3 de dez de 2008

Gestão: O Exemplo da DPaschoal

LUIZ NORBERTO PASCOAL, DONO DA REDE DPASCHOAL


"EU ERREI, PORQUE NÃO fiz o que um líder deveria fazer. Deixei de acompanhar a gestão da empresa como deveria. Não cumpri inteiramente minha missão."

Essas palavras cruas, sem subterfúgios, saem da boca de Luiz Norberto Pascoal, controlador da DPaschoal, a maior rede de varejo de pneus do País, e surpreendem pelo que carregam de transparência e sinceridade. O ambiente corporativo é marcado pela vaidade e pelo apego à imagem.

Muitos de seus protagonistas (empresários e executivos) comportam-se como uma espécie de super-homens de terno e gravata. Os erros? Sempre vêm dos outros - do governo, do mercado, dos subordinados, do cliente que não entendeu nossas melhores intenções.

A autocrítica de Pascoal poderia ser creditada a um momento ruim vivido por sua empresa. Nada disso. Nos últimos tempos, os índices anuais de crescimento ficaram entre 20% e 25%. As margens operacionais batiam em 6%, contra a média de 3,5% no mercado. Com 200 pontos-de-venda espalhados pelo País, a DPaschoal fechará este ano com faturamento de R$ 1,4 bilhão. Em 2007, o lucro foi de R$ 36 milhões, contra R$ 48 milhões do ano anterior.

Então, onde está o erro cometido (e assumido) por Pascoal? "Eu me acomodei com o sucesso", admite ele. "Eu aceitava os resultados sem discuti-los e entendê-los detalhadamente. Se tivesse feito isso, nossos ganhos seriam maiores e mais consistentes." Pascoal despertou no final de 2006, quando leu um artigo publicado na revista Fortune. O título? Algo como "Razões para ter medo do sucesso". O autor alertava que os lucros das empresas estavam artificialmente elevados, uma situação semelhante à da crise de 1929.

Além disso, prosseguia, a expansão acelerada nas vendas mascarava possíveis ineficiências e afrouxava os controles. "Comecei a ler e vi minha empresa retratada ali. Quanto mais me aprofundava, mais forte era a minha presença e a da companhia", lembra.

Pascoal identificou problemas como aumento de custos e desperdícios. Encontrou ainda uma cultura de relacionamento burocrático com os clientes. "Ninguém gosta de ir ao presidente falar sobre ineficiências e problemas", afirma Pascoal. "Por isso, cabe ao líder adotar uma postura de abertura e de apoio a essas pessoas." O grande obstáculo nessa travessia é a resistência à mudança, revela.

Por isso, Pascoal se cercou de consultorias externas em diversas áreas. "Internamente, poucos aceitam a mudança. Ela tem que receber um empurrão de fora e as consultorias cumprem esse papel", diz ele. Ao mesmo tempo, Pascoal reduziu em 30% o número de cargos de diretoria e substituiu metade dos ocupantes.

fonte: Revista Isto é - Dinheiro - Edição 583 - de 03/12/2008

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