente R$ 4 mil, apresentando uma economia de custo de R$3 mil reais. O custo do investimento da Rede Accor, R$46 mil para o reuso e R$6.300 para os economizadores, foi inferior a 1% do total da obra e pagou-se em 18 meses. O hotel também utiliza outros sistemas de economia, como a recirculação de água quente e uso de descargas de baixo consumo.A nova Lei 10.785, proposta por Derosso, obriga ainda às construtoras a incluírem nos projetos captadadores para as água das chuvas nas coberturas das edificações, com o encaminhamento a uma cisterna ou tanque, para utilização em atividades que não requeiram água tratada, como rega de jardins e hortas, lavagem de roupas, veículos, vidros, calçadas e pisos.



A Secretaria Municipal de Urbanismo ficará encarregada de fiscalizar a instalação dos equipamentos de reutilização de água nos novos empreendimentos. Do contrário, não será emitido o “habite-se”, documento que atesta a legalidade do imóvel sob o ponto de vista jurídico. “Estamos pensando em criar um ‘selo verde’, para atestar os edifícios construídos com garantia ambiental, agregando dessa forma valor junto à população de Curitiba, que é bastante consciente nesse sentido”, disse o vereador. De acordo com Derosso, iniciativas visando a eco-eficiência são muito comuns em países como o Japão e os Estados Unidos. A Genzyme Corporation, uma das mais importantes empresas de biotecnologia do mundo, construiu para a sua sede em Boston, Massachussets, um exemplo de greenbuilding – um edifício inovador em termos tanto de sustentabilidade como no design dos espaços de trabalho. O sistema de drenagem da água da chuva flui para dois tanques coletores antes de ser despejado na rede de esgotos local. O primeiro tanque coleta a água para suplementar a demanda por água das torres de refrigeração, o que possibilita uma significativa economia de água a cada ano. O segundo recebe a água da chuva coletada na cobertura e rega o jardim suspenso quando os sensores no solo indicam que a grama está seca.As características do projeto ambiental do edifício encontram-se não só no projeto de coleta de águas das chuvas, mas também em relação à fachada do edifício, iluminação, refrigeração e aquecimento. Para conter as difíceis condições do clima de Boston, o edifício conta com envelope de vidro de alta performance e fachadas parcialmente duplas, que no verão bloqueiam os ganhos solares e ventilam o calor, e no inverno funcionam aquecendo os espaços interiores.






Sustentabilidade na Construção Civil : Mais eficiência e menos desperdício



A duras penas, a sociedade está chegando à conclusão de que, embora tenha trazido o maior desenvolvimento tecnológico que a humanidade já experimentou, o século 20 também registrou a gênese daquele que vem sendo considerado o maior desastre ecológico do planeta. O dilema do homem no século atual, como já se alardeia mundialmente, será conciliar desenvolvimento com preservação dos recursos naturais. A construção civil começa a acordar para a questão.


O professor Vanderley Moacir John, da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli/USP), chama a atenção para o fato de que são as cidades e seus moradores que causam o maior impacto ambiental no planeta. Às vezes a distância, pois os seus habitantes consomem produtos e matérias-primas vindos de lugares longínquos, como a madeira da Amazônia. “Quando a classe média de São Paulo exige objetos feitos com madeira, ela está incentivando o crime ambiental no Pará”, exemplifica.


Cerca de 75% dos recursos naturais extraídos da terra vão acabar em obras da construção civil, ele alerta, revelando que cada metro quadrado construído pesa, em média, 1,2 tonelada. Assim, alguém que resida num apartamento de cem metros quadrados terá consumido 120 toneladas de materiais apenas no local onde mora.


John acrescenta que já começa a faltar areia em Passo Fundo, RS, e em Teresina, PI, assim como há escassez de argila em Londrina, PR. A areia para obras em São Paulo viaja cerca de 200 quilômetros. “São provas de que os recursos naturais não são infinitos”, observa.


“O Ministério do Meio Ambiente está obcecado com a questão da Amazônia, enquanto os problemas ambientais brasileiros têm foco extremamente urbano”, reafirma John.


