6 de dez de 2008

Sustentabilidade na Construção Civil : Mais eficiência e menos desperdício



A duras penas, a sociedade está chegando à conclusão de que, embora tenha trazido o maior desenvolvimento tecnológico que a humanidade já experimentou, o século 20 também registrou a gênese daquele que vem sendo considerado o maior desastre ecológico do planeta. O dilema do homem no século atual, como já se alardeia mundialmente, será conciliar desenvolvimento com preservação dos recursos naturais. A construção civil começa a acordar para a questão.


O professor Vanderley Moacir John, da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli/USP), chama a atenção para o fato de que são as cidades e seus moradores que causam o maior impacto ambiental no planeta. Às vezes a distância, pois os seus habitantes consomem produtos e matérias-primas vindos de lugares longínquos, como a madeira da Amazônia. “Quando a classe média de São Paulo exige objetos feitos com madeira, ela está incentivando o crime ambiental no Pará”, exemplifica.


Cerca de 75% dos recursos naturais extraídos da terra vão acabar em obras da construção civil, ele alerta, revelando que cada metro quadrado construído pesa, em média, 1,2 tonelada. Assim, alguém que resida num apartamento de cem metros quadrados terá consumido 120 toneladas de materiais apenas no local onde mora.


John acrescenta que já começa a faltar areia em Passo Fundo, RS, e em Teresina, PI, assim como há escassez de argila em Londrina, PR. A areia para obras em São Paulo viaja cerca de 200 quilômetros. “São provas de que os recursos naturais não são infinitos”, observa.


“O Ministério do Meio Ambiente está obcecado com a questão da Amazônia, enquanto os problemas ambientais brasileiros têm foco extremamente urbano”, reafirma John.


Laura Valente de Macedo, diretora regional da associação Governos Locais pela Sustentabilidade (Iclei), informou que os consumidores institucionais, agindo de forma responsável em suas compras, podem influenciar os mercados produtor e consumidor, estimulando soluções criativas.


No Japão, revela a diretora da Iclei, existe uma rede de compras verde, assim como nos Estados Unidos e na Europa há processos licitatórios que adotam critérios ambientais, com vários tipos de selos e rotulagens.


Desde a faculdade, frisa Laura, os projetistas precisam despertar para a consciência ambiental, projetar de maneira mais sustentável em termos de iluminação e ventilação, levar em conta as condições e os recursos locais, o clima, preocupar-se com a escolha dos materiais e dos fornecedores, e ver quem tem certificações de produtos e produções mais amigáveis. Gerenciar os resíduos, reutilizar a água servida, aproveitar as águas da chuva, criar cisternas e melhorar a permeabilidade do solo, em vez de cobri-lo com cimento, são outras possibilidades sustentáveis.




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