27 de abr de 2009

A importância da visão estratégica



Apesar de estarmos vivendo em época de grandes e rápidas transformações e em ambiente altamente competitivo, não podemos deixar de lembrar que o principal desafio de nossas empresas é prosperar nos negócios e garantir a permanência no cenário empresarial. Para tanto é necessário equilibrar forças de curto e de longo prazo garantindo o equilíbrio entre produtividade e crescimento. Pode parecer óbvio, mas muitas vezes mergulhamos no particular deixando de enxergar o todo.


Programas da qualidade são tão importantes hoje, que praticamente assumimos, que as empresas já os praticam. Mesmo sem possuir certificação ou ter se submetido a prêmios da qualidade, é difícil imaginar que as empresas possam sobreviver sem preocuparem-se com a melhoria da qualidade. As séries ISO 9000 e 14000, os prêmios da qualidade, sistemas como Seis Sigma e TQM, são, entre outros, alguns exemplos de programas de melhoria da qualidade, utilizados por organizações preocupadas em melhor atender seus clientes.


Porém algumas críticas vêm sendo feitas a administradores que exageram no uso dessas ferramentas, podendo chegar, em alguns casos, a tolher a criatividade. Segundo artigo publicado no jornal “O Estado de São Paulo”, (Caderno de Economia - 20/09/05) , Benner (professora da escola Wharton de Administração de Empresas da Universidade da Pensilvânia) e Tushman
(professor da escola de administração de Harvard) associaram-se para estudar o assunto e descobriram que programas de melhoria da qualidade ou de gestão de processos podem prejudicar a capacidade de uma empresa responder a mudanças tecnológicas, ao se concentrarem no aprimoramento de tarefas de rotina associadas à tecnologia antiga.


O desenvolvimento da liderança, o foco no cliente, a disciplina sistemática na busca da melhoria contínua são alguns dos muitos benefícios trazidos pelos programas da qualidade. Mas, embora alguns programas de melhoria da qualidade, em suas versões mais atuais, já demonstrem preocupação com a gestão, tendo incluído em suas normas essa visão, são normalmente voltados para os processos, ou seja, para a área operacional da empresa.



Além da qualidade, as tecnologias da informação e as implementações de sistemas integrados tipo ERPs (Enterprise Resource Planning – sistemas de gestão empresarial informatizados), CRMs (Customer Relationship Management – sistemas de gerenciamento do relacionamento com o cliente), e os chamados dashboards ou painéis de bordo, são temas que também vêm causando alguns questionamentos em relação a sua implantação. Assim como os programas da qualidade, esses sistemas são fundamentais para as organizações, e auxiliam a alta direção e a gerência na tomada de decisões. Mas nem todos estão felizes com essa nova ferramenta das corporações, diz um artigo sobre esse tema, também publicado no jornal O Estado de São Paulo, com o título “Gerentes acessam mais dados no micro, mas têm de saber usá-los”. O artigo diz que “alguns vêem o dashboard como mais um instrumento que faz as pessoas se concentrarem apenas no momento, reagindo de forma exagerada diante da realidade de curto prazo e ignorando a amplitude da produtividade e inovação”.


Para responder a essas questões, relacionadas aos programas da qualidade, à implantação de sistemas integrados, bem como ao uso de outras ferramentas de gestão, precisamos entender a importância da visão estratégica. É ela que nos faz refletir sobre o equilíbrio entre curto e longo
prazo, entre qualidade e produtividade, e inovação e crescimento.


Aprimorar determinado processo, sem saber qual é o seu papel estratégico é um risco muito grande. De nada adianta melhorarmos as carroças se hoje elas não são mais utilizadas. Alinhar as ações de curto prazo à visão de futuro das organizações é fundamental para a sobrevivência e permanência das empresas no mercado. A preocupação com custos, com a melhoria de processos, com a qualidade e produtividade é inerente a qualquer empresa, pois a ausência dessa preocupação com certeza a tornará menos competitiva. Porém, na busca pelo aperfeiçoamento contínuo e por melhores resultados no curto prazo corremos o risco de deixar de pensar no futuro, ou seja, na inovação, nas competências, no impacto sócio-ambiental e na visão de longo prazo.


fonte: http://www.setting.com.br/
(*) Vera M. Stuart Secaf
Administradora de Empresas especializada em Gestão da Performance, com MBA Empresarial com foco na Gestão Estratégica pela Fundação Dom Cabral. Consultora para implantação da GID – Gestão Integrada do Desempenho e para implantação da gestão estratégica. Sócia-diretora da Setting Consultoria.


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