Laura Valente de Macedo, diretora regional da associação Governos Locais pela Sustentabilidade (Iclei), informou que os consumidores institucionais, agindo de forma responsável em suas compras, podem influenciar os mercados produtor e consumidor, estimulando soluções criativas.


No Japão, revela a diretora da Iclei, existe uma rede de compras verde, assim como nos Estados Unidos e na Europa há processos licitatórios que adotam critérios ambientais, com vários tipos de selos e rotulagens.


Desde a faculdade, frisa Laura, os projetistas precisam despertar para a consciência ambiental, projetar de maneira mais sustentável em termos de iluminação e ventilação, levar em conta as condições e os recursos locais, o clima, preocupar-se com a escolha dos materiais e dos fornecedores, e ver quem tem certificações de produtos e produções mais amigáveis. Gerenciar os resíduos, reutilizar a água servida, aproveitar as águas da chuva, criar cisternas e melhorar a permeabilidade do solo, em vez de cobri-lo com cimento, são outras possibilidades sustentáveis.




3 de dez de 2008

Gestão: O Exemplo da DPaschoal

LUIZ NORBERTO PASCOAL, DONO DA REDE DPASCHOAL


"EU ERREI, PORQUE NÃO fiz o que um líder deveria fazer. Deixei de acompanhar a gestão da empresa como deveria. Não cumpri inteiramente minha missão."

Essas palavras cruas, sem subterfúgios, saem da boca de Luiz Norberto Pascoal, controlador da DPaschoal, a maior rede de varejo de pneus do País, e surpreendem pelo que carregam de transparência e sinceridade. O ambiente corporativo é marcado pela vaidade e pelo apego à imagem.

Muitos de seus protagonistas (empresários e executivos) comportam-se como uma espécie de super-homens de terno e gravata. Os erros? Sempre vêm dos outros - do governo, do mercado, dos subordinados, do cliente que não entendeu nossas melhores intenções.

A autocrítica de Pascoal poderia ser creditada a um momento ruim vivido por sua empresa. Nada disso. Nos últimos tempos, os índices anuais de crescimento ficaram entre 20% e 25%. As margens operacionais batiam em 6%, contra a média de 3,5% no mercado. Com 200 pontos-de-venda espalhados pelo País, a DPaschoal fechará este ano com faturamento de R$ 1,4 bilhão. Em 2007, o lucro foi de R$ 36 milhões, contra R$ 48 milhões do ano anterior.

Então, onde está o erro cometido (e assumido) por Pascoal? "Eu me acomodei com o sucesso", admite ele. "Eu aceitava os resultados sem discuti-los e entendê-los detalhadamente. Se tivesse feito isso, nossos ganhos seriam maiores e mais consistentes." Pascoal despertou no final de 2006, quando leu um artigo publicado na revista Fortune. O título? Algo como "Razões para ter medo do sucesso". O autor alertava que os lucros das empresas estavam artificialmente elevados, uma situação semelhante à da crise de 1929.

Além disso, prosseguia, a expansão acelerada nas vendas mascarava possíveis ineficiências e afrouxava os controles. "Comecei a ler e vi minha empresa retratada ali. Quanto mais me aprofundava, mais forte era a minha presença e a da companhia", lembra.

Pascoal identificou problemas como aumento de custos e desperdícios. Encontrou ainda uma cultura de relacionamento burocrático com os clientes. "Ninguém gosta de ir ao presidente falar sobre ineficiências e problemas", afirma Pascoal. "Por isso, cabe ao líder adotar uma postura de abertura e de apoio a essas pessoas." O grande obstáculo nessa travessia é a resistência à mudança, revela.

Por isso, Pascoal se cercou de consultorias externas em diversas áreas. "Internamente, poucos aceitam a mudança. Ela tem que receber um empurrão de fora e as consultorias cumprem esse papel", diz ele. Ao mesmo tempo, Pascoal reduziu em 30% o número de cargos de diretoria e substituiu metade dos ocupantes.

fonte: Revista Isto é - Dinheiro - Edição 583 - de 03/12/2008