8 de dez de 2008

Baixa renda é saída para construtoras

São Paulo, 26 de Novembro de 2008 - A expansão do mercado de edificações brasileiro, responsável por 5,29% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional em 2007, exige a adoção de métodos e medidas que acelerem a lucratividade e diminuam os gastos, já que os efeitos da crise internacional começarão a ser sentidos no setor daqui para frente. Os desafios e a atual realidade das construtoras e incorporadoras foram apresentados na última edição do Boletim de Conjuntura Industrial realizado pela Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e pelo Instituto de Economia da Unicamp, a ser divulgado nesta semana.
Com a demanda aquecida, o mercado ainda não sofreu nenhum impacto que diminuísse sua produtividade. As medidas implantadas pelo governo, como a liberação da linha de crédito de R$ 3 bilhões para a construção civil divulgada pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, possibilitam que os empreendedores tenham subsídios concretos para dar continuidade ao desenvolvimento do setor. "Se forem tomadas as medidas corretas, o setor não irá sofrer grandes impactos. O governo está sinalizando que irá controlar a crise e se mantiver esse crédito, as construtoras continuarão investindo", afirmou o economista da ABDI e um dos responsáveis pelo acompanhamento do Boletim, Rogério Araújo.
Para que o mercado continue acelerado, segundo identificou o estudo, as construtoras e incorporadoras devem ser cautelosas e buscar diferentes alternativas de crédito, a fim de diminuir a imobilização de seus recursos e manter o ritmo entre oferta e demanda. Com um ciclo de negócios longo - em média de 36 meses - a construção civil precisa de um volume significativo de capital para executar seus empreendimentos, tendo assim o crédito um papel expressivo no setor.
A habitação para a população de baixa renda é um dos pontos fortes de investimento no setor e, pode ser uma das oportunidades futuras para as incorporadoras em meio à crise econômica. As novas oportunidades de emprego e, conseqüentemente, o aumento da renda, elevou o consumo de imóveis por parte das classes C, D e E. Antes sem capital para aquisição e sem possibilidades de financiamento, essas classes tiveram a demanda reprimida. Hoje, com a intenção do governo de diminuir o déficit habitacional, tornam-se público-alvo do setor imobiliário.
O Boletim indica, como estimativa do próprio mercado bancário, que o crédito habitacional passe dos atuais 3% para 10% do PIB em 2015. "Se o PIB não diminuir e a renda da população continuar subindo, o mercado encontrará novas oportunidades na crise, como a habitação para baixa renda", comentou o economista.
O aumento da produtividade e qualidade de todas as etapas de produção também são aspectos importantes para a expansão do setor, como evitar perdas desnecessárias de materiais e qualificar a mão-de-obra formal. "Manter o setor forte é importante, pois ele gera muita renda e empregos", diz Araújo. Uma das metas apresentadas no estudo pela Política de Desenvolvimento Produtivo (PDP) é a elevação em 50% da produtividade e a redução das perdas nessa mesma proporção até 2010.
De janeiro a setembro deste ano, foram criadas 301 mil novas vagas de empregos formais, em comparação aos 177 mil no mesmo período em 2007. No entanto, os índices de informalidade são altos, contribuindo para a baixa produtividade já que as empresas informais não cumprem as normas e não seguem um padrão de qualidade. Para Araújo, um dos grandes desafios desse mercado é revertê-lo para a formalidade, "uma empresa formal tem mais facilidade na obtenção crédito, dessa forma, provavelmente as informais devam modificar sua estrutura, mas isso depende da conscientização das empresas".
As indústrias de insumos também precisam acompanhar a demanda do mercado elevando sua produtividade. O nível de utilização da capacidade instalada das fabricantes de materiais de construção corresponde a 85%, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Material de Construção. A atual preocupação das indústrias de insumos é se conseguirão aumentar a capacidade produtiva para acompanhar a demanda, caso o mercado continue aquecido mesmo com a crise econômica mundial.
(Gazeta Mercantil/Relatorio - Pág. 3)(Marianna Pedrozo)

Nenhum comentário: