8 de dez de 2008

Construção cresce 10%, mesmo com turbulência financeira

São Paulo, 4 de Dezembro de 2008 - A construção civil teve um ano excepcionalmente bom, com crescimento de 10% em relação a 2007. O setor vinha tendo resultados cada vez melhores, mês a mês, até que a crise financeira bateu à porta. Mas mesmo com a turbulência dos mercados, que provocou um leve soluço na indústria, o percentual deve permanecer o mesmo. E a expectativa para o ano que vem continua positiva: crescimento de 3,5% a 4,5%, apesar das projeções anteriores girarem em torno de 9%. "A atividade vai carregar a economia brasileira em 2009, que deve crescer de 2% a 3%", avalia Sérgio Watanabe, presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon-SP), durante coletiva ontem, em São Paulo.
Watanabe afirma que as atividades não vão parar no ano que vem, porque "o setor que capitaneou a indústria", o mercado imobiliário, vai continuar forte, assegurando um cenário positivo até pelo menos o fim do primeiro trimestre de 2009. "O crescimento econômico é fundamental para dar segurança aos compradores, que continuam com crédito para financiarem suas compras." Ele lembra que os principais propulsores do financiamento são o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) e a caderneta de poupança, que não foram atingidos pela incerteza financeira.
Segundo dados apresentados durante a coletiva, o financiamento habitacional, com recursos da poupança, foi 80% superior ao concedido em 2007. O problema, segundo o presidente do Sinduscon-SP, é que a população está começando a ficar amedrontada com o "clima de terrorismo da crise", o que pode impactar negativamente nos números dos próximos 12 meses.
Outro fator que garantiria a continuidade das atividades da construção é o investimento do governo brasileiro no setor. "O Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) continua no ano que vem, e os estados já anunciaram que vão investir mais no setor. São Paulo anunciou que irá liberar R$ 40 bilhões até 2010", diz Watanabe.
A construção foi também responsável pelo maior número de empregos do País: todas as regiões do Brasil registraram crescimentos superiores a 10% no nível de emprego no segmento. Chegou a haver falta de mão-de-obra qualificada nos canteiros de obras. No fim de outubro, cerca de 2 milhões de pessoas trabalhavam no segmento.
"Nenhum governo quer que haja redução dos postos de trabalho. Mas por causa do mercado, o que pode ocorrer é um equilíbrio entre oferta e demanda, o que significa queda nos preços de insumos e de empregos", projeta. Entre janeiro e outubro, apesar dos preços exorbitantes, as vendas de cimento aumentaram 15% e as de aço, 37%. No mercado interno, o faturamento da indústria de materiais cresceu 24%, em relação ao mesmo período de 2007.
Os empresários ainda permanecem otimistas com relação aos lançamentos de imóveis para 2009, embora menos que no ano passado, com relação ao mercado de média e baixa renda. Essa é a conclusão da 37 Sondagem Nacional da Construção, realizada com 235 construtoras em todo o País, apresentada por Eduardo Zaidan, diretor de Economia do Sinduscon-SP.
(Gazeta Mercantil/Relatorio - Pág. 3)(Natália Flach)

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