5 de fev de 2009

Em 3 anos, SP vai ganhar 350 prédios-clube

ilustração: Residencial Clube Jardins

Levantamento da Lello, uma das maiores administradoras de prédios de São Paulo, em conjunto com a Embraesp, empresa especializada em avaliação de patrimônio imobiliário, revela que em três anos o número de condomínios do tipo clube em São Paulo e região metropolitana vai mais que triplicar.


Hoje, são cem conjuntos residenciais dessa categoria, contra 50 há dez anos, quando a cidade ganhava cinco deles por ano. Até 2011, outros 350, que já estão em construção, devem ser inaugurados.


Como condomínio-clube o mercado imobiliário considera os empreendimentos com mais de 8.000 m2 de terreno, mais de 200 apartamentos, mais de 30 opções de lazer e condomínio mínimo de R$ 400."O desafio é saber como operar isso tudo. Qualquer administradora que disser que sabe gerenciar isso está mentindo, tudo é muito novo", diz Angélica Delgado Arbex, gerente da Lello."As áreas de lazer aumentam o condomínio e o IPTU", completa Míriam Silva, diretora de operações da Oxi Brasil, empresa de consultoria em lazer para condomínios."O condomínio-clube tem estrutura de hotel, todo o lazer está em casa", explica Marcio Kawashima, do núcleo de Real State da USP. (VQG)


Condomínios cortam diferenciais de lazer

Atrativos destacados na venda, como piscina aquecida e LAN house, são cortados por causa de alto custo ou subutilização

Imobiliárias "marquetizam" benfeitorias para vender empreendimentos, afirma engenheiro, mas nem todas elas têm uso efetivo

VINÍCIUS QUEIROZ GALVÃODA REPORTAGEM LOCAL

Depois de alguns meses, o aquecimento da piscina do Plaza de Cataluña, um prédio de alto padrão em Moema (zona sul de São Paulo), passou a esquentar também a cabeça dos moradores.


Eram R$ 7.000 de conta de gás que, dividida entre os 42 apartamentos, pesava uns R$ 166 no bolso de cada um deles. E os vizinhos então passaram a tomar banho frio.Para cortar custos ou dar utilidade a áreas ociosas, a classe média tem desativado benfeitorias, num primeiro sinal de frustração do investimento feito em lazer nos residenciais e nos condomínios do tipo clube nos últimos anos.Quem diz é o engenheiro Márcio Kawashima, que fez um estudo sobre áreas de lazer no núcleo de Real Estate da Escola Politécnica da USP."O que as imobiliárias fazem é "marquetizar" alguns supostos diferenciais para vender os empreendimentos. De 30 itens de lazer, no máximo 15 têm uso efetivo. Os outros, na prática, não significam nada", afirma.E ele dá a explicação: "A área útil dos imóveis é cada vez menor. Com isso, os moradores enxergam as áreas de uso comum com uma extensão dos seus próprios apartamentos".É um pouco a história do condomínio Practical Way, na Vila Leopoldina (zona oeste). No panfleto de venda, a proposta de uma LAN house, uma dessas salas de computadores com internet e jogos on-line, saltou aos olhos das crianças.Quando foi inaugurado, surgiu a discussão de como montar e pagar um sistema de segurança que proibisse downloads e navegação em sites inapropriados, além do custo de manutenção das máquinas.

Febem


Daí o espaço caiu na ociosidade e ficou uns dois anos fechado. Para mais descontentamento da rapaziada, foi proibida a entrada dos jovens na sala do "home theater". Pela bagunça que faziam, em dois tempos o lugar ganhou o apelido depreciativo de "Febem".Foram reuniões daqui, outras acolá, e os condôminos resolveram a questão: a antiga LAN house virou uma sala de TV e DVD para crianças e foram instalados ali uns computadores antigos, daqueles 486 do tempo do onça, para dar um cala-boca e dizer que tem."Não colocamos internet porque dava muito problema. Hoje o computador funciona só para jogos, e a sala do "home theater" é para os adultos", diz o zelador Francisco Chagas.No condomínio Ile Ecolife, uma dessas minicidades com 460 apartamentos, a história se repete. A sala de lazer infantil, com mesas de pingue-pongue, pebolim e futebol de botão, vai ser incrementada com jogos eletrônicos. A brinquedoteca, sem muitas crianças, vai ganhar uma biblioteca. E a pista de skate, que está parada, vai continuar assim. "É um espaço ocioso", conta o gerente dos prédios, Zacarias Delaportas.As várias alternativas do Plaza de Cataluña para manter a piscina quente -como aquecimento solar e trocadores de calor (que é elétrico e funciona como um ar-condicionado invertido) -não deu certo."Com a piscina, a situação era complexa. O custo do gás é muito alto. A maioria dos condôminos concordou em desativar o aquecimento da piscina", diz a síndica Regina Denigres."Isso tem acontecido muito. O aquecimento da piscina encarece, por baixo, o condomínio em uns 20%", completa Hubert Gebara, vice-presidente de administração imobiliária e condomínios do Secovi (o sindicato do setor) e dono de uma empresa que gerencia prédios."O pior dos custos é ter a opção de lazer sem utilização. Qualquer dinheiro que se gaste será à toa", diz Míriam Silva, diretora de operações da Oxi Brasil, empresa de consultoria em lazer para condomínios.Segundo o Sindicond (o sindicato dos condomínios), qualquer mudança nas benfeitorias deve ser aprovada por ao menos dois terços dos condôminos numa assembleia em todos os donos estejam presentes. "A orientação antes de alugar ou comprar é saber qual o perfil do prédio", diz José Roberto Graiche, presidente da AABIC (a associação das administradoras).


fonte:Folha de S. Paulo - 01/02/09

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