1 de mar de 2009

Inovação organizacional na ordem do dia

Estudo da IBM revela que as grandes mudanças a nível organizacional vão ser pautadas pela inovação em termos dos modelos de negócio e que a colaboração e as parcerias são consideradas fontes privilegiadas de inovação e geração de novas ideias.

Os executivos de topo das maiores empresas e instituições, a nível mundial, preparam-se para grandes mudanças geradas pela inovação, sobretudo a nível dos modelos de negócios. Esta é uma das conclusões do “IBM Global CEO Study 2006, Expandir o Horizonte da Inovação”, o maior estudo deste âmbito realizado pela IBM, que foi divulgado recentemente.

Em conversa com a “Ingenium”, Rui Rosado Gonçalves, Managing Consultant da IBM Global Business Services, salienta que “os próximos dois anos não serão voltados para a redução de custos, mas para um período de alteração extensiva que acompanhará a transformação global actual, com grande enfoque nos modelos de negócio.

Nesta envolvente de transformação, cada vez mais os executivos vêem a inovação como uma saída, uma opção estratégica, um caminho para a ‘frente’. Assim, a incorporação e sistematização de políticas e procedimentos que contemplem a inovação será, sem dúvida, uma prioridade de agenda”.
Uma das principais conclusões do Estudo CEO de 2004 aponta como prioridade o crescimento, sem abandonar o objectivo da redução de custos, ou seja, crescer com rentabilidade. No Global CEO 2006 Study conclui-se que os responsáveis entrevistados pretendem capitalizar e responder às forças da crescente globalização e eliminação de obstáculos para os negócios.
Novas fontes de inovação

Face à importância da inovação, os responsáveis entrevistados mostram-se preocupados em descobrir novas formas de inovação, que vão para além da tradicional abordagem da criação de novos produtos e serviços.
Segundo Rui Rosado Gonçalves, “os entrevistados neste estudo indicaram estar a dirigir os seus esforços de inovação para os modelos de negócio, conjugando-os com as iniciativas de inovação em Produtos, Serviços e Mercados”.
Além disso, “quatro em cada dez dos entrevistados confessa temer os possíveis impactos na dinâmica competitiva do seu sector de actividade, provocados por um concorrente que introduza mudanças inovadoras no seu modelo de negócio”, acrescenta.
Por outro lado, verifica-se uma mudança de tendência nas fontes deste factor: cada vez se recorre mais ao mercado como fonte de inovação. “Clientes e fornecedores são as principais fontes indicadas no estudo, em que as parcerias aparecem como factor crítico para inovar – os CEO consideram imprescindíveis a colaboração e as alianças para impulsionar a inovação”, salienta o Managing Consultant da IBM.
T
endo em conta os resultados do Estudo, as fontes externas de inovação são mencionadas o dobro das vezes em relação às fontes internas e a I&D feita pela própria empresa é mencionada por cerca de 15% dos inquiridos.
No entender de Rui Rosado Gonçalves, este não seria, com certeza, o cenário mais evidente há uns anos atrás. “Percebemos que há, efectivamente, uma mudança a decorrer para um novo modelo, o da ‘inovação colaborativa’. Relembro que 76% dos executivos considera que as alianças e a colaboração com terceiros são factores impulsionadores da inovação e, por isso mesmo, críticos para competir e crescer com rentabilidade no novo ambiente empresarial global”, salienta.
Apesar destes resultados, o responsável da IBM acredita que eles não implicam necessariamente uma intenção de desinvestimento. “O aspecto diferenciador passa por dar cada vez maior importância a outras fontes de geração de ideias e iniciativas de inovação, como as parcerias e a cooperação em iniciativas de inovação”, acrescenta. Em Portugal, que contou com uma amostra de 5 grandes empresas de diferentes sectores, os resultados são muito semelhantes às respostas e preocupações globais.
Obstáculos à inovação

O estudo indica que os principais obstáculos à inovação são, no entender dos gestores consultados, essencialmente de carácter interno. Sendo apontados a cultura empresarial, a limitação de fundos, aspectos relacionados com a gestão de pessoal, entre outros, como inibidores da inovação.

Um aspecto que pode ser considerado preocupante prende-se com o facto de 27% dos quadros de alta direcção considerar que a responsabilidade da área da inovação “não está com ninguém em concreto” dentro da empresa, enquanto 24% refere que está nas mãos dos “directores funcionais”.

A nível geográfico surgem grandes variações nesta área da responsabilidade pelo pelouro da inovação. No Japão, China, Coreia e Europa de Leste, 47% dos executivos chamam a si a agenda da inovação. Na Índia e nos Estados Unidos da América, 20% dos executivos afirmam que a inovação se encontra distribuída de forma transversal nas empresas e, externamente, através dos parceiros de negócio e outros stakeholders.

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