7 de fev de 2009

LOUISIANA SUPERDOME




Associado a uma espaçonave, o Louisiana Superdome aguça os mais variados sentidos de seu espectador, pela sua forma, grandiosidade e imponência. O entorno contrasta-se com a obra tanto esteticamente, quando arranha-céus são interrompidos por uma forma distinta, como conceitualmente, à medida que um espaço destinado ao lazer é envolvido por um centro de negócios (Fig. 2). Além de sua construção ter sido um marco histórico para a cidade de Nova Orleans, nos Estados Unidos, hoje o Superdome ainda é presente na memória dos moradores que o utilizaram como abrigo em 2005 depois da passagem do furacão Katrina.


A idéia da construção do Superdome surgiu de Dave Dixon, um empresário de Nova Orleans que acreditava que a construção de um enorme estádio contribuiria largamente nos seus esforços de criar na região um time profissional de futebol americano. Aproveitando o clima de disputa política pela prefeitura de Nova Orleans em 1965, Dixon apresentou sua idéia ao candidato à reeleição Victor Schiro. O projeto do estádio foi então apresentado à população e, com o apoio do governador da Louisiana John J. McKeithen, foi aprovado no referendo de 8 de agosto de 1966, além de levar Schiro à reeleição.


Curtis & Davis (arquitetos de Nova Orleans), Nolan, Norman & Nolan (arquitetos de Nova Orleans), Edward B. Silverstein (arquiteto de Nova Orleans) e Sverdrup & Parcel & Associates (engenheiros e arquitetos de Saint Louis) compunham a associação responsável pelo projeto, ficando encarregada de elaborar desde o estudo preliminar até os detalhes de execução do estádio. No entanto, os trabalhos foram diversas vezes interrompidos devido a desentendimentos entre os escritórios associados.


Uma proposta diferenciada caracterizaria o estádio por sua flexibilidade. Isto porque sua superfície deveria comportar jogos como futebol americano (9 300m² - Fig. 5A), baseball (13 000m² - Fig. 5B), basquete (5 000m² - Fig. 5C) e outros. Para enquadrar estas modalidades num único espaço, a superfície projetada resultou da soma de um quadrado com um círculo, sendo batizada de “Squircle” (do inglês “square” e “circle”).


Buscando garantir boa visibilidade aos 72 mil espectadores nos jogos de futebol americano, as arquibancadas também deveriam adaptar-se aos mais diferenciados eventos. Assim, a solução previa uma tribuna superior fixa com formato oval e uma tribuna inferior móvel com 15 mil assentos. Movendo-se sobre trilhos, a tribuna inferior delimita as superfícies de jogo: quando mais afastada estabelece a maior superfície, necessária para o jogo de baseball; adiantada em 15 metros estabelece o campo de futebol americano (Fig. 6) e, quando a parte central de uma das laterais avança até o meio do campo, jogos de basquete ou tênis podem ser assistidos a uma distância muito pequena. A figura 7 mostra em detalhe duas das pontes de acesso às tribunas móveis, quando estas estão adiantadas.

A fim de atender às diversas exigências, uma cúpula esférica demonstrou ser a solução estrutural mais conveniente para a cobertura. Esta permitiria a ausência de pilares no campo e um pé-direito mais alto para os jogos de baseball, adequando-se às necessidades do esporte sem comprometer a iluminação.

fonte:http://www.lmc.ep.usp.br

